segunda-feira, 9 de março de 2009

Divagando em Maringá*

Wilame Prado Hoje, deu-me vontade de escrever sobre a aporrinhação que sempre fazem com o presidente Lula só porque ele gosta de tomar uma cerveja ou outra. Cadê vocês, aporrinhadores de plantão, agora que o bam-bam-bam do Barack Obama foi fotografado tomando sua merecida cervejinha norte-americana, num ginásio lotado, acompanhando um jogo de basquete? Por que ele pode e o Lula não pode, hein? Só porque foi o primeiro presidente negro eleito naquele país imperialista e racista ou só porque ele confessou que usou drogas em sua meninice? Mas, desisti deste assunto porque é deselegante. Pensei, talvez, em escrever sobre a nova escapada de Ronaldo, o fenômeno das boates, em busca de diversão na mais conhecida casa noturna da cidade de Presidente Prudente. Afinal, muitos gostam é disso mesmo, da fofoca, da vida alheia, do BBBosta, enfim, das constantes aporrinhações acerca de astros e famosos. Achei melhor não também, afinal, creio não ser capaz de escrever tão bem sobre estes assuntos intrínsecos, do tipo novela das oito e carnaval na Sapucaí, tal qual um dos melhores escritores de coluninhas de jornal e dizeres em banheiros públicos deste país, o letrado, o culto, o engraçadíssimo Simão, da Folha de S. Paulo. Então, lembrei-me das aulas de Realidade Regional e imaginei que seria de bom grado aos leitores comentar sobre algo que está acontecendo em Maringá e região. Folheei alguns (um) jornais impressos do município, pois as notícias da tevê simplificam tanto o assunto que fica quase impossível de achar uma lógica para o fato, e porque perdi o hábito de ligar o rádio para ouvir as (a) rádios que tocam notícia por aqui, e vi que, diferentemente do Brasil, em Maringá as coisas não começam a acontecer depois da festa da carne. Nem antes. Só que daí eu também me lembrei de umas aulas teóricas que tive sobre semiótica e entendi porque estava com aquela sensação de que nada acontecia em Maringá. É óbvio! Em jornais impressos, ou em qualquer meio de comunicação, nada é realidade e sim uma representação daquilo que aconteceu, um olhar de algum profissional (ou não) do jornalismo acerca daquele fato, que ele pode ter ficado sabendo na internet, por telefone, por fontes, ter inventado, mas quase nunca ter testemunhado de fato a “realidade”. Pois bem. O jeito, então, foi andar por aí, sentindo a chuva, assim como o homem que se divertiu na festa à fantasia no carnaval, e descobrir a Cidade-Canção, que não tem público para as canções tocadas em baladas de rock. Comigo, levei um pote de Hellmann´s para fazer minha parte e ir recolhendo no caminho os caramujos africanos do mal (equipados com luvas, é claro), que, em seu leito de morte, disponibiliza sua armadura, o caracol, para que sua amiga, a Aedes aegypt, possa, tranquilamente, dar continuidade à sua existência. Fui parar na Universidade Estadual de Maringá pensando que um novo circo ou ciganos com dentes de ouro estivessem instalados por lá. Ledo engano, pois, na verdade, estava diante da tenda para a Calourada do Amor – uma recepção cheia de carinhos e beijinhos para os calouros da UEM, que poderão participar, junto a toda a comunidade acadêmica, de manifestações culturais dignas e louváveis no campus. Na volta, caminhando pelo Parque do Ingá, pois a fábrica de multas está na ativa e andar ainda é mais seguro e rentável do que dirigir, nenhum macaco me atacou. Em casa, lendo alguns blogs e sites dignos, que você só encontra nas indicações de leituras do meu blog, o www.apoltrona.blogspot.com (vendendo meu peixe), refleti e cheguei à conclusão de que a nossa Maringá é, no mínimo, muito esquisita. *Crônica publicada, resumidamente, dia 3 de março na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná
Crédito da imagem: http://farm4.static.flickr.com/3039/2557230539_23203cdbde.jpg?v=0