quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A memória do 11 de setembro*

Wilame Prado Era uma terça-feira comum. Logo pela manhã, um sol agradável batia nas janelas da sala de aula, no colégio Gastão Vidigal. Eu e meus amigos estávamos divididos entre assistir uma aula chata de Química, com uma professora esquisita, ou, como era de costume, matar aula e ir andando até uma padaria próxima ao Colégio Nobel, só para comer as famosas baguetes de frango que vendiam por lá, acompanhadas de cocas-cola daquelas com embalagens de vidro, bem geladas. A fome falou mais alto do que os alcalóides e os grupos de carbono. De barriga cheia, nos dirigimos ao ônibus fretado, que mais tarde nos levaria de volta para Santa Fé, cidade próxima de Maringá. Ainda demoraria pelo menos mais uma hora para dar o horário da saída, por isso, e como também era de costume, estávamos já arrumando o baralho para jogar truco com o Cidão, motorista do ônibus. Mas, as imagens transmitidas pela televisãozinha do ônibus fizeram com que as deliciosas baguetes de frango se transformassem em indisposição intestinal. Parecia filme, mas era, na verdade, o plantão de notícias da Globo mostrando um prédio altíssimo, lá nos Estados Unidos, desabando. Tinha um menino dentro do ônibus, desesperado, dizendo que, com certeza, aquilo seria o início da 3ª Guerra Mundial. Mais tarde, descobri que estava assistindo, ao vivo, ao ataque nas torres gêmeas, o famoso Desastre de 11 de setembro. E hoje, nesta crônica, lembrando que na quinta-feira passada completaram-se sete anos desse dia terrível, em que mais de 3.000 pessoas morreram, venho a refletir sobre nossa posição neste mundo como agentes sociais, transformadores e gerentes dos fatos históricos. O desastre de 11 de setembro será matéria da prova de História para muita gente, durante sabe-se lá quantos anos. Talvez, até no dia em que os arquivos audiovisuais das tevês serem queimados e novos historiadores dizerem que tudo não passou de uma lenda. O fato é que presenciamos e fazemos parte deste desastre marcante, ocorrido nos Estados Unidos, pois, invariavelmente, o mundo todo sofreu as conseqüências com a ira de Bush e seus comparsas, na suposta luta imbecil contra o terrorismo. Talvez, na época, por ser ainda um adolescente meio voado, minha maior preocupação era simplesmente com a partida de truco adiada. E, junto da incrível imagem daquelas torres infinitas indo ao chão, em minha mente, a azia daquela baguete de frango e o garoto desesperado anunciando a 3ª Guerra Mundial são lembranças que não irão se apagar tão cedo. Mas, e você? Já parou para pensar o que estava fazendo justamente no momento em que a soberania norte-americana foi abalada com o desabamento das torres? *Crônica publicada dia 16 de setembro na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná Crédito da imagem: http://www.tms.org/pubs/journals/JOM/0112/Eagar/fig1.gif