sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Disse tudo

"Crime e política são a mesma coisa. Finanças é apenas uma arma diferente do que a pistola" - Luchesi, personagem da trilogia "The Godfather", no filme III.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Quero ser pipoqueiro*

Wilame Prado Uns querem ser médicos, outros advogados. Os aventureiros almejam a profissão que tem como função apagar o fogo ou pegar o ladrão. Já os influenciados pelo meio caótico, viram bandidos, mesmo às vezes não querendo. A garotada desde que nasce ganha uma bola, uniforme dos times de pais, avós e tios e são praticamente manipulados a gostarem de futebol e quererem ser jogadores quando crescerem, afinal, é o que o brasileiro faz de melhor. Alguns filmes fazem com que a violência seja vista como algo bom e, esmurrar ou dar uma voadora em outra pessoa tornam-se atos heróicos. Para não esquecer das mulheres que, quando são pequenas e ingênuas, vangloriam o ato de cozinhar, passar, lavar, cuidar de bebês e outras tarefas. Elas devem lembrar dessa época e se acharem loucas, pois hoje tudo isso é um pesadelo para elas, que tanto desejam um espaço no mundo profissional e repudiam serem “do lar”. O senso comum foi descrito acima e, completando o raciocínio, percebemos ao longo dos anos que passam e nos deixam mais próximos de sermos adultos trabalhadores que diversos empecilhos acabam travando nossos sonhos rosas de criança: dinheiro, orgulho, status, pais manipuladores, sociedade cretina, incapacidades físicas, psíquicas e cognitivas. Posso exemplificar com a minha própria historia. O primeiro sonho foi ser boleiro. Depois, astro de rock. Com a percepção de que o mundo é materialista e fútil, quis ser dentista porque todos o respeitava e o meu tinha um carrão! E, por final, jornalista e escritor, por razões sentimentais e quixoteanas. Mas o que me levou realmente a escrever sobre tal assunto é um tanto quanto estranho. Isso porque, um dia destes, voltando para casa, olhei ao meu redor nas ruas e percebi que a sociedade é composta por diversos trabalhadores que nunca sonharam fazer o que fazem, mas fazem porque não há mais nada a fazer e ainda agradecem por não se enquadrarem no elevado número de pessoas que não fazem nada por ninguém dar a elas o que fazer. E, analisando as profissões que me aceravam naquele momento, me deparei com o “tio que vende pipoca e doces em frente ao colégio, mais conhecido como pipoqueiro, doceiro, baleiro ou simplesmente tio”. Senti um inveja saudável de todo aquele status que o pipoqueiro tinha para com as crianças gulosas e com gana por paçocas ou pipocas. Pela primeira vez na vida sonhei em ser um pipoqueiro. Alguns podem achar que estou desmerecendo a profissão, outros estão me chamando de irônico. Não importa, tentarei me justificar. A nostalgia tomou conta de mim quando olhei para o senhor dedicado a mexer a pipoca. O agradável cheiro de manteiga, bacon e pipoca na panela ajudaram também. Quando eu era criança, todas as moedinhas que sobravam dos trocos de papai iam para o pipoqueiro. A vida é tão doce quando somos crianças! Confesso que adorava ir as aulas, pois lá eu tinha colegas, as primeiras paqueras, os desafios da vida de criança e o pipoqueiro. Quem é que nunca comprou uma pipoca, um amendoim ou um doce de um pipoqueiro? E em todos os eventos, sejam eles esportivos ou artísticos, o nosso trabalhador fazedor de cheiros e gostos deliciosos está lá. Até Arnaldo Jabor, e isso ele conta em algumas crônicas, foi influenciado pelo pipoqueiro safado, o Bené! Que eu saiba, não há sindicatos nem união entre os pipoqueiros. Não há homenagens no colégio e, para ser sincero, desconheço o “dia do pipoqueiro”. Mesmo assim, ainda sonho um dia em ser um pipoqueiro. Talvez quando me aposentar e ficar entediado em casa tentando escrever um romance e não conseguir. Comprarei um carrinho, doces, milho de pipoca e me fixarei em um colégio no qual ainda não haja um companheiro de trabalho por lá. Espero que esse colégio seja onde meus possíveis netos estarão estudando para que eu dê pipoca a eles e aos amiguinhos deles. Meu único medo é de que esse mundo cruel e destruidor de valores acabe corrompendo também meus netos, fazendo com que eles tenham vergonha de dizer que o avô deles é um pipoqueiro. *Crônica publicada resumidamente dia 28 de outubro na coluna Crônico do jornal O Diário do Norte do Paraná Crédito da imagem: www.jcvicttor.com.br

