terça-feira, 2 de junho de 2009

CCs da Câmara, a novela*

Wilame Prado Fiquei quieto durante duas semanas e não escrevi nada sobre as últimas notícias que pulularam em Maringá sobre o excesso de Cargos Comissionados (CCs) na Câmara Municipal de Maringá. Dizem que quem cala consente, mas este não é o meu caso. Às vezes, é preciso ter paciência para acompanhar os pormenores de um assunto tão complicado como este. Para ser bem sincero, aquietei-me nestes dias frios que se passaram justamente para aguardar decisões importantes, de pessoas importantes do município. Estou me referindo ao prefeito de Maringá, Silvio Barros, que teve a oportunidade de contribuir para que os anseios da população se tornassem realidade, mas que preferiu apenas devolver o projeto ridículo que autoriza a redução de 18 CCs sem dizer o que achava disso tudo. Sei que poderia ter me calado por mais algumas semanas, esperando o desfecho deste quiprocó vigente na Câmara dos vereadores. Mas, quando li a notícia de que o prefeito não omitiria opinião sobre assunto sério como este, senti os dedos coçarem e a folha branca do Word me chamar para escrever. O nosso prefeito perdeu a oportunidade de se consagrar nas páginas da história de Maringá como um político que atuou a favor do povo. Digo isso por ter certeza absoluta de que o ato legítimo das mais de 40 entidades do município, pedindo ao prefeito para que vetasse ou devolvesse o projetinho sem-vergonha, ficará marcado como o dia em que os maringaenses resolveram lutar contra a baixaria existente no cenário político do município. Fosse eu – este pobre cronista – prefeito de Maringá, faria até uma homenagem às entidades que se mostraram preocupadas com as decisões dos vereadores. Sem titubear, vetaria o projeto bizarro e ainda apoiaria o projeto mais justo, seguindo o estudo feito por cinco vereadores, que aponta o excesso de mais de 70 cargos na Câmara. Muitos, ao ler o parágrafo acima, estão, neste momento, chamando-me de ingênuo, eu sei. Porém, muitos também devem ter desdenhado das entidades que resolveram se unir para emitir um documento ao prefeito pedindo decisões sérias sobre essa farra de cargos existentes no município. Mas, já que o prefeito acha que os assuntos da Câmara (leia-se: o mau uso do dinheiro público) devem ser tratados internamente, nos resta agora aguardar os últimos capítulos da novela dos CCs e torcer para que o terceiro projeto sugerido – o de aumentar para quase R$ 13 mil a verba de gabinete dos vereadores – não seja aprovado. Aproveito para dar os parabéns aos que estão lutando a favor do bom uso do dinheiro público, torcendo para que esta prática se torne frequente em Maringá, oxalá no Brasil todo. Continuemos unidos, maringaenses, tendo a consciência de que, infelizmente, temos de lutar contra os que deveriam estar vestindo a nossa camisa – os políticos. *Crônica publicada dia 2 de junho na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná

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