segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Busão é inspiração literária há um ano e dois dias

Essa rotina diária dentro de ônibus rendeu uma crônica, escrita no dia 19 de janeiro de 2007, há um ano e dois dias. Confiram: Até mesmo crianças aparentam estar tristes e enrugadas. Pessoas feias, solitárias, cansadas e fedidas. Outras, desesperadas, sem educação e deprimidas. Algumas são dignas e estão inseridas no protótipo de normal, ou seja, assistem novela das oito, compram cd pirata da novela das oito e comem, de vez em nunca, no Mc´ Donald´s. A briga por assentos é acentuada por muita rivalidade e dores nas varizes. Não obtendo êxito na dança das cadeiras, as chances são grandes de passar uma hora em pé, segurando em algum apoio, que te provoca asco, por lembrar que inúmeras pessoas já colocaram as mãos ali, não se importando se nelas continham coliformes fecais, restos orgânicos, ou respingos de uma masturbação mau sucedida no banheiro público. Quer ler o resto da crônica? Então entre no link: Particularidades do transporte público

Peripécias ocorridas na amarelinha

Dentro da amarelinha, aventuras-mil esperam seus usuários. Voltando das férias hoje, havia me esquecido as peripécias que rolam a rodo dentro do transporte público. Fato quase inédito, hoje, por ter ido até o ponto de partida do ônibus, consegui um lugar para sentar. Mesmo assim, houve desconfortos. Para começar, apenas um lado de meu corpo foi fortemente tostado pelo sol escaldante do meio-dia. Com um braço preto e outro branco, tentava segurar a revistona desajeitada Caros Amigos. Em meio a um belo artigo, onde o autor sugere a legalização das drogas, sou abruptamente interrompido pelo bate-papo de quatro rapazes, que divagavam sobre compras de carros, qual a melhor marca, melhor condição de financiamento etc. "Eu fujo de Uno rapá. Vou comprar um "pegeouzinho", parcelado em 72x de R$ 600 e pouco. Se fica 6 anos pagando, mas depois o carro ainda vai tá zerado". Isso não foi o pior. Difícil foi aguentar o cheiro acre e desagradável que saía das axilas de um senhor que estava a minha frente. A cada parágrafo era uma respirada na janela para renovar o ar. No meio do caminho, entrou um rapaz desbocado e também ficou ao meu lado. No ato, sentiu o cheirão de "asa" e não titubeou: "tá difícil suportar o cheiro de suvaco. Tem gente que não tem "simancol". O cara não deve tomar banho há uns 50 dias." Isso tudo em voz alta. Essa é minha rotina diária durante, em média, duas horas preciosas. Imagem: www.viacaogarcia.com.br/imgsite/foto_metro.jpg

“O cigarro é meu, eu que comprei e não quero dar para você”

Hoje, às 11h25, estava na Praça Raposo Tavares, ao lado da Rodoviária Velha. Um senhor de meia-idade fumava seu Dallas tranqüilamente. Um morador de rua, o qual já vi várias vezes naquela praça, em outros lugares pedindo dinheiro e até como flanelinha, pediu um cigarro ao senhor de meia-idade. A resposta foi não.

Segundos depois, passou um jovem com um Marlboro vermelho novinho, no plástico. Acho que estava vindo do tradicional estabelecimento Rei do Fumo. Não deu outra. O morador de rua abordou o jovem e conseguiu tranqüilamente um cigarro, e de marca melhor do que a do senhor de meia-idade.

Não satisfeito com as tragadas, o morador de rua começou a difamar publicamente o senhor, o chamando de miserável, lazarento, idiota e outros palavrões que prefiro não mencionar. O senhor de meia-idade sentiu-se acuado. Disfarçou, entrou na circular amarelinha, voltou, mas não agüentou os impropérios é disse: o cigarro é meu, eu que comprei e não quero dar para você.

O senhor de meia-idade entrou na amarelinha e foi em direção a Mandaguari, em pé. O morador da rua continuou em sua casa, ou seja, na rua, fumando vagarosamente seu Marlboro. Parecia, naquele momento, nem estar ligando para o fato ocorrido há pouco, o de ter xingado um homem em praça pública.

Um holiudiano que gostei - XEQUE-MATE

Ontem à noite, depois de ficar surpreso com um empate em zero a zero entre Santos e Palmeiras, já que esperava uma derrota do alvinegro praiano, finalmente assisti ao filme XEQUE-MATE (2006), de Paul McGuigan. Algumas pessoas já haviam feito propaganda benéfica do longa, mas só de pensar que atores como Josh Hartnett (Slevin) ou Lucy Liu (Lindsey) estavam no elenco, logo em minha cabeça aparecia filmes que não sou fã, como As Panteras ou qualquer outro enlatado holiudiano sem sal nem açúcar. Enganei-me. O filme é bom. É óbvio que tem vários elementos comerciais imprescindíveis para renda nas bilheterias - time de atores, final desconsertante, romancezinho, clímax etc e tal. Mas, houve algo de diferenciado neste longa. Houve um roteiro original, onde chefões da máfia não conseguiram exercer a famosa manipulação (símbolo-mor dos mafiosos - veja o logo do The Godfather, que é uma mão com uma marionete e minha tatuagem) e, literalmente, caíram do cavalo. Quando disse "literalmente" foi porque, na verdade, o filme envolve corridas de cavalos, onde, no início, um tombo de um deles vai representar muito para o longa. E vocês acreditam que até o romancezinho entre a asiática mais linda das telonas, Lucy Liu, e o garanhão ,Slevin, foi agradável assistir? Não foi meloso, muito menos suicida. Lembrou-me até o caso que Jack Nicholson teve com a guria em The Passenger ou Profissão: Repórter, do grande diretor Michelangelo Antonioni (1912-2007). Recomendo o filme.