segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O baque do tombo*

Wilame Prado
O fim de tarde da sexta-feira é o horário impactante entre o término de mais uma semana de trabalho e o início do período de descanso. Talvez seja por isso que o tumulto reine na zona urbana de Maringá e que, pela pressa de voltar para casa, terminar de vez o expediente ou ir para um bar tomar cerveja com amigos, carros e motocicletas em movimento se choquem por entre semáforos, cruzamentos e avenidas. Nesta última sexta-feira, neste horário truculento, presenciei uma dessas desastrosas colisões, ocorrida no cruzamento da Avenida Kubitscheck com a Gurucaia, próximo ao Parque do Ingá. O motociclista, tentando ultrapassar pela direita, foi fechado pelo motorista de um carro. Drasticamente, moto e ser humano foram arremessados ao asfalto quente, áspero e duro. No ar de sua loucura instantânea, causada provavelmente pelo enorme susto, o motociclista corria de um lado para o outro, olhava a moto estilhaçada e erguia os braços aos céus, nem se dando conta de que estava todo machucado e abalado psicologicamente. Bastaram algumas pessoas prestar socorro para que o pobre ferido desmaiasse de vez e fosse, mais uma vez, ao chão. Após ligeiros dois minutos presenciando este fato infeliz, o sinal abriu e tive de seguir o meu caminho. Fui comer um cachorro-quente na Cerro Azul e levar a garota ao cursinho preparatório para concursos públicos. Voltei para casa e, na internet, li a notícia de que finalmente haviam divulgado uma pesquisa de intenções de votos apontando as preferências de alguns eleitores sobre os candidatos a prefeito de Maringá. Pelo meu parecer (caso esta campanha não seja mais do que um jogo de comadres), os candidatos concorrentes do atual prefeito devem ter tomado um baque com o resultado da pesquisa - uma sensação parecida com a do motociclista que caiu na rua e que, por isso, ficou alguns minutos sem norte. Os investimentos em propaganda, as metas de campanha não alcançadas e outros porquês do péssimo resultado na pesquisa devem estar martelando a cabeça dos prefeituráveis que ainda acreditam no segundo turno. Antes que os simpatizantes por candidato a ou b joguem tomates em mim, utilizo-me do que escreveu o editor-chefe deste jornal, Milton Ravagnani, no último domingo (28/09): “Pesquisa é pesquisa, e só mostra um instante da campanha. É como uma fotografia do momento da coleta das informações.” Mesmo assim, volto a falar sobre os candidatos a prefeito que não atingiram boas marcas na pesquisa. Estariam realmente interessados na vitória ou, na verdade, querem continuar com seus atuais e estabilizados cargos políticos? Estariam pensando em um futuro de sucesso garantido, lá para 2012? Realmente fizeram o possível nas campanhas políticas (fraquíssimas, diga-se de passagem) ou, igual quando se desabotoa a calça depois de comer aquela feijoada no domingo, literalmente afrouxaram? E por falar em refeição, nada como chupar algumas laranjas depois da feijoada para fazer uma boa digestão. *Parte desta crônica publicada dia 30 de setembro no jornal O Diário do Norte do Paraná, na coluna Crônico
Crédito da imagem: http://www.urbal.piracicaba.sp.gov.br/meta4/levantamentodea%E7%F5es/feijoada.jpg