quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Sobre a sustentabilidade do regime requiônico

José Aparecido Fiori (*)

Apague este spot light! A polêmica requiônica se o governador do Paraná deve fazer uso, Jornalístico que sim, "político" que não, da TV Educativa, apimenta o indigesto jabá já salgado de se deglutir por essas podres bandas da República das Araucárias. Se os holofotes da Globo podem "decidir" algum pleito, como se diz à boca miúda e graúda, insinuando que o governador Requião (PMDB) já teria sido reeleito num primeiro turno, contra seu forte adversário, Osmar Dias (PDT), para o qual perdeu por minguados votos, não fossem o anti-marketing da globeleza, então porque as estirpes requiônicas e sua ilustre asponagem não podem, igualmente, fazer uso de televisão pública do povo, do povo massa de manobra, como marketing da sustentabilidade governamental?

O governador perdeu as eleições nos grandes centros, inclusive em Curitiba, mas arrebanhou picadinhos de sufrágios nas regiões de menor porte, o que lhe valeu a vitória de Pirro no Paraná. Policial Rasera, araponga preso na época eleitoral como suposto conspirador para desfavorecer o "avanço requiônico" naquele então pleito..., não se parece de bom senso que áulicos agravem a ele a "quase derrota" do governador.

Míopes, estrábicos ou menos qualificados, inclusive da imprensa, observadores de lupa longe do front deste governo, acham que a manutenção do status quo estaria imune às garras do impoluto, soberbo e discricionário poder judiciário, que funciona à base da economia do mercado, proporcionando sustentabilidade financeira ao labor advocatício.

Todos somos vítimas, inocentes ou não, do poder cataléptico e seus tentáculos rabulísticos.

O bom senso faz acreditar que as aulinhas de mobral, moral e cívica lecionadas pelo professor Requião precisam ser recicladas por nova lei de diretrizes e bases. Enquanto isso não se faz, acossado por advogados bem pagos, o judiciário acordará de seu sono dogmático para fazer suas incursões, justas ou não, para bem ou mal marketing de um governo em constante busca de holofotes. (*) José Aparecido Fiori - jornalista - joseafiori@hotmail.com

A Caros Amigos deste mês traz uma interessante entrevista com o escritor Luis Fernando Veríssimo. Ele preferiu responder as perguntas dos repórteres via e-mail. Acompanhe alguns trechos:

GLAUCO MATTOSO Caramigo Lufe: minha mãe, que é de Taubaté e morreu faz pouco, não acreditava em padre nem em político nenhum. E você? Acho que esse é um sentimento comum, esse enfaro com políticos, depois de tantos escândalos e tanta hipocrisia. E é perigoso porque acaba sendo um desencanto com a política e no fim com a própria democracia. Se fosse possível haver política sem políticos... Mas não dá, e o jeito é confi ar nos políticos sérios e capazes que ainda existem, em algum lugar, e esperar que a nossa democracia melhore com a prática. O importante é não desesperar e sair atrás de alternativas mais eficientes, ou puras, que acabam em desilusões ainda maiores. Quanto aos padres, deixei de acreditar há muito tempo. Fui criado como católico, fiz primeira comunhão e tudo, mas o lado do meu pai, que era agnóstico, foi mais forte.

VINÍCIUS SOUTO O senhor trata várias questões da vida com humor inteligente. A produção atual de outros cronistas e escritores está conseguindo manter essa linha ou tudo caminha para a mediocridade, para baixos apelos? O Brasil teve grandes escritores que nunca fi zeram outra coisa além de crônicas. O Rubem Braga, por exemplo. O Paulo Mendes Campos, que também era poeta, mas fazia principalmente crônica. O Antônio Maria. Hoje não há mais isso, mas temos outra peculiaridade. Não há, que eu saiba, outro país no mundo em que os romancistas tenham um contato contínuo com o público, pela imprensa, como aqui. Temos o Cony, o João Ubaldo, o Ignácio de Loyola, o Moacyr Scliar, o Bernardo Carvalho, o Torero etc., todos escrevendo regularmente nos jornais. O que significa que podemos não ter mais excelentes só-cronistas, mas temos excelentes escritores escrevendo crônicas. Não acho que caminhamos para a mediocridade, não.

