segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Sem ver o mar, sem ver G.

Sonhei com G., minha avó. 

Ela me olhava severa. Seus olhos tinham som de voz, tinham cobrança, tinham amargura. Olhos que falavam. 

A gente não consegue permitir ou desautorizar as pessoas a invadirem nossos sonhos. Simplesmente entram e esbravejam olhares de reprovação. 

Não acordei de sonhos intraquilos. Dormi bem, mesmo estando mais cansado que de costume após longas horas passadas dentro de um carro, em uma viagem rumando ao mar. 

Mas não vi o mar.

Choveu, fez frio e senti uma melancolia, sentado num banquinho, com um copo meio cheio meio vazio, pensando na temperatura da água do mar e na areia invadindo os vãos entre os dedos do meu pé.

E se G. estava no fundo do mar? E se minha avó estava querendo dizer alguma coisa ao invadir meu sonho e me direcionar olhos falantes?

Faz tanto tempo que não vejo o mar. Faz tanto tempo que não vejo G.