segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Mais amor, mais porra*

Por Wilame Prado

Mais amor, porra. Desligue a TV, esta merda, e pratique mais amor, fabrique mais porra. Ou então se contente sozinho. Preferindo ver a Lua. Sem se importar se o futuro está vindo. Ou se, em um segundo, ele vai acabar. Continue preferindo ver a Lua. Aqui, bem perto do cemitério, onde as pessoas são sabiamente quietas. Enquanto isso, no badalado centro da cidade, vários cérebros estão em férias, comendo, bebendo, digerindo e cagando. Estômagos funcionam e não podem sair de férias. Cérebros, nem sempre. Ainda na parte central da cidade, surge aquela pergunta: “Você desligou o forno?” E se a casa explodir? O gás acabar? O arroz integral queimar? O leite de soja derramar? Apenas se contente com as coisas da filosofia. Se erro, existo, e tá perdoado. Mas voltando aos passeios na cidade onde os muros gritam, outra pergunta: “O que é arte?” Pichação é arte. É também protesto. E ameaça. E sinônimo de indignação. Arte é tudo isso, e só isso. Se existe, é para se fazer a arte. E é só com arte que se pode tentar mudar as coisas. Tacar as pedras das calçadas nos políticos não é arte. É imitá-los e, portanto, licenciá-los. É melhor continuar, então, em silêncio, não votando. E desejando sempre mais amor, mais porra, porra!


*Texto inspirado em frases pichadas em muros marigaenses e produzido para a matéria "Mecanismos do Fazer da Arte Moderna e Contemporânea", da professora Maria Lucinete Sifuentes, do curso de pós-graduação de Arte na Contemporaneidade, da UniCesumar