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Sonhos de uma noite de verão (primavera, ainda)

Sonho 1 Ontem, sonhei com o velho e bom avô João Azarias. Não lembro de muitos detalhes, apenas que o velho estava sorrindo bastante para mim. Sonho 2 Hoje, tive um sonho esquisito. Sonhei que estava em meu apartamento juntamente com alguns amigos da sala e com o ilustre Vanderlei Luxemburgo. Estávamos discutindo sobre futebol quando, olhando pela janela, vi um avião da GOL caindo pertinho dali, mais ou menos onde fica o Cesumar, um pouco para cima. O estranho é que não fez um barulho muito estrondoso. O avião bateu ao chão e se partiu ao meio, levantando poeira. Chamei meus amigos para ver, porém, ninguém acreditou e continuaram, então, a discutir futebol para o resto da vida, ou do sonho. Sonho 3 Hoje, também, sonhei que tinha recebido uma proposta para trabalhar em Pato Branco-PR. Conclusão O calor é alucinante, até mesmo dormindo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Eu gosto de Opera

Vou dar uma dica. O navegador Opera é bacana. Antes, só usava o Mozila, mas começou a dar uns problemas. O Internet Explorer é um lixo, na minha opinião. Este blog, por exemplo, fica bem mais apresentável com o navegador Opera. Quer baixar? Clique aqui. Abraços e bom fim de semana.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Cegueira da consciência*

...às vezes uma grande tragédia pode servir como alerta, como a única maneira de se conseguir abrir os olhos" Wilame Prado As pessoas são más. Sempre querem o melhor para elas, mesmo que para isso tenham de passar por cima do cadáveres de outras. Por trás de uma sociedade teoricamente e utopicamente organizada, a hipocrisia é como se fosse um vírus, que vai se espalhando facilmente. Neste cenário caótico, às vezes uma grande tragédia pode servir como alerta, como a única maneira de se conseguir abrir os olhos desses seres humanos contaminados. Não. Eu não eu estou brigado com o mundo. Também não culpo o seqüestrador Lindemberg (que todo mundo anda dizendo que matou a menina de 15 anos), pela minha descrença com a raça humana. Não vou mentir que, sábado de noite, depois de chegar de um chá de bebê bem divertido, ao ligar a tevê e receber a notícia de que Eloá estava morta, senti um verdadeiro ódio, um desconforto sem tamanho por mais um final triste da novela da vida real. Mas quando me refiro a uma grande tragédia, na esperança de que a raça humana possa abrir os olhos de vez, é em alusão a uma obra de ficção, o romance "Ensaio sobre a cegueira", do português José Saramago. Mas, como nem todos gostam ou ainda não puderam ler, finalmente em Maringá se faz possível conferir o filme, inspirado no livro de Saramago, "Cegueira", do diretor brasileiro, Fernando Meirelles. A sensação que tive no domingo à noite, após assistir ao longa-metragem, foi muito parecida da que tive quando terminei de ler o livro: uma malquerença pelo ser humano. Lendo ou vendo, "Ensaio sobre a cegueira" tem um poder de curar (pelo menos por instantes) a cegueira alegórica das pessoas e permite enxergar os limites da raça humana, que, ao sentir necessidades vitais, destrói todas as máscaras impostas pela sociedade, costumes e cultura para ser, o que sempre foi, um animal racional (ou irracional?). Virando páginas e páginas do livro, ou não piscando na sala escura de cinema, a sensação é desgostosa. Isso porque, irremediavelmente, consumir estes produtos culturais é receber uma crítica ferrenha, pois, afinal, também sou humano. A verdade dói, ainda mais quando esta verdade é tão cruel a ponto de fazer enxergar o quanto os humanos se fazem de cegos para não ver os problemas alheios. Existem diversas maneiras para não deixar que a cegueira da consciência contamine as pessoas. Acredito que a literatura e o cinema são armas poderosas para combatê-la. Mas tem gente que não se deixa tocar por filmes ou livros. A meu ver, a ficção cultural quase sempre é mais verdadeira do que muitas "realidades" impostas em meios de comunicações ou em discursos religiosos ou políticos. Antes de chegar a Maringá, o filme "Cegueira" já estava em cartaz em São Paulo. Mesmo assim, duvido muito que Lindemberg o tenha assistido. Agora, com os olhos da consciência cegados, é tarde para ele. *Crônica publicada dia 21 de outubro, na coluna Crônico do jornal O Diário do Norte do Paraná Crédito das imagens: http://www.tribodeideias.com.br/blog/wp-content/uploads/2008/07/blindness_13.jpg http://www.estadao.com.br/fotos/lindembergpreso292.jpg

