sexta-feira, 7 de março de 2008

Somos todos iguais - mas uns mais iguais do que outros

Wilame Prado

Seja rico ou pobre, negro ou branco, amarelo ou rosa, todos nós somos iguais. Temos vontades e desejos, desmotivações e depressões. A única coisa que muda é o modo como isso vai ocorrer. Porém, alguns, diferentemente, são imortais.

Sexo – Uns transam com as suas secretárias ou funcionárias de menores escalões da empresa; outros transam com suas patroas que estão deprimidas por descobrir que os maridos a traem com a secretária.

Alcoolismo – Uns, ao final de mais um dia cheio de trabalho na empresa, vai com os amigos tomar chope e pagar 10% a mais para o garçom servir; outros, aglomeram-se no bar do bairro, quanto mais sujo melhor é o bar, e pedem da cerveja mais barata, não sem antes tomar um rabo-de-galo ou uma branquinha.

Ambição – Uns acreditam que ainda terão sua empresa própria; outros sonham que ainda vão ter sua casa própria; uns apostam absurdos em corridas de cavalo; outros freqüentemente apostam no jogo do bicho. Mas no fundo, todos fizeram sua fezinha quando a mega-sena acumulou.

Casamento – Uns casam dizendo ‘eu te amo’ muitas vezes à parceira; outros também. Ambos não entendem como diziam tantas besteiras quando eram jovens.

Filhos – Uns cuidam freneticamente e dão do bom e do melhor para a criança; outros, a partir do momento em que o piá sai da barriga, assinam a carta de alforria e o libera para desfrutar de todas as coisas boas e más do mundo.

Depressão – Uns ficam deprimidos porque seu amigo da empresa foi promovido a supervisor ao invés dele; outros ficam deprimidos porque o pai bêbado matou a mãe e a irmã, e logo depois se suicidou.

Prisão – Uns são presos porque roubaram milhões em cofres públicos, embora fiquem em regime semi-aberto; outros são presos porque roubaram um pedaço de bolo na padaria e amargam uns tempos na cadeia.

Leituras – Uns lêem com muito tesão livros de auto-ajuda e se declaram livres dos problemas cotidianos; outros lêem Cervantes, García Márquez e Saramago e descobrem o quanto são ignorantes e o quanto ainda precisam ler; outros, ainda, não lêem, dão uma folheada na Veja e pensam que têm opinião formada.

Filmes – Uns assistem todos os lançamentos da locadora mais próxima de casa, se acham entendidos de cinema e ainda se orgulham em dizer que viram a trilogia Matrix e Senhor dos Anéis inteiras, embora não tenham entendido nada dos filmes; outros procuram em todas as locadoras da cidade a meia dúzia de filmes intitulados como alternativos, tão alternativos que, muitos nunca viram, fazem estudos densos em comunidades de internet, bem como sites do filme, para depois discutir com outros lunáticos adoradores do mesmo filme. Ambos, no fundo, assistem filmes para contar aos outros que assistiram.

Música – Uns ouvem os cd´s da trilha sonora das novelas das oito; outros ouvem o funk da égua pocotó ou aquela música que diz sobre uma festa no ap e são felizes; outros são alternativos, ouvem músicas com muitíssima qualidade, mas diferentes do que a sociedade comum está acostumada a ouvir. O único porém é que tem tanta gente aderindo ao grupo ‘alternativo’ que, na verdade, a música alternativa virou popular.

Morte – Quase todos morrem. Uns vão a sete palmos debaixo da terra; outros viram cinzas; outros, ainda, auxiliam na aula de anatomia da faculdade com o seu corpo cheio de formol; têm uns que vão para o Espaço para nunca mais voltar; mas, poucos são imortais. Os imortais são lembrados gerações após gerações, ou por serem gênios, por serem salvadores, ou por serem dizimadores de humanos. Portanto, se você quer ser imortal e se diferenciar dos reles aqui da Terra, escreva alguma obra clássica, talvez do tipo Guerra e Paz, ou opte pelo caminho mais curto da eternidade: extermine milhares de pessoas como fez Hitler ou Bush.

Crédito da imagem: http://ihatehate.files.wordpress.com/2007/07/bush-as-hitler.jpg