terça-feira, 8 de setembro de 2009

Uniformes políticos*

Wilame Prado Por causa do metamórfico processo de Sarney no Senado e de mais algumas rinhas e arranhões, muitos governantes deste Brasil brasileiro estão mudando de uniforme, vestindo outras camisas, trocando de bandeira, de sexo e de Deus. Ela gosta de árvores. Nada mais justo, então, que Marina Silva troque o uniforme vermelho do PT pelo manto verde sagrado do PV. O tucano enrustido, católico e conservador Flávio Arns rasgou, brabo, seu andrajo uniforme rubro e assumiu de vez que seu coração é amarelo e azul – as cores do PSDB. “Que cor de uniforme melhor vai combinar com Mercadante e seu garboso bigode saliente?”, é a pergunta que não quer calar. Será que o vice de Lula em 2004 vai derramar um balde de tinta amarela em sua camisa mais que vermelha cor de sangue? Heloísa Helena, esbanjando conhecimentos da última moda, disse que o amarelo e o vermelho do PSOL são cores complementares e que serão bastante utilizadas na eleição de 2010. O engraçado é que ela própria só usa aquela blusa branca e larga, já amarelecida pelo tempo e pela poeira do chão de estrada da politicagem tet-a-tet. “Mudemos o uniforme; e já!”, são os gritos que ecoam cada vez mais altos nas paredes da sede do PT e que chegam gritantes e irritantes aos ouvidos de Berzoini, Lulinha e Dilminha. Na tentativa vã de desviar os urros da mudança e também para descontrair o ambiente, o nobre senador Eduardo Suplicy canta ora um rap paulistano ora uns refrões envelhecidos de Bob Dylan. *Texto enviado, e não premiado, para o Concurso Literário da revista piauí do mês de setembro. A revista escolhe uma frase de algum livro ou autor célebre, e lança aos leitores o desafio de encaixá-la num texto fictício. Quer participar do concurso deste mês? Então encaixe a frase "Não posso. Não posso pensar na cena que visualizei e que é real", de Clarice Lispector.