sexta-feira, 16 de maio de 2014

Disritmia

Por Wilame Prado

Na rua. Meio cigarro fumado. Oito carros e duas motos passaram na avenida. Uma canção inteira do Radiohead tocada no rádio. Duas luzes acessas no prédio ao lado. Vários pensamentos. Várias reflexões. Apenas uma conclusão: tragadas causam disritmia. No parque. Mais de duzentas pessoas já passaram por você no velho e bom parque de fazer caminhadas. Um atropelamento de cachorro acarreta em trânsito na avenida. Uma velhinha acaba de ser roubada. O caipira caiu no golpe da loteria. Na praça. Os frequentadores da praça continuam traficando e usando drogas. No ônibus. As circulares lotadas. A visão de uma moça levemente parecida com a ex-namorada causa um abalo sintomático. Disritmia. Na empresa. Muitos cafezinhos. Copos descartáveis preenchidos com água mineral. O serviço de todo um dia jogado pela mesa. A funcionária da sala ao lado – que de vez em quando senta em seu colo – está com um lindo decote. Disritmia. Na sala do chefe. Convocação para se dirigir até a sala do chefe. Urgente. Por um segundo, tudo de errado que você fez na empresa vêm à sua cabeça. Disritmia.

Nenhum comentário: