sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Meu tesouro

Wilame Prado

Às vezes, aliás, muitas vezes, o mundo se encontra, para o indivíduo, em perfeito estado de putrefação. Ou seja, tudo é uma merda. A vida é uma merda; viver é uma merda; ter vivido algo é uma merda. Dias típicos de primavera florida, de gente sofrendo e sorrindo dentro da circular, de rapazes e moças contentes com os automóveis que vos levam às universidades de merda.

E eis que estava eu, dia desses, vivendo o maior espírito coliforme fecal noites mal dormidas e dias mal vividos quando, de repente, daquela caixinha em que você sempre abre na esperança de ter uma carta pessoal e, impotente, só encontra contas a pagar e propagandas ridículas, achei um tesouro.Com este tesouro, um achado dentro da caixinha de correio número 53, pude finalmente chorar de emoção (depois de muito tempo), pude esquecer um pouco o cheiro da merda que nos cerca (ou do ralo, para quem curte o filme "O Cheiro do Ralo), pude esquecer um pouco as baixezas das pessoas que fedem merda, pude, enfim, ter minutos de alegria passageira, um momento único em meio a crises existenciais que não param de fazer tempestades em copos de água (ou de cerveja, caso prefira) em minha vida corrida, desorganizada e sem muitas assertividade.

Eu mostrei meu tesouro para algumas pessoas, que concordaram comigo no que diz respeito ao seu valor incalculável. Com meu tesouro, pode ser que eu fique rico, de dinheiro se eu quiser (mas não quero), de esperança, de paz no coração e de garra para continuar velejando no mar (de merda, não tanto assim vai) da vida.Estou à procura de um quadrinho com moldura para proteger meu tesouro, que também servirá de bússola para quando eu ficar sem norte em meio a uma multidão de formigas atômicas disfarçadas de pessoas, por entre ruas, empresas, redações, entrevistas, universidades e bares. Poderei olhar para meu tesouro e finalmente conseguir ver - ver um pouco além do que simplesmente as imagens coloridas que meu cérebro insiste em fabricar para me iludir.

Eu nem sei o que seria caso não tivesse ganhado meu tesouro. Mas, de qualquer forma, aproveito a deixa para agradecer a autora deste presente magnífico, um simples papel colorido que, com certeza, salvou uma semana, que valeu por uma vida. Então, obrigado, minha querida e linda sobrinha e afilhada Laís, que completou 4 aninhos no último dia 10 de novembro. Sua cartinha, com direito a foto 3X4 e tudo, com os dizeres, em letras aprendizes, mas muito sinceras, "para titio Júnior – Eu te amo – Laís", foi um tesouro.

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