sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O dia em que Maringá virou praia*

Wilame Prado Sabe o Robinho, aquele jogador que marcou um dos três gols do Brasil contra o Chile no último domingo, que pedalou incrivelmente oito vezes para cima do lateral Rogério do Corinthians na final do Brasileirão de 2002 e que, depois de Pelé, é o maior ídolo do alvinegro praiano? Pois é. Ele já jogou em terras, ou melhor, em gramados maringaenses, no estádio Willie Davids. Foi um domingo de sol forte e pouco vento, dia 7 de agosto de 2005. Na época, ainda morava na pequena Santa Fé, distante uns 50 quilômetros de Maringá. Com amigos, alguns santistas, outros apenas apreciadores do bom futebol santista, enfrentamos um início de trânsito na Colombo e nos assustamos, afinal, era apenas um Santos x Paraná. Os bares ao lado estavam lotados, e muitas crianças, jovens e idosos, a maioria vestindo o manto branco sagrado, caminhavam rumo aos portões de entrada, por entre vendedores ambulantes de faixas, bandeiras e camisas falsificadas. Para tomar uma cerveja, era preciso colocar no copão e deixar o casco no boteco. Parecia dia de vestibular da UEM quando beber ainda permitido, sem lei seca na Zona 07. Como foi boa a sensação de saber que todos ao seu lado torciam pelo mesmo time. A paz, representada pelo branco das bandeiras e pelo amarelo das bexigas, era um estado de espírito em comum para a nação santista. Naquele dia, Maringá virou praia e a impressão era de que, um pouco mais para frente do estádio, assim como na Vila Belmiro, iríamos encontrar o mar de Santos, mais ou menos onde fica a avenida Brasil. Já dentro do estádio, a emoção foi grande de saber que houve recorde de público, superando as torcidas de Corinthians e São Paulo, que também jogaram no Willie Davids contra o time da capital paraense. Não foi fácil ficar no sol uma hora e meia antes de começar a partida e mais duas horas até o seu final. O jeito era se distrair cantando junto da Torcida Jovem os poucos hinos ensaiados. Quando a voz acabava, as palmas contribuíam. O menino Robinho também não estava gostando daquele verão fora de época em pleno interior do Paraná. O danado não jogou tudo o que sabia naquele dia, que seria seu último jogo com a camisa do Santos, depois de ser transferido para o Real Madrid. O camisa 7 ficou grande parte do jogo em uma sombra, que encobria uns 30% do gramado, com as mãos na cintura, esperando um contra-ataque. O alvinegro praiano sofreu para arrancar um empate contra o Paraná. Com passe de Robinho, aos seis minutos do segundo tempo, o “vovô” Basílio foi quem conseguiu desentalar da garganta de vinte mil santistas o grito de gol. Pena que, atualmente, esta simples palavra, com apenas três letras, tem sido gritada muito raramente pelos santistas, e, em quase todas as vezes, acompanhada com o nome de um dos únicos bons jogadores do elenco: Kléber Pereira. Diferentemente dos tempos áureos de “Diego toca a bola, Robinho deita e rola”, hoje o Santos luta para não sofrer o rebaixamento. Nas últimas rodadas, respirou um pouco, mas o grande desafio será manter o ritmo bom de jogo que vem apresentando nas partidas. Hoje, o menino que jogava bola na praia, e que sonhava um dia ser igual ao ídolo Pelé, ganha milhões, já é pai e continua dando alegria, só que com os gols vestindo a camisa amarela da Seleção Brasileira. O engraçado é que, mesmo estando longe, o grande craque Robinho parece ter dado uma tremenda força para que o Santos não jogue a segunda divisão do Campeonato Brasileiro ano que vem. Com sua transferência para o Manchester City, alguns milhões de dólares entrarão na conta do clube, que não sofrerá com falta de dinheiro por ter recusado as propostas de vendas dos jogadores Kléber, Rodrigo Brum e Fabiano Eller, peças importantes no elenco atual. Quando for bem mais velho, Robinho, já barrigudo e com vários casos polêmicos relatados na imprensa, voltará a vestir a linda camisa branca que o consagrou como grande jogador de futebol e se orgulhará em dizer que o clube de seu coração, o glorioso alvinegro praiano, ao contrário da maioria dos rivais, ainda não caiu para a segundona. *Parte desta crônica publicada no jornal O Diário do Norte do Paraná, dia 9 de setembro, na coluna Crônico
Crédito da imagem: http://www.gazetaesportiva.net/entrevista/futebol/imagens/ent147_robinho.jpg

2º lugar em IV Concurso Nacional de Contos de Cordeiro

Acabo de receber a notícia, via e-mail, que fiquei em segundo lugar no Concurso de Contos de Cordeiro Troféu Machado de Assis. O conto medalhista de prata se chama Charlene Flanders, que voava em seu guarda-chuva roxo, mudou minha vida. Em breve, publico o conto aqui no blog. Com este conto, também ganhei uma menção honrosa no Concurso de Literatura Vitavision, que prometeu publicá-lo em livro com outros contos. Para quem quiser conferir os demais ganhadores, acesse aqui.

