terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Descoberta do ano*

Wilame Prado Um amigo me liga para combinar algo. Digo a ele que tudo bem, mas, antes de qualquer compromisso, obrigo-me a dizer a boa nova, a revelação, a descoberta do ano. Conto a ele que, finalmente, descobri o valor de um meio de comunicação chamado televisão. É isso mesmo, caros leitores. Eu, que já critiquei nem uma, nem duas, mas várias vezes determinados programas televisivos, finalmente descobri bons canais e excelentes programas na tevê. No canal Futura, por exemplo, assisti a uma reportagem sobre Chico Mendes (grande defensor e representante dos humildes seringueiros), que morreu há 20 anos assassinado em sua própria casa, no município de Xapuri. Esse homem já deu muito trabalho aos grandes fazendeiros gananciosos do Acre. Na reportagem, o grande escritor Zuenir Ventura diz que Mendes foi um herói, pois, com sua morte, grande parte do que idealizava e queria para o Acre está acontecendo atualmente. Além do canal Futura, virei fã de carteirinha dos canais TV Brasil, TV Senado, NBR – a TV do Governo Federal e, obviamente, do canal Cultura, conhecido meu desde quando era criança, época em que assistia ao programa infantil “Rá-tim-bum”. Navegando com o controle em mãos por esses canais, assisti a um programa de entrevistas com especialistas em direitos humanos e segurança pública, conheci um pouco da história de cada um dos integrantes da Sinfônica de Heliopólis (uma das maiores favelas do mundo, localizada em São Paulo) e muito mais. Adquirir conhecimento por meio da tevê é fácil, pois a informação vem pronta, restando ao receptor filtrar, apurar e tirar suas conclusões. Além do que, é bom ficar antenado na televisão quando a programação não está recheada de entretenimento barato e mal feito e de novelas e jornais tendenciosos, que gritam para os telespectadores: "estou te manipulando, trouxa". Foi uma pena ter descoberto essa jóia rara em meio ao mar de merda que é a grade de programação dos principais canais da tevê aberta deste País - os únicos disponíveis no apartamento onde moro. Leitores mais informados irão me dizer que tudo o que eu vi naqueles canais sintonizados graças à parabólica da minha mãe é pouco se comparado aos zilhões de canais da tevê a cabo. Mas isso é para uma outra descoberta, para uma outra crônica, para um próximo ano. Talvez para 2009, quem sabe, quando tentarei assinar um pacote de canais. Pois, ficar ouvindo que "hoje, é um novo dia, de um novo tempo, que começou; nesses novos dias, as alegrias serão de todos, é só querer; todos os nossos sonhos, serão verdade; o futuro, já começou; blábláblá", sem chances. *Crônica publicada dia 30 de dezembro de 2008 na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná
Crédito da imagem: http://www.campusred.net/telos/admin/imagenrevista/Niimura4_ilustra.jpg

Um comentário:

Fabio Chiorino disse...

excelente. Até porque você fez o contraponto. Ou seja, todo mundo diz que não existe vida sem TV a cabo e você, com faro joranlístico, acompanhou e relatou bons programas em canais que ficam escondidos na própria TV aberta. E, por favor, não queime nem rasgue a poltrona. Apesar da cor, ela está longe de entrar em estado de luto. Abraços, cara. E um 2009 longo para o blog