quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Sente-se, por favor

Voltei à relíquia Blogger. Desliguei-me do jornal impresso O Diário do Norte do Paraná. Evito, portanto, novas postagens no blog odiario.com/blogs/wilameprado. Mas há um bom arquivo de textos por lá. Fica para a memória da internet. Tudo isso que escrevemos no passado virará lixo virtual, rastros para o Google, ou desaparecerá? Pouco importa, na verdade. Olhar para trás é lamentar a blusa que não veste mais - fique bem, Belchior!

Em tempos de Instagram, ser blogueiro é xingamento ou zoação. As meninas postam fotos mostrando roupas novas, ou os chamados "recebidos", e logo são alcunhadas de "blogueirinhas". A verdade é que, para ser um pouco mais lido, é melhor postar logo o textão no Facebook. Quem se interessar, vai ler, curtir e ainda compartilhar. Muitos, inclusive, comentam o seu texto. 

Um comentário num texto de blog chegava a emocionar - pelo menos para quem não tem tanta audiência. O motivo de voltar ao meu primeiro blog - este A Poltrona (desde 2008) - é apenas para registrar a sequência dos textos. Fica difícil organizar textos pela timeline do Face. Além do que, percebo agora, é bem boa a interface por aqui do Blogger para escrever - melhor que a do Wordpress. Simples e direta.

Como contei em textão no Face há alguns dias (leia aqui: encurtador.com.br/sCMPQ), despedi-me do jornal após dez anos de muita dedicação à escrita jornalística. No início, pegava firme na crônica semanal. Depois, peguei com garra na feitura de matérias e reportagens diárias. Por fim, debrucei-me na arte da edição de páginas de jornal, pautas e planejamentos editoriais. A gente perde a mão na escrita, por fim. E fica invisível. Dá a sua vida para a vida do impresso. E a piada não morre: jornal vira embrulho de peixe no dia seguinte. Mas pergunte para qualquer um que já trabalhou em Redação: dá um prazer danado fazer jornal diariamente. Prazer, sim. Dinheiro, não. Não se pode ter tudo nesta vida.

O fato é que eu paquero a literatura desde 2004, quando entrei na Biblioteca Municipal de Maringá como estagiário e me deparei com o universo fantástico dos livros. Mas culpei o jornal pela minha distância. Um cérebro focado na realidade dos fatos. Mãos que digitam textos rápidos e objetivos. Embrulho de peixe. Um jornal por dia. É foda. Enfim. Cometi um conto ou outro. Iniciei romances inacabados. Literatura que sucumbe. Prometia para mim e para os outros que voltaria a escrever quando desligasse meu PC na Redação. Cá estou. Afastado do impresso. Retornando ao Blogger. E no máximo flertando com a crônica velha de guerra. Literatura, não. Ainda não.

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