segunda-feira, 22 de junho de 2009

Jornalistas formados, não há o que temer

Wilame Prado Pensei que fosse ver, na semana passada, após a decisão de não obrigar jornalista a ter diploma, colegas de classe desapontados, talvez querendo botar fogo no lixo da sala. Pensei que fosse presenciar a depressão estampada nos olhos de professores, que lutam por um jornalismo mais sério, dotado de cientificidade e teorias. Imaginei coordenadores de curso ou presidentes de sindicatos desabando em lágrimas, com olheiras pela falta de sono, fruto de uma preocupação sobre o futuro do jornalismo. Enganei-me, caros leitores. É claro que existe uma revolta por parte das pessoas que estão prestes a se formar, ou que se formaram recentemente no curso de Jornalismo. É como se, ao final de uma competição acirrada, seu adversário dissesse que estava deixando você ganhar o tempo todo. No calor do momento, influenciados negativamente pelas infelizes declarações de políticos que disseram besteiras ao defender seu voto pela não obrigatoriedade do diploma, os estudantes e os jovens jornalistas esbravejaram, falaram que gastaram dinheiro à toa durante quatro anos, que o Brasil exerce uma política do analfabetismo etc. Mas, passados alguns instantes, depois de alguns copos de água e de cerveja, o pessoal se acalmou. E digo o porquê: eles sabem, no fundo, que no mercado de trabalho pouca coisa vai mudar – quem é bom continuará tendo oportunidade e quem não é continuará comendo pelas beiradas. Sobre os economistas, historiadores, médicos e advogados que querem escrever no jornal, tenho certeza absoluta que se apontarão quando começarem a entender a regras do jogo da notícia. Não há duvidas que preferirão continuar mandando seus artigos de opinião, que é bem mais recompensador. Fabricar notícia é difícil, cansativo e estressante. Enche o saco escrever todos os dias o que as fontes oficiais dizem sem poder dar aquela pitada de opinião. Quem vai regular este mercado serão os próprios jornalistas formados, que se sujeitarão ou não a ganhar menos do que o piso. Eu, particularmente, acho que o jornalismo é, no mínimo, estressante em demasia para me sujeitar a ganhar menos do que o baixíssimo piso. Sendo assim, prefiro trabalhar numa biblioteca ou na roça com meus familiares. Não sou vidente, mas, daqui pra frente, prevejo melhorias no jornalismo brasileiro. Acredito que as redações ficarão menos elitizadas, mais críticas e com maior abertura para estagiários; que os sindicatos de jornalistas serão ainda mais atuantes; e que as faculdades ficarão melhores – talvez até não se preocupando tanto com o mercado de trabalho e sim com a produção de ciência e conhecimento em prol da sociedade. Não há o que temer, caros colegas jornalistas formandos ou formados. Adquirir conhecimento é sempre válido. Somente doenças, como o Alzheimer, ou uma lavagem cerebral, podem arrancar de nós o que aprendemos. Ética não se aprende em faculdade, eu sei, mas técnicas jornalísticas, teorias que nos dão muitas respostas para o que ocorre na prática e até experiência (já que na faculdade existem um monte de jornais laboratórios), isso sim a faculdade nos oferece. Uma possível disputa entre jornalistas não formados e formados é a mais completa imbecilidade que já vi. As provocações e as comemorações que fizeram alguns jornalistas não formados aqui em Maringá, a exemplo de um que, ao vivo na tevê, gesticulou com a famosa banana para as pessoas que buscam conhecimento nas faculdades de jornalismo, é a prova cabal de que ou ele tem um complexo de inferioridade para com os formados ou então que necessite, no mínimo, participar de algumas aulas do curso para aprender a se portar melhor diante das câmeras.
Crédito das imagens: http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/files/images/200%20anos%20de%20imprensa/Jornalismo%20sem%20pai%20e%20m%C3%A3e.jpg http://blogs.odiariomaringa.com.br/edsonlima/wp-content/uploads/2008/09/benedito1.jpg

3 comentários:

Anônimo disse...

concordo plenamente contigo.

não perdi quatro anos, ganhei conhecimento e isso ninguém tira de mim.

Diploma nunca fez nem nunca vai fazer um profissional - o que ele sabe, a experiência que ele tem e como ele usa o que aprendeu é que faz de fulano um profissional bom ou ruim, no jornalismo ou em qualquer outra área.

Não temo concorrer com quem sabe menos do que eu e quero muito aprender com quem sabe mais.

Meu único temor não tem a ver com novos jornalistas não diplomados, tem a ver com os empregadores e o desrespeito aos contratados,que já acontecia. Portanto, nenhum receio novo. O antigo só foi acentuado...

Brenda Caramaschi

Fabio Chiorino disse...

na dúvida, vou vender meu diploma num sebo. Tenho a sensação de que vai virar item de colecionador. Pode ser um bom investimento. Abraços, meu caro

Ana maria disse...

Estou formando o 2º grau e pretendo fazer jornalismo, fiquei idignada com o que as pessoas veem fazendo com essa profissão.!
onde está o valor da informação?
Escrever não é para quem quer e sim para quem pode,concerteza poderei me arrepender ou me gloriar por ainda optar em ser uma jornalista mas sempre terei a conciencia de que eu estarei fazendo uma coisa que eu realmente conheço e sem faculdade isso é impossivel, aos "jornalistas" amadores sinto dizer que estão se iludindo ao pensar que estão na vantagem porque sinceramente não estão!
Abraços !