sexta-feira, 14 de maio de 2010

A poltrona rasgou - FIM

Algumas pessoas não perceberam o link disposto ao final do post anterior, que trata-se de uma brincadeira convidativa para o meu novo blog, agora inserido na blogosfera de odiário.com.


Por isso, peço gentilmente a todos que sentiam prazer em sentar-se nesta poltrona que agora visitem meu novo espaço na internet, onde publicarei diariamente minhas crônicas e outras delongas. Acessem:


http://www.odiario.com/blogs/wilameprado

A poltrona rasgou

A poltrona foi para o conserto e talvez não volte mais. Obrigado, caros leitores, pelas visitas e comentários feitos neste humilde blog, que começou meio na brincadeira, em janeiro de 2008, mas que hoje já me rende alguns frutos.

Para quem acredita em ressurreição, talvez exista vida depois da morte. Ou, talvez ainda, a morte seja somente umas férias indeterminadas. Saiba mais. 

terça-feira, 4 de maio de 2010

O jogo segue*

Wilame Prado


Sou um cara que já não vibro tanto com as minhas vitórias. Para mim, é mais prazeroso contar as boas novas para os meus heróis do que a conquista em si. O problema é que nem isso eu posso mais. Isso porque, um processo de desencantamento e quietude, existente em meu ser até nas horas em que sorrisos poderiam estar escancarados, deu-se início há três anos, quando o Bila (assim os conhecidos chamavam o meu pai porque o nome Wilame era muito difícil de se pronunciar) resolveu fazer a viagem sem volta da morte.

Bila é o meu herói. Ou melhor, o meu anti-herói. Nossa relação entre pai e filho não foi das melhores, admito. Faltava diálogo. Faltava carinho. Acho que meu pai passou vinte anos tentando encontrar alguma forma de me agradar. Errou ao tentar me mimar com coisas materiais. Acho que passei vinte anos tentando provar para o meu pai que eu o amava. Errei ao aceitar sua inconstante distância.

Tendo em vista tudo isso, pergunto-me, principalmente quando ergo a taça de campeão na vida, se realmente as brindadas valeram a pena. A felicidade é tão fugaz, não? Escorre dos nossos dedos como manteiga derretida. Almejamos tanto os momentos felizes, mas ficamos totalmente perdidos quando chegam. Se felizes, não sabemos direito o que fazer.

Nessas horas benquistas, o melhor seria, pelo menos, propagar a felicidade contando para os nossos heróis o quanto você se sente feliz. Mas nem esse gostinho eu tenho mais. É que não só o Bila pegou o bonde do infinito rumando para o desconhecido. Compraram também o bilhete só de ida avós, tios e amigos, impedindo-me de tentar ser um pouco mais feliz, pelo menos nas horas em que, pressupõe-se, deveria estar, sim, feliz.

Sei que, ao revelar esse meu completo desprendimento com as maravilhas que acontecem em minha vida, acabo por desmerecer um milhão de pessoas que estão ao meu redor e que torcem para que tudo dê certo. Por isso, peço desculpas a eles, reiterando algo em que talvez não saibam direito: as vitórias só acontecem porque estou vivo para buscá-las; e se estou vivo, é graças a todos eles – os heróis que ainda não me deixaram.

Neste último sábado, 1º de maio, o dia do trabalhador, três anos se passaram desde que o velho Bila se foi. E, incrivelmente, os últimos três anos da minha vida foram quando finalmente conquistei alguns pódios. Antes disso, chateado ficava quando tinha de admitir ao meu anti-herói que seu filho ficara em último lugar ou, 
o mais corriqueiro, que nem chegara a participar da prova.

Pergunto-me, inquieto, se alguma força superior vem tentando me compensar em vida a tristeza tão grande que é perder o pai. Sendo isso uma verdade ou não, fato é que todas minhas conquistas são enlutadas e, por isso, é bem provável que ainda continuarei marcando alguns gols nesse mundão, mas, mesmo se algum dia ele for de placa, não haverá comemorações. Pegarei a bola e a colocarei novamente no meio de campo. A vida continua. Vitórias e derrotas existirão, sempre. Segue o jogo, então, mas com a tarja preta enlaçando o braço.