terça-feira, 7 de outubro de 2008

A batalha das cores*

Wilame Prado Parecem torcidas rivais em um estádio de futebol. De um lado, os azuis, e de outro, os amarelos. Rixa antiga em Santa Fé, os simpatizantes do PMDB (15) e do PSDB (45) travam verdadeiras batalhas em anos de política. E nestas eleições, não poderia ser diferente. No sábado de tarde, em meio a bandeiras das duas cores e infinitos carros e pessoas desfilando na avenida principal, uma briga com direito a facadas deu o pontapé inicial para um fim de semana que prometia muitas loucuras praticadas por fanáticos vestidos de azul ou de amarelo. A madrugada do sábado para domingo foi de aventuranças no breu. Como de costume, candidatos e simpatizantes ficaram rodando pelas ruas da cidade na tentativa de flagrar possíveis compras de votos por meio de cestas básicas ou de dinheiro. Antes de iniciar a votação, lá pelas 7h15, o movimento em frente aos colégios já era grande. Essas pessoas, engajadas politicamente, não querem perder um minuto sequer deste dia que, de goleada, é mais importante para elas do que final de Copa do Mundo entre Brasil e Argentina. Nem bem os portões se abriram, confusão por entre os corredores do colégio: ex-primeira dama da cidade tomou uma copada de água na cara de um irmão do candidato rival. Dizem que o jeito foi enjaular o homem que, caso realmente tenha sido preso, pôde ao menos conversar com um compadre detido anteriormente por entregar santinhos de candidatos a vereador e prefeito. Pela tarde, ainda teve gente rolando no meio do asfalto e trocando socos e pontapés, tudo pelo amor à camisa, amarela ou azul. No final de toda essa loucura, apenas a certeza de que um voto pode sim fazer a diferença. Em 2004, por apenas 23 votos, os azuis assumiram a prefeitura. Nesta eleição, reelegeram-se pela diferença de 86 votos. A maioria das pessoas envolvidas nesta briga de partidos não vai ganhar absolutamente nada com isso. Sem nem saber direito a razão, muitos seguram bandeiras, gritam e provocam as pessoas que torcem pelo candidato rival. No outro dia, com camisa azul, amarela, roxa ou laranja, vai ter de trabalhar do mesmo jeito para pagar as contas no açougue e no mercado. Mesmo com tantas brigas desnecessárias, assim é melhor. Quando realmente existe a competição entre candidatos (o que não ocorre em muitos municípios) a população só tem a ganhar. Pois, pressupõe-se que, sabendo do quanto é difícil ser eleito, os vencedores darão mais valor ao cargo e representarão o povo da melhor maneira possível. Bom será se todos tiverem o mesmo entusiasmo das pré-eleições para cobrar o que foi prometido no palanque. Assim, então, definitivamente, a democracia vai acontecer de verdade na pequena cidade de Santa Fé. *Crônica publicada dia 7 de outubro no jornal O Diário do Norte do Paraná, na coluna Crônico