terça-feira, 8 de julho de 2008

Seis meses sentados na Poltrona

Wilame Prado Certo dia, deu-me aquela vontade de se expressar por meio de palavras. Idos 2004, acho. Lembro-me que, carente de idéias, conceito e gramática, simplesmente relatei uma noite aprazível que passei com amigos no boteco. Mais tarde, viria a ser meu primeiro conto: Charutos. De lá para cá, não parei mais de escrever. E percebi que, a cada dia vivido, e a cada releitura do que havia escrito outrora, na verdade, sentia que poderia ter escrito melhor. Este é um caminho que as pessoas que gostam de escrever têm de passar, e talvez eternamente: a auto-cobrança; a busca pelo texto perfeito, que agrade aos críticos e aos leigos. A cada nascer do sol, percebo que Georges de Simenon (1903-1989) estava certo ao afirmar: “...Escrever não é uma profissão, mas uma vocação para a infelicidade." Por raros momentos, o escritor fica feliz quando gera um texto, ao ver seu nome logo acima, em de repente saber que pessoas leram e gostaram, ou odiaram, mas, tudo passa, tudo passará... Logo vem a necessidade, quase que vital, de escrever outro texto e assim ir vivendo, nunca satisfeito. Com esse novo meio de comunicação chamado blog, do qual tive o prazer de conhecer e poder desfrutá-lo, nossos textos, ainda que superficialmente, ganham um espaço interativo e interessante. Embora não atualize o blog freneticamente, tampouco respeito os gostos dos internautas, que preferem a objetividade, o sucinto, o que não cansa as vistas e nem dá dor nas costas, continuo tocando esse barco; continuo sentindo prazer em acessar o blog e ver que alguém comentou o texto; continuo tendo prazer de visitar os caros amigos que também seguem na empreitada na blogosfera; simplesmente, continuo... E, se escrevi esse monte de merda acima, foi unicamente para anunciar que hoje faz seis meses que o blog A Poltrona foi inaugurado. Lembro-me daquele 8 de janeiro sem graça, de férias, sem amigo e sem mulher, sem cerveja e sem cigarro por perto, até mesmo sem vento, sem sol e sem chuva lá fora, que decidi abrir o blog, como se abre um bar. Até hoje me debato com a labuta na diagramação, arte que não foi feita para mim. Pudesse eu, escreveria somente e disponibilizaria para alguém mais capacitado ir tocando os htmls, as imagens, as atualizações, enfim. Talvez este seja o post de número 106, creio. Pouco para seis meses. Uma média de menos de 5 postagens por semana. Mas, devo dizer, caros leitores, que sinto muito carinho por esses apanhados de textos escritos neste espaço. Maior carinho sinto pelas pessoas que perdem seu precioso tempo vindo sentar-se nesta poltrona velha, barata, mas de muito conforto, espero.