terça-feira, 22 de setembro de 2009

Pesadelo verde*

Wilame Prado

Cor bonita é o verde. Em nossa bandeira, alguns dizem que representa o verde das matas. Se isso fosse realmente verdade, parte da bandeira deveria ser tostada, assim como acontece com muitas árvores no Brasil. Mas hoje não quero falar de árvores, mesmo sabendo que ontem, 21 de setembro, comemoramos o Dia da Árvore – uma das datas mais hipócritas de nosso calendário. Quero mesmo é falar do verde, essa linda cor, a cor da esperança.

Digito “verde” no Google buscando informações para esta crônica, que ficaria muito bonita caso fosse publicada na cor verde. E obtenho algumas informações inúteis para mim, um leigo no que diz respeito ao disco cromático: “O verde é uma cor-luz primária e uma cor-pigmento secundária”.

Descubro também diversos tons da cor verde. Tem o verde marciano, o lunar, o menta, o exército, o musgo (também conhecido como cor de bosta) e até o fantasma. Particularmente, gostei bastante do verde esmeralda, inspirado na pedra esmeralda, que, vejam só, significa “pedra verde” no indiano antigo, segundo alguns sites suspeitos.

Cultura inútil à parte, e querendo poupar as dificuldades que um amigo meu daltônico terá para enxergar os verdes desta crônica, esqueçamos as cores e falemos agora do que realmente importa: futebol – o nosso circo de cada quarta-feira e domingo, a nossa alienação via canais da televisão, a nossa desculpa para tomarmos aquela gelada. Sim, meus caros, o futebol.

Devo confessar: ultimamente, assistir aos jogos do meu time, o Santos Futebol Clube, é mais chato do que acompanhar na íntegra as 500 milhas de Indianápolis. No jogo entre Santos e qualquer time, simplesmente nada acontece.

Neste último domingo, fui ao bar do Jair, aqui perto de casa, ver mais uma apresentação pífia do Peixe diante do fraquíssimo Botafogo. O resultado, zero a zero, traduziu bem o que este jogo representou.

Mesmo com a pasmaceira do confronto entre os alvinegros, pude, porém, me divertir, e muito, direcionando meu olhar à outra televisão do bar. O jogo entre Corinthians e Goiás era transmitido. Num Pacaembu lotado, o verdadeiro Verdão provou que tem fôlego para ganhar o Campeonato Brasileiro e fazer justiça ao bom futebol que vem praticando nos últimos anos.

A cada gol do Goiás, que, com seu manto esmeraldino, inspirou-me a escrever esta crônica, não conseguia conter os dedos ávidos, digitando mensagens no celular para um amigo corintiano. Como uma foto, um simples nome valeu mais do que mil palavras: “Ronaldo”, leu o pobre corintiano em seu celular pelo menos umas quatro vezes.

Depois de Obina versão 3.0 e da goleada comandada por Iarley, Fernandão & cia, não tenho dúvidas de que os pesadelos sonhados pelos corintianos acontecem em tons de verde. Verde esmeralda, verde-limão ou até verde musgo. Não importa. Verde é realmente uma cor bonita.
* Crônica publicada dia 22 de setembro na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná

4 comentários:

Rafael C. Crivelaro disse...

É meu amigo.. eu concordo plenamente com vc..
Vc só se equivocou ao falar q o Verdão GOIAS vai ganhar o camp. q na verdade é um outro verdão q vai ganhar, né?

kkkkkkkkkkkk

Abraço, parceiro!

Clara disse...

Parabéns!!! É bom saber que mais gente reconhece a raça esmeraldina... Se você assistisse a um jogo do Goiás no Serra lotado, daria adeus ao Peixe e se juntaria aos periquitos!

fábio castaldelli disse...

tb assisti ao peixe e tb saí após o jogo com essa sensação de vazio. o gramado ruim, um tempo ruim, um adversário ruim, um futebol ruim... e por aí vai.

o jeito foi se contentar com a "asa negra" do santos, o goiás. ou seria: "asa verde"?

abraço
e muito verde esperança para nosso futebol.

Brunão disse...

vai se fuder, verdao eh o palmeiras