terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Previsões futebolísticas*

Wilame Prado Você está começando a ler uma crônica que foi escrita no dia 7 de dezembro, 10h15. Sobre o motivo de eu estar escrevendo antecipadamente, daqui a pouco explicarei. Estou acordado nesta manhã de domingo, pois é regada de especiarias sensitivas, do tipo sol quente e feliz, que me faz lembrar dos moleques soltando pipas em parques de São Paulo, brisa refrescante, que me faz lembrar dos banquinhos e da ciclovia de Santos, e cheiro de frango assado da vizinha, que me faz lembrar dos almoços dominicais com a família reunida. Deixando a nostalgia de lado, sei que logo mais, às 17h, grande parte dos brasileiros, principalmente homens, estará vidrada na tevê, acompanhando a última rodada do Campeonato Brasileiro de futebol. E, como o caro leitor pôde descobrir, neste mesmo espaço semana passada, este cronista que vos escreve é um declarado torcedor do São Paulo Futebol Clube – torço sempre para que perca. Agora sim, vou explicar o prometido. Escrevo esta crônica na manhã de domingo para anunciar um dom raro que tenho: sou vidente. E, em minhas visões anuviadas do futuro próximo, pude conhecer antecipadamente o campeão nacional deste ano. Por enquanto (embora todos já devam estar sabendo quem ganhou o campeonato porque estão lendo este texto, no mínimo, dois dias depois de domingo), só posso adiantar, por meio de minhas visões, que a camisa do time é composta por três cores diferentes, ou seja, é um verdadeiro tricolor. Paro de escrever por aqui, pois enxergar o futuro me deixa fatigado e com fome. Já são 12h. Vou almoçar macarrão instantâneo sentindo o cheiro de churrasco de outro vizinho. Quando terminar os jogos da última rodada do Brasileirão, volto a escrever. Olá, voltei. São 19h10 e constatei, com o apito final do juiz que foi escalado de última hora para apitar o jogo entre Goiás e São Paulo, que minhas previsões e bruxarias foram infelizes. Antes de sofrer um baque com a derrota do chocho time esmeraldino, fiquei a me imaginar, mesmo sendo santista, comemorando o título do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense no Estádio Olímpico, assim como o pai de um amigo meu (morador de Palmas-PR), que viajou de ônibus a madrugada inteira para acompanhar a partida na capital gaúcha, pensou que ia fazer logo depois da vitória do seu time contra o Atlético Mineiro. Outra visão para o futuro: nesta semana, muitos chegarão em seus locais de trabalho tendo de agüentar o sarro de são-paulinos, pois torcer para este time está na moda e em todo lugar se encontra um deles. Certo é que, este ano, o circo foi embora, ou melhor, o futebol acabou. Em 2009, com minhas previsões, embora errôneas, tenho pelo menos uma certeza: será um ano ainda mais sofrido para aquele que, assim como eu, torcem para que os times rivais percam. O Sport Club Corinthians Paulista vem aí. *Crônica publicada dia 9 de dezembro na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná
Crédito da imagem: http://ojornaldahiena.files.wordpress.com/2007/11/bola_de_cristal1.jpg

Eu já sabia*

Wilame Prado Você está começando a ler uma crônica que foi escrita no dia 7 de dezembro, 10h15. Sobre o motivo de eu estar escrevendo antecipadamente, daqui a pouco explicarei. Estou acordado nesta manhã de domingo, um dos melhores momentos para se exercer a função de escriba, porque, para mim, a manhã do primeiro dia da semana, que é separado por uma linha tênue entre o prazer do lazer e do descanso com a depressão pré-segunda-feira, afetada principalmente pela audição das chamadas do Faustão e do Fantástico, é regada de especiarias sensitivas, do tipo sol quente e feliz, que me faz lembrar dos moleques soltando pipas em parques de São Paulo, brisa refrescante, que me faz lembrar dos banquinhos e da ciclovia de Santos, e cheiro de frango assado da vizinha, que me faz lembrar dos almoços dominicais com a família reunida. Pois bem. Sei que logo mais, às 17h, grande parte dos brasileiros, principalmente homens, estará vidrada na tevê, acompanhando a última rodada do Campeonato Brasileiro de futebol. E, como o caro leitor pôde descobrir, neste mesmo espaço semana passada, este cronista que vos escreve é um declarado torcedor do São Paulo Futebol Clube – torço sempre para que perca. Portanto, escrevo adiantadamente neste domingo, agora já são 11h05, para dizer que tenho um dom raro: sou vidente. E, em minhas visões anuviadas do futuro próximo, pude conhecer antecipadamente o campeão nacional deste ano. Por enquanto (embora todos já devam estar sabendo quem ganhou o campeonato porque estão lendo este texto, no mínimo, dois dias depois de domingo), só posso adiantar, por meio de minhas visões, que a camisa do louvado time é composta por três cores diferentes, ou seja, é um verdadeiro tricolor. Paro de escrever por aqui, pois enxergar o futuro me deixou fatigado e com fome. Já são 12h. Vou almoçar macarrão instantâneo sentindo o cheiro de churrasco de outro vizinho. Quando terminar os jogos da última rodada do Brasileirão, volto a escrever. Olá, voltei, tudo bem? São 19h10 e muitas pessoas estão comemorando o título do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Neste momento, mesmo sendo santista, queria estar no Estádio Olímpico, assim como o pai de um amigo meu, morador de Palmas-PR, que viajou de ônibus a madrugada inteira para acompanhar a partida na capital gaúcha. Se isso fosse possível, ficaria junto da torcida Geral do Grêmio (Alma Castelhana), levantaria um cartaz com os dizeres "Eu Já Sabia – Maringá", pediria para que me avisassem por telefone quando a emissora de tevê estivesse me filmando e mandaria um abraço ao meu sogro, são-paulino doente. *Crônica que fiz convicto de que o Grêmio seria o Campeão Nacional deste ano
Crédito da imagem: http://elt0n.files.wordpress.com/2007/05/20051126-gremio.jpg