sábado, 16 de agosto de 2008

Jogue a tevê no mato e ligue o rádio na 94,3 fm

Bom dia a todos, caros leitores. Gostaria de ressaltar aqui, neste humilde blog, que neste exato momento está rolando o RUC Revista, na 94,3 fm. É bem bacana o programa, os âncoras dialogam ao vivo, trazem entrevistas ao vivo, matérias produzidas por alunos de jornalismo e vários quadros. Lembrando que minhas crônicas estão por lá também. Liguem o rádio, afinal, o Brasil já ganhou de Camarões e, vamos dizer a verdade, Olimpíada já enjoou. Bom final de semana!

Bienal*

Desmaterializando a obra de arte no fim do milênio

Faço um quadro com moléculas de hidrogênio

Fios de pentelho de um velho armênio

Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta

Teu conceito parece, à primeira vista,

Um barrococó figurativo neo-expressionista

Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista

Caucado da revalorização da natureza morta

Minha mãe certa vez disse-me um dia,

Vendo minha obra exposta na galeria,

"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da gia

E muito mais feio que um hipopótamo insone"

Pra entender um trabalho tão moderno

É preciso ler o segundo caderno,

Calcular o produto bruto interno,

Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,

Rodopiando na fúria do ciclone,

Reinvento o céu e o inferno

Minha mãe não entendeu o subtexto

Da arte desmaterializada no presente contexto

Reciclando o lixo lá do cesto

Chego a um resultado estético bacana

Com a graça de Deus e Basquiat

Nova York, me espere que eu vou já

Picharei com dendê de vatapá

Uma psicodélica baiana

Misturarei anáguas de viúva

Com tampinhas de pepsi e fanta uva

Um penico com água da última chuva,

Ampolas de injeção de penicilina

Desmaterializando a matéria

Com a arte pulsando na artéria

Boto fogo no gelo da Sibéria

Faço até cair neve em Teresina

Com o clarão do raio da siribrina

Desintegro o poder da bactéria

Com o clarão do raio da siribrina

Desintegro o poder da bactéria

*Música de Zeca Balero