MARCOS ZIBORDI Você compartilha da opinião quase unânime de que o presidente Lula é analfabeto e precisa ler? Olha, com algumas exceções, como o Costa e Silva, que confundia latrocínio com laticínio, fomos sempre governados por homens letrados, muitos deles intelectuais de nome, que conseguiram construir o país mais desigual e injusto do mundo sem cometer um erro de concordância.

RENATO POMPEU Você é muitas vezes apontado como esquerdista. O que acha de Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador? Como você qualificaria o estado atual da esquerda no Brasil em geral e o governo Lula em particular? No Brasil temos o mau hábito de exigir opiniões absolutas sobre tudo. Talvez porque as opiniões relativas pareçam vir de cima do muro. Mas você pode achar certas coisas em Cuba admiráveis, como a independência que conseguem manter ali embaixo do focinho dos Estados Unidos e o que, apesar de tudo, conquistaram em matéria de saúde pública e educação, e achar outras lamentáveis, como a falta de pluralidade política e a presidência vitalícia do Fidel. Entende-se que a direita brasileira seja obcecada por Cuba e, agora, pelo Chávez, mas não é preciso imitar sua radicalidade, a favor ou contra. A mesma coisa vale para os Estados Unidos, que são admiráveis e execráveis, dependendo do que você está falando. O governo Lula, a mesma coisa, só que nesse caso a gente tende a ser mais a favor do que contra para não engrossar o coro dos reacionários, que já é suficientemente grosso. Esse tal de novo populismo na América do Sul é importante menos pelo que é do que pela sua origem, o fracasso de políticas neoliberais recentes em cima de todos os anos de descaso social das elites do continente, que agora têm que enfrentar os Chaves e os Morales e outros monstros que criou. O novo populismo, ou como quer que se chame isso, também tem seu lado animador e seu lado discutível, além do seu lado precário. Já a esquerda brasileira continua como sempre foi, dividida.

Retirado do site: www.carosamigos.com.br

Sobre um brilhante expelidor de regras – e sobre vocês

Por Roberto Manera

José Antônio Dias Lopes, que é uma pessoa que eu amo porque é um grande jornalista e inventou o conhaque clandestino Elliot Ness, havia nos dito: “Descobri em Veneza o maior escritor brasileiro”, e nós lhe perguntamos: "o que ele já escreveu?" E ele nos respondeu: "ainda nada".

Foi daí que a Veja e depois a Globo descobriram esse luminar – Diogo Mainardi – e fizeram dele esse cagador de regras que o Brasil inteiro ouve, e às vezes tristemente aplaude, todo santo dia.

Olha só o que o cara falou, no mesmo dia em que sua própria tevê exibia um programa sobre como o futebol havia sido importante para a identidade de um país da África: ele fez um trejeito veado com as sobrancelhas e disse ao Lucas Mendes, com a non chalance dos que só pensam no que querem ser e não no que são: “Futebol é irrelevante”.

Palmas! Palmas de vocês, que também acham que futebol é irrelevante, que ganhar é sempre bom, até roubando; que acham que melhor é bombardear o Iraque, e que toda a estrada, para vocês e o repulsivo ser que todo dia lhes fala, vai dar no mar. Vocês merecem!

Merecem o Diogo Mainardi; o Fernando Henrique, que lhes roubou o pouco que tinham, ao vender por preços ínfimos empresas que eram de todo o País; os algozes meigos que lhes dizem, todo dia, nessa merda que vocês enganadamente chamam “mídia”, que o Chávez – o da Venezuela –, que felizmente decidiu eliminar o golpismo fechando aquela latrina espúria que defendia o golpe contra o povo, é um “caudilho”. Eu posso lhes dizer, como repórter: conheci a Venezuela nos anos 1960, quando todo aquele país não passava de um terreiro das petrolíferas americanas. Era o inferno. Acreditem se quiserem. Ou prefiram a Seleções do Reader’s Digest. Vocês já notaram que são livres? Pois é: exercitem essa liberdade.

