terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Carta em homenagem aos 80 anos da Dona Luzia Garcia do Prado*


Wilame Prado


Você já experimentou, em um dia qualquer, sentar para conversar com a Dona Luzia Garcia do Prado? Não? Então faça isso. Seu relato pessoal de vida, no mínimo, daria um livro.
Dona Luzia teve uma infância difícil, se é que poderia ser chamado de infância. Perdeu sua mãe ainda criança, com apenas 9 anos de idade. Essa tragédia obrigou Dona Luzia a se tornar mãe com menos de 10 primaveras vividas. Suas brincadeiras, na verdade, eram sérias, cuidando dos irmãos mais novos. Seus brinquedos não passavam de panelas, enxadas ou vassouras.
Difícil ver lado bom nisso tudo, né? Mas, pensando bem, Dona Luzia aprendeu cedo o significado da palavra responsabilidade. Isso porque, embora tivesse de trabalhar e cuidar dos irmãos desde pequena, nunca se esqueceu da importância do estudo. O lápis e o caderno sempre a acompanharam.
Ela também se lembrou da palavra responsabilidade quando, aos 21 anos, não pensou duas vezes em querer casar com um tal de João Azarias do Prado - um moço paquerador, mas muito bonito e trabalhador, que a rodeava na colônia.
Tanto Dona Luzia como João Azarias tinham vários motivos para chorar, sejam por problemas nas famílias, sejam pelas dificuldades financeiras. Mas, pelo contrário, preferiram sorrir, se amar e, como fruto desse amor, cultivar 10 filhos.
Evanir, Neuza, Luci, Carmen, João Azarias Filho, Ana Maria, Mário, Carlos, Solange e Marcos Roberto. Essas foram as graças que os filhos receberam. Eles, mais tarde, seguiram o amor dos pais e deram de presente à Luzia e a João Azarias mais de 30 netos e já alguns bisnetos. E essa fábrica não para por aí!
No decorrer desses 80 anos, Dona Luzia faz questão, até hoje, de trabalhar. Não teve um desafio sequer que ela não enfrentou. Durante todo esse tempo, muita coisa boa e, infelizmente, coisas ruins, aconteceram com ela e com a família.
Talvez, com seus 80 anos de idade, Dona Luzia percebeu que amar vale a pena. E que valorizar as pessoas que estão ao seu redor, vale mais ainda. Para dar um exemplo: quem nunca foi elogiado pela Dona Luzia ou nunca ganhou adjetivos como “trabalhador”, “esforçado”, “bonito”, “bonzinho”, e tantos outros, que atire a primeira pedra.
 É por isso que hoje, Dona Luzia, ou Vó Luzia, ou ainda Mãe, Sogra, enfim, hoje você é um orgulho para a Família Azarias do Prado. Nesta carta, só queríamos deixar bem claro o quanto te amamos e o quanto temos de agradecer à senhora, pois nos mostrou a importância que há na dedicação diária para que os sonhos se tornem realidade.
Agradecemos a senhora pelo iogurte que há tantos anos nos alimentou e fez das nossas tardes de verão um dia inesquecível. Dias esses em que tios, mães, pais, irmãos, vó, vô, ficavam sentados nas cadeiras de área, enquanto as crianças brincavam de Balança Caixão, correndo pra lá e pra cá por toda a lajota da “Vó”.
Agradecemos a senhora que, assim como na Oração da Família do Padre Zezinho, sempre respeitou o lar, seu marido e, dessa maneira, deu o exemplo a seus filhos, que amam você eternamente.
Agradecemos a senhora por sempre deixar a casa aberta para qualquer um da família, sem exceção ou discriminação. Quantas e quantas vezes, nós não fomos “filar” uma “boia” na casa da Dona Luzia?
Agradecemos por, na hora de tantas fatalidades, como nos falecimentos de Evanir, João Azarias, Silvia, Mário e Wilame Elias, ter sido a mais forte da família e a que nos manteve de pé, enquanto que, erroneamente, ficávamos preocupados, pensando que a senhora não aguentaria a dor de uma perda tão grande.
Enfim, Dona Luzia, agradecemos pelo a dádiva do seu nascimento, ocorrido há 80 anos, no dia 6 de abril de 1928. Essa data deve ser marcada como o dia em que nasceu uma pessoa que nunca fez mal pra ninguém.
Todos nós te amamos e desejamos um feliz aniversário. E que, a partir dos 80, sua vida se renove para que chegue, no mínimo, ao 100 anos, com amor, fé, serenidade e muitas histórias para contar.
A senhora é simplesmente linda!
São os votos da Família Azarias do Prado – filhos, netos, bisnetos, genros, mulheres e namoradas de netos, maridos e namorados de netas, e por aí vai!!!!!!!


*Carta escrita por mim em homenagem aos 80 anos da minha querida avó Luzia Garcia do Prado (completados em 6 de abril de 2008), que, infelizmente, nos deixou nesta tarde quente e sufocante do dia 19 de janeiro de 2010, aos 81 anos.

2 comentários:

Rafael Zanatta disse...

Cara..que bela carta e que triste notícia.

Meus sinceros pêsames. Mas pelo menos, meu caro, ela teve a oportunidade de ler/ouvir tão bela homenagem há um ano, na data de seu aniversário. Quantas não são as homenagens póstumas e inúteis?

Ainda bem que você escreveu essa bela homenagem enquanto sua vó vivia. Aposto que foi uma grande emoção.

Um abraço e melhoras.

Diniz Neto disse...

Muito linda a carta. São gestos assim que eternizam pessoas e mantém vivas as melhores lembranças das pessoas que amamos.
A nossa passagem por esta planeta é muito rápida, mas a nossa existência dependerá do amor conseguirmos reunir e receber.