domingo, 28 de junho de 2009

Michael Jackson do pau oco

Wilame Prado
Fico pensando se quando o Sarney morrer, as pessoas também vão santificá-lo, assim como acontece com todos os famosos que morrem pelo mundão afora. É que é esquisito pensar em tamanha comoção com relação à morte do preto mais branco do mundo, Michael Jackson (ao contrário de Vinicius de Morais, o branco mais preto do Brasil). Faça uma pesquisa em qualquer site de notícias escrevendo “Michael Jackson” e verá que, tirando os 1 milhão de links postados nesta última semana e também sobre a turnê que faria na Inglaterra, o restante das notícias são de escândalos de pedofilia, dívidas, divórcios e processos que a mídia não se cansava de vomitar. Olha, eu sei que muitos devem estar me xingando, ou dizendo que eu não me recordo dos tempos áureos da discotecagem dos anos 80. Eu entendo vocês, fãs. O que eu critico mesmo é a mídia, essa Maria vai com as outras, essa que condena injustamente e que santifica também injustamente. Precisava disso tudo na morte do cara? Com todo respeito aos colegas jornalistas que trabalham na CBN Maringá, assim como o gremista Murilo Battisti, mas infelizmente tive de trocar de rádio nesses últimos dias porque não aguentava mais ouvir notícias repetidas de Michael Jackson na programação da CBN Brasil. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, tem razão em criticar a rede de notícias CNN por priorizar a cobertura da morte do astro pop em vez de noticiar a crise política de Honduras, por exemplo. Por que, quando o cara estava na pior, sendo processado, quase preso, praticamente recebendo cuspidas na cara da sociedade, ninguém foi entrevistar os artistas brasileiros para que eles opinassem sobre isso tudo? Agora que se foi, ninguém diz que ele era pedófilo, nojento, racista e outros adjetivos mais. Agora, Michael Jackson é tão somente o imortal rei do pop. Nem quero entrar na discussão dos mitos fabricados pelo pop, em meio a esta sociedade cretina consumista, porque provavelmente serei descortês. E para quebrar o clima, registro, pelo menos, a única lembrança boa que tenho de Michael Jackson: era um jogo do videogame Master System, em que ele combatia os vilões arremessando seu chapéu. Além do chapéu assassino, Michael dava uns chutes vorazes nos adversários. Era pura adrenalina o joguinho. Mas esperem: acabo de digitar no Google “master system Michael Jackson” e descubro que o nome do jogo era “Michael Jackson’s Moonwalker”, inspirado no longa-metragem homônimo. Incrível, não? Outra recordação à la Michael Jackson: na molequice, também tentei imitá-lo deslizando com os pés para trás. Mas meu fracasso com a dança foi um dos primeiros passos rumo ao distanciamento do mundo pop e também de um ser que, caso não tivesse renegado coisas tão importantes neste mundo, como a família, talvez tivesse merecido um pouco mais de respeito.
Crédito da imagem: http://www.multinet.no/~jonarne/Hjemmesia/Favorittartister/michael_jackson/michael_jackson_4.jpg