domingo, 4 de setembro de 2011

Paciência e excesso de amor próprio

Agoniza, mas não morre.
Um dia eu voltarei.
Um dia ela voltará.
Mas quantas vidas precisaremos morrer para o reencontro?
Um dia, quando acordei na pele de um monge velho tibetano, quase morri de tédio.
Depois aprendi a esperar, de tanto observar uma rocha do mar virar areia.
Passaram-se mil anos e alguns meses.
E então eu era mulher de malandro, sofredora, que toma e gosta de tapa na cara
Arduamente aprendi a me amar, também.
E então mais duzentos anos separaram vidas.
Estou aqui, hoje, sem ver o mar, sem tomar o tapa.
Amando demais quem não deveria,
incluindo-me no primeiro lugar da lista,
ao lado de deus,
egoísta.
Numa sala de espera sem fim, sem remédios para o tédio
e sem acreditar que um dia eu apanhei
que um dia eu esperei o grão de areia nascer da montanha.

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