quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Na colação de grau, emoções*

Wilame Prado Neste último sábado, assisti, pela primeira vez, a uma cerimônia de colação de grau. Presenciei um grande amigo recebendo o aclamado canudo e oficializando de vez sua posição como biólogo. Minha mulher, ao meu lado, na arquibancada da arena coberta do Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro, avistou meus olhos marejados e perguntou se estavam ardendo. Desconversei, pois não queria admitir que, na verdade, estava à flor da pele, cheio de emoção, fazendo força com todos os músculos da cara, inclusive com os dentes, para que as lágrimas não escorressem pelas minhas bochechas. Provavelmente, a emoção dos inúmeros estudantes que estavam se formando foi maior do que a minha naquele momento. Constatei isso depois, conversando com meu amigo formado e descobrindo que, tirando a sensação de dever cumprido e glória por ter finalizado o ensino superior, o fato de saber que muitos colegas de sala não mais farão parte de sua rotina diária e que alguns, inclusive, nunca mais nem serão vistos, é suficiente para se emocionar e refletir sobre os caminhos que a vida oferece. Acho que é mais ou menos isso que os formandos sentem quando finalizam seus longínquos cursos acadêmicos. Junto a essa saudade instantânea dos tempos da faculdade, que já começa quando o baile de formatura termina, para a maioria, o diploma em mãos é sinônimo de desespero e medo deste mercado de trabalho inchado, desleal e cheio de concorrência – quase sempre não praticada pela meritocracia e sim pelo famoso Q.I (Quem Indica). Ao meu redor, muitos passaram ou ainda estão passando por este momento difícil, inclusive meu amigo biólogo (quem souber de algo, ajude o rapaz; ele é um bom menino). Minha hora ainda não chegou, mesmo estando no meio acadêmico há praticamente seis anos. , antes que os leitores pensem que eu reprovei na faculdade, tenho a honra de, nesta humilde crônica, apresentar meu Currículo Acadêmico. Quando estava cursando o chamado “Terceirão” do ensino médio, recebi a notícia de que tinha passado no vestibular e que teria acesso livre ao maravilhoso curso de História da Universidade Estadual de Maringá. Só tinha um problema: quando fiz a prova, meu objetivo era treinar e conhecer o “bicho-papão” que é o vestibular e não adquirir uma licença para lecionar ou pesquisar os fatos históricos deste mundo. Minha mãe não admitia a idéia de eu, sem dinheiro e sem padrinhos, desperdiçar um curso bom e gratuito. Entrei na UEM sabendo que ainda faria o sonhado Jornalismo. Ao completar os dois primeiros anos do curso, descobri que o nosso presidente Lula e seus companheiros estavam oferecendo uma chance às pessoas de renda baixa, assim como eu, de ingressar nas faculdades privadas deste País por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni). Hoje, estou no último ano de Jornalismo, no Centro Universitário de Maringá (Cesumar), e nunca precisei pagar um tostão por isso, a não ser em impostos, é claro. Pronto: acabo de responder por que estou há quase seis anos no meio acadêmico. Lembro-me da felicidade que senti em dizer ao meu pai que havia conquistado uma bolsa integral na faculdade para fazer o que sempre sonhei. E foi por isso que as lágrimas queriam porque queriam cair dos meus olhos teimosamente naquela colação de grau. Infelizmente, daqui a um ano mais ou menos, quando chegar a minha vez de receber o canudo, meu velho, que sempre acreditou em meu potencial, não vai participar da solenidade. Espero que, de lá de cima, pelo menos, esteja vendo e contando, cheio de orgulho, aos seus amigos que seu filho finalmente está se formando. Leganda da foto: Murilo Citelli Dutra, 23, biólogo *Crônica publicada, resumidamente, dia 27 de janeiro na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná Crédito da imagem: Arquivo pessoal de Murilo Citelli Dutra