quinta-feira, 25 de junho de 2009

Eu poderia...*

Wilame Prado Eu poderia, neste momento, estar comentando sobre a não obrigatoriedade do diploma de jornalista, já que estou no último ano da faculdade e, sinceramente, ainda não decidi se jogo ou não, simbolicamente, o canudo do curso no lixo, assim como muitos estão sugerindo. Acho que não jogarei porque conhecimento nunca é demais e, salvo exceções, como em lavagem cerebral ou em uma doença do tipo Alzheimer, ninguém poderá arrancar de mim. De qualquer forma, em meu blog (www.apoltrona.blogspot.com), publiquei um texto sobre o assunto. Hoje, poderia também estar trazendo aos simpáticos leitores um prolongamento da discussão sobre os flanelinhas em Maringá, já que na sexta-feira passada o colega e editor-chefe Milton Ravagnani publicou em sua nobre coluna um e-mail que lhe enviei sobre o assunto juntamente com sua resposta. Sem delongas, apenas agradeço a ele por estar contribuindo diariamente com a sociedade maringaense, levando aos leitores de O Diário sempre pontos de vista consistentes sobre o que está por trás das notícias de política e economia da cidade. Mas, ressalto: também sou contra os flanelinhas e fico com raiva quando sou praticamente obrigado a dar trocados a muitos deles, que, com certeza, devem ganhar mais dinheiro do que eu por mês. Dizem que a crônica tem por característica o humor. Numa tentativa vã de levar aos leitores um momento de descontração em meio ao sangue que escorre de páginas policiais ou ao descontentamento gerado nas páginas de política, poderia brincar um pouco mais escrevendo coisas engraçadas. Lá vai: eu poderia estar matando, roubando, estuprando, mas estou aqui, cronicando. Sim, eu sei. Não foi nenhum um pouco engraçado. Desculpem-me. Aliás, creio que se realmente tivesse de ficar fazendo piadinhas em crônicas para conquistar leitores, definitivamente teria alguma doença crônica. Essa foi boa? Também não, né? É que tem dia que a gente está para a piada, mas tem dia que nem o palhaço quer dar risada. Passei o final de semana inteiro tentando discorrer sobre assuntos mil para esta crônica e nada consegui. Um pressentimento ruim me impedia de finalizar um texto sequer. E na noite de domingo, recebi a notícia que talvez explique um pouco o agouro deprimente que tomou conta de mim: meu amigo Malwee, que inclusive já citei na crônica “Por uma rotina mais amena”, publicada dia 15 de julho de 2008, sofrera um acidente de moto e quebrara um dedo e a clavícula, além de ter quebrado uma das pernas em vários lugares. É por isso que digo: eu poderia estar escrevendo uma crônica, mas só consigo pensar no meu amigo, que me ligou, instantes depois, dizendo, já sob efeito de remédios, que fora a pior sensação da vida dele ter sofrido um acidente. Chorando, pedindo desculpas não sei bem o porquê, ele desligou o telefone. Poderia eu estar pensando em outro assunto? *Crônica publicada dia 23 de junho na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná

Um comentário:

Anônimo disse...

Força Cauhê!!! Estamos torcendo por sua recuperação.