"Baladas" podem fazer mal, dizem médicos*

Jovem que diz consumir álcool desde os 9 anos e drogas desde os 17, afirma que com 12 já ia às danceterias

Na imagem, litro de pinga tatuado no rosto de usuário de drogas

Wilame Prado

Freqüentar casas noturnas é uma das maneiras que diversos jovens têm de buscar diversão. Podem dançar, ouvir música, reencontrar amigos e até paquerar, sem necessariamente prejudicar a saúde. Mas o uso de drogas, bebidas alcoólicas e cigarros, hábitos comuns em "baladas", compromete a saúde desses jovens, que inclusive correm risco de sofrer danos irreversíveis. É o que explica a psiquiatra Ingrid Bayer Marcantonio: "Com o constante uso de drogas e bebidas alcoólicas, o cérebro pode atrofiar em razão da morte neuronal, prejudicando a capacidade de raciocinar e memorizar da pessoa". De acordo com a psiquiatra, o fato de o jovem ver outras pessoas consumindo drogas e bebidas alcoólicas pode influenciá-lo a usar também. "Aqui em meu consultório tenho diversos casos de jovens que começaram a usar drogas ou a beber em casas noturnas. O meio pode favorecer esse uso, mas não é só isso. A predisposição genética e a personalidade de cada um também influenciam bastante", argumenta. O uso do cigarro também é comum em casas noturnas e acaba prejudicando não apenas o fumante, mas também quem está próximo dele. A médica pneumologista Adriane Mesquita Petruco conta que é comum receber em seu consultório jovens se queixando de problemas respiratórios depois de ter freqüentado uma "balada". "Na maioria das vezes, os jovens já têm um histórico de problemas respiratórios, mas quando vão a uma casa noturna passam muito mal. Os sintomas geralmente são ataques de asma, rinite, nariz trancado ou escorrendo, tosse e peito chiado." Na opinião da pneumologista, os tabagistas acabam fumando em maior quantidade em casas noturnas, e os que não fumam podem ser influenciados a experimentar o cigarro. "Na roda de amigos, com o bate-papo e com o consumo de bebidas alcoólicas, o tabagista acaba fumando mais do que o de costume. E o que não fuma, vendo outras pessoas fumarem, e muitas vezes convidado a experimentar, também não resiste." N.P.D tem 19 anos e faz Comunicação Social na Universidade Estadual de Londrina. Ela conta que pelo menos duas vezes por semana freqüenta casas noturnas, mas nem por isso fuma ou usa drogas. "Na minha turma de amigos, ninguém usa drogas e poucas pessoas fumam. Agora, bebida alcoólica sempre rola, principalmente caipirinha, vodka e cerveja. Às vezes fico de ressaca, mas o pior mesmo é ter de enfrentar o sono no outro dia." P.F.S, 25, usa drogas há oito anos e consome bebidas alcoólicas desde os 9 anos de idade. O jovem, que atualmente não trabalha e nem estuda em razão de ter sido preso por três vezes, revela que é um assíduo freqüentador de "baladas" desde os 12 anos, quando ainda tinha de ir às matinês para menores. "Sou alcoólatra e gosto de fumar meus baseados por aí. Só consumo ácido e êxtase em baladas, pois os movimentos ficam sem noção e as pessoas no dia-a-dia podem perceber", conta P.F.S, que diz já sentir alguns malefícios das drogas, como dores no corpo quando não fuma crack e nervosismo quando fica sem beber por mais de um dia. O jovem diz estar tentando parar de usar drogas, mas confessa ser muito difícil. "Freqüento o Narcóticos Anônimos e pretendo um dia abandonar as drogas, mas é complicado. Não as recomendo para ninguém, principalmente o crack que, na minha opinião, veio para destruir o mundo."

*Matéria publicada no jornal Matéria Prima ano passado