Para quem escolher o american way de exercitar a liberdade, eu digo: vão se foder. E – vou lhes dizer – vocês vão mesmo. Porque o pensamento – sabiam? – ainda existe. O povo é superior a toda essa merda que vocês aprenderam nessa sua pérfida “escola de vida” dos homenzinhos de pau pequeno dos anos cinqüenta, que saíram pelo mundo tentando afirmar sua masculinidade – e que eu acho que forneceram o modelo que o Mainardi escolheu para sua vida brilhante e inútil.

Mas isso é o que é irrelevante – é pouco. O que é relevante e existe, de verdade, são o pensamento e o anseio dos povos. E nós somos muitos, percebem? Muitos. Nós somos os Garabombos de Manuel Scorza; os Macaulés de Alejo Carpentier e os Bolívares de Chávez. Vão ler e entenderão.

E muitos de nós – invencíveis, porque não temos essas medidas que a Globo, a Veja e os jornais lhes (nos) impõem – somos quem haverá de fazer o amanhã. Alinhem-se enquanto há tempo.

Roberto Manera é jornalista.

Arrumando guarda-roupa de camisola

Ela está em cima de uma cadeira, vestindo surrada camisola cor de pele - outrora devia ser branca. Faz horas que está arrumando o guarda-roupa; tira trecos, põe trecos, enfia roupa, passa pano, tira trecos novamente, passa pano de novo. A visão da janela do meu quarto, quinto andar, é privilegiada, pois a janela dela é do terceiro andar do bloco ao lado. Continua arrumando, horas passam, eu continuou olhando hipnoticamente, e ela arrumando. Faço de tudo para justificar minha presença na janela. Fumo um cigarro devagarzinho, boa sensação, várias canecas de tereré, olhar hipnótico, arrumação constante. Às vezes, dá-se a impressão que ela me vê, mas analisando fisicamente e geograficamente, não é possível em seu campo de visão enxergar-me, não sem se abaixar. Mesmo assim, tenho certeza que ela me provoca; levanta de leve a camisola, mas não chego a ver nada indecente. Admito, ela não é tão bonita assim, mas como é provocante ver uma moça arrumando seu guarda-roupa com uma camisola curta! Só pode ser provocação. Olho para outras janelas: uma velha abre sua janela com desdém; uma gorda vai ai banheiro e volta para o reino – sua cama, onde se sente feliz assistindo novela das oito. O tempo passa; tenho obrigações, mas o que posso fazer se estou hipnotizado? A moça continua arrumando seu guarda-roupa, de pouco em pouco tempo, desce da cadeira e vai molhar um paninho para obter êxito na limpeza do móvel cerejeira. Chico Buarque, The Velvet Underground, Paulinho da Viola, Radiohead, Chico Buarque de novo – o shuffling do Winamp parece fazer trilha sonora para minha situação, a de telespectador de fêmea de camisola limpando seu guarda-roupa. Hora dessas, já deve ter marmanjos de plantão em outras janelas; estou com ciúmes porque eu a vi primeiro, portanto, ela é minha, a visão é toda minha! Tenho medo de que ela olhe em meus olhos e perceba que estou bisbilhotando sua arrumação de guarda-roupa, mas, ao mesmo tempo, queria que olhasse em meus olhos, quem sabe ela gosta de se exibir e dê brechas para que minha visão seja atentado ao pudor. Ou não. Vai que fecha a janela. Ficarei sem graça. E se um dia a vir pelos arredores do condomínio, ficarei encabulado. Agora, arruma suas roupas e vem bem perto da janela, o coração dispara, mas, oxalá, ela não olha para cima. Ela tem marcas de biquínis, está queimada e, agora, se abaixou, o que me dá permissão de