quarta-feira, 15 de julho de 2009

O futuro de Sarney

Wilame Prado Estive conversando com Deus dia desses, que finalmente me revelou o que aconteceu com o senador José Sarney. Tendo contatos em 3º grau com todo o Universo, Deus convenceu marcianos do bem a abduzir o ser de bigode amplo, fazendo, assim, uma fineza ao Brasil. Pelo que entendi, na conversa franca com Ele, os E.Ts ajudaram nosso País porque se convenceram que Deus é brasileiro. Deixando-se esquecer do oitavo mandamento, Ele levou essa mentira adiante (que prefere chamar de omissão) com a ajuda de alguns artífices típicos da nação tupiniquim. Deus, que não é bobo nem nada, convidou os marcianos para uma reunião regada à caipirinha, roda de samba e, claro, morenas com traseiros protuberantes, sambando de salto alto e algumas lantejoulas como vestimenta. Ainda houve tempo, na reunião, para a exibição de momentos marcantes da Seleção Brasileira, com golaços de Pelé, em 1970, e de Ronaldo, em 2002. Ao final do encontro entre Deus e E.Ts, ficou combinado que o ex-presidente do Brasil e hoje presidente do Senado, José Sarney, seria convidado a se retirar, por um tempo, do Planeta Terra e ir para não sei onde, com uma ressalva feita pelos marcianos: as morenas tinham de entrar no Objeto Voador Não Identificado (OVNI) também. E foram. Nessa época, os jornais brasileiros noticiaram uma fuga cinematográfica de Sarney, logo após a revelação de que o bigodudo teria uma conta clandestina no exterior. Algumas revistas de direita apontaram como certa sua estadia na Venezuela, graças ao bom relacionamento entre Lula e Chávez. Mas como é difícil acreditar em revista de direita, essa notícia plantada foi logo esquecida. Mesmo sem beber um gole sequer da caipirinha dos Céus, Deus continuou me contando os causos, empolgou-se e me adiantou até o futuro do nosso País. Disse que a política no Brasil continuaria uma merda. Os brasileiros já não teriam Sarney e nem Heráclito Fortes, ufa. Mas teriam como presidente do Senado o ACM Neto, e como presidente da República, um tucano bicudo e despenado. Ixi. Nesse futuro calamitoso, contou descorçoado Ele, o número de pobres e miseráveis cresceria vertiginosamente porque não conseguiriam surfar na onda do progresso – com fome, descalços e sem falar chinês, não teriam chances de conquistar os empregos oferecidos nas multinacionais que dominariam o País. Até que um dia, sem mais nem menos, disse um preocupado Deus, o Sarney voltaria. Lula, neste momento, já nem se interessaria por política – em sua velhice, apenas acompanharia aos jogos do Corinthians e faria viagens pelos países pobres do mundo – com o prêmio Nobel da Paz, seria nomeado membro interino da ONU. E Ele continuou profetizando, afirmando que, com a mesma fisionomia, com o mesmo bigode e com o mesmo sotaque maranhense, Sarney voltaria, sereno, da temporada de férias com os E.Ts, sem se lembrar de nada e achando poético estar com os pés descalços nas areias das praias de seu Estado. Assim como Lula, Sarney já não se interessaria por política. Mas tentaria, sem sucesso, resgatar seu espaço como colunista da Folha de S. Paulo, pois finalmente se convenceria de que era um intelectual (nisso, o trabalho dos marcianos deixou a desejar) e não um governante. Então, retornaria às aulas de pintura, mas, em sua casa, já não caberiam tantos quadros com flores retratadas por ele. Para Sarney, não restaria escolha, disse Deus: o jeito seria calibrar sua veia literária e continuar escrevendo seus contos e romances até um entardecer de um possível outono, em que, em vez de marcianos, finalmente Ele (ou não) fosse lhe buscar. Mesmo assim, os livros do bigodudo continuariam sendo humilhados pela crítica, odiados pelos leitores e acumulados, cheios de pó e ácaros, em bibliotecas de todo o Brasil. Ao final drástico de mais um comandante solito a reinar, nem o próprio Sarney aguentaria relembrar sua história oficial, regada de mentiras e com honras a um mérito nunca existido. Com seu livro autobiográfico estirado pelo chão, finalmente faria a indagação que deveria ter feito logo nos primeiros anos de vida pública: “aonde foi que eu errei?”.
Crédito da imagem: http://1.bp.blogspot.com/_u0b81TDUJ_k/SZmukctEqSI/AAAAAAAAPX8/B0fR9_85k-0/s400/186.jpg