ver seus peitos miúdos, coisa pouca essa visão, quase nublada. Seu cabelo está preso e percebo que sua orelha é grande. Acho que, no dia-a-dia, deva usar o cabelo solto. Vai ao banheiro, vejo a luz acessa da janelinha ao lado; já penso besteira, ela tirando a calcinha. Bezerra da Silva, agora não, você estragou minha trilha sonora, acabou descontraindo o ambiente que era promíscuo. Não tenho mais desculpas para ficar ancorado na janela, mas quanta curiosidade tenho. Vai que, bem na hora que não estou olhando, ela dê uma brecha. Agora está ajoelhada na cadeira; realmente a posição em que se encontra é bonita de se ver. Agora está de quatro no chão, deve estar catando algum lixo que caiu de seu infinito guarda-roupa. Me enganei. Ela está ajoelhada no chão colocando roupas na gaveta de baixo. Horas passam, tereré se esgota, fome nem dá. Dobrou uma bermuda jeans e vai guardar. Olho para outra janela, disfarçando para mim mesmo. Crianças brincam de esconde-esconde dentro de um cubículo de apartamento. Jovens também tomam tereré lá embaixo e batem bola murcha. Pessoas entram e saem do condomínio. Aliás, pessoas costumam ter compromissos, assim como eu, mas a hipnose é medonha, assustadora, manipuladora. Cai um avião no terreno ao lado, barulho, fumaça e fogo. Bombeiros chegam e eu fui testemunha ocular da história, mas não me esquivo. Parece que agora eu vi um pedaço de sua calcinha. Dou uma passeada na internet para me acalmar. Luxemburgo saiu do Santos, meu time de coração, e foi para uma equipe rival. Solitários cheios de amigos virtuais prosseguem em suas rotinas diárias de em messenger´s e orkut´s. Caixa de entrada sem e-mail novo. Spam chove. Promoção da Lojas Americanas e do Extra também. Volto à minha jornada - a de olhar a garota arrumar seu guarda-roupa. Mas, agora, as portas do guarda-roupa estão cerradas. Em uma sacolinha de supermercado, ela coloca trecos que estavam no chão. Sai do quarto. Deve ter ido levar a sacolinha junto às outras sacolas de lixo que, geralmente, ficam na sacada esperando um acúmulo para serem encaminhadas ao lixo da rua. Morcegos entram e saem do meu quarto, mas não fecho a janela. Panela de pressão estoura na cozinha - carne com batata agora faz parte da decoração da cozinha. Telefone berra até perder voz. Poeira se acumula na armação dos óculos e as lentes estão contagiadas pela oleosidade do rosto cheio de cravos. Acho que perdi emprego, perdi namorada, perdi ônibus e banda que passou cantando coisas de amor. Estou completamente desesperado porque já faz quatro minutos e pouco mais de trinta segundos que ela não aparece na janela de seu quarto, e as portas do guarda-roupa continuam fechadas - parece um caixão de pé. Meu desespero acaba de virar depressão e crise existencial. Ela finalmente apareceu no quarto, soltou os cabelos e escondeu as orelhas de abano, fechou as cortinas e apagou a luz. Acho que foi dormir.

Luciano do Vale e suas raridades

Ontem, assistindo ao jogo entre Ituano e São Paulo, pela Band, não pude deixar de perceber o quanto o narrador esportivo Luciano do Vale fala besteira. Aí vão algumas: "O Ituano tem 100% de aproveitamento negativo" "Jogada esquisita, mas bonita do Adriano" "Tão querendo que a bola tenha saído" Mesmo assim, valeu a pena assistir ao jogo. O frango do Rogério Ceni foi bizarro. Crédito da imagem: http://br.geocities.com/champcarbrasil/Bolacha.jpg