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Jorge Furtado, Lula, crise financeira

Para quem acha que o Lula diz besteira acerca da crise dos Estados Unidos, uma opinião de peso a respeito de Jorge Furtado.
A Culpa é do Lula

Alô Rosane de Oliveira

Leio diariamente sua página em ZH, pela qualidade e equilíbrio do jornalismo que ali encontro, e por isso estranhei a nota principal de hoje ("Não estávamos protegidos?"). Me pareceu uma análise, pra dizer o mínimo, feita com má-vontade sobre a atuação do presidente Lula e do ministro Mantega.

Você abre a coluna com uma afirmação: "Vá o cidadão brasileiro entender o comportamento das autoridades". Sou um cidadão brasileiro e, neste caso, entendo perfeitamente o comportamento das autoridades. Acompanho diariamente o noticiário político e econômico e nunca vi, ouvi ou li o presidente ou qualquer um dos seus ministros afirmarem, como você diz, que "a crise nos Estados Unidos não nos afeta". Lula disse isso? Quando? Onde? Por favor, cite a fonte...

Continue lendo aqui: ao entrar no site, vá ao blog de Jorge Furtado.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Plantas que crescem a olho nu*

"Mesmo assim, ficava feliz por se lembrar daquela noite em que passara com o pai, esperando o dia amanhecer para contar a ele que vira plantas crescer" Wilame Prado

Lembrou do dia em que, talvez sob efeito de insônia, olhara pela janela de madeira o humilde jardim que embelezava a frente da casa alugada. Os pernilongos, aliados ao ronco incessante de um pai que dormia feliz por receber a visita do filho, não o deixavam dormir. Nesse jardim, que de flor não tinha nada e sim apenas matos e ervas daninhas, o menino vira plantas crescerem e se movimentando a olho nu. Desse dia em diante, acreditara piamente que as plantas só cresciam quando ninguém por perto estivesse observando, e que sua presença ali, em plena madrugada, acabara passando despercebida pelos vegetais que, tranquilamente, cresciam e cresciam. Muitos anos se passaram. O menino virou quase homem e nunca mais conseguiu ver plantas crescer, a não ser em vídeos de biologia, com câmeras potentes, que captam rosas desabrochando graciosamente. A madrugada tornou-se amiga inseparável, e a janela agora era a do quinto andar, de um prédio verde. Por sorte, de seu campo de visão daquela janela, avistava-se um terreno baldio, habitado por cachorros perdidos, cavaleiros andantes, famílias de anus e uns pés de milhos com deficiência no crescimento. Vez ou outra, quedava-se olhando sem cessar para o mato, na esperança de ver alguma planta crescer. Sem sucesso. Mesmo assim, ficava feliz por se lembrar daquela noite em que passara com o pai, esperando o dia amanhecer para contar a ele que vira plantas crescer, e também para ir à feira do domingo comer pastel do japonês, comprar mexerica e ver os peixes sobre gelos, que pareciam estar vivos, de tão bem conservados e brilhosos. Suas visões noturnas pela janela do quinto andar, embora incompletas por não conseguir observar plantas crescendo, fotografavam em sua mente outras atrações belas. Quando não se escondia por detrás dos concretos de outro prédio verde, o ex-menino podia ver a lua brilhante e o sempre fiel São Jorge, com sua lança e seu cavalo. Via, também, nuvens se movimentando rapidamente num céu negro, dando a sensação de que o mundo não pára, nem mesmo na madrugada. Mas quando mirava seus olhares para as janelas vizinhas dos demais prédios, sentia-se entristecido pelo fato de não haver uma luz sequer acesa naquela hora. Imaginava as pessoas já deitadas em suas camas confortáveis, dormindo e acumulando energias para o próximo dia de trabalho. Num estalo, parou para pensar sobre sua condição de mirador noturno, lembrando-se das inúmeras vezes em que ficou ancorado naquela janela fria. Concluiu, então, que, do dia em que viu plantas crescer no jardim da casa alugada do pai até hoje, quando vive observando apartamentos com luzes apagadas nos prédios vizinhos, pouca coisa havia mudado em sua vida: continuava tendo insônias e se sentia muito sozinho.
*Crônica publicada dia 14 de outubro no jornal O Diário do Norte do Paraná, na coluna Crônico Crédito da imagem: http://www.maraluquet.globolog.com.br/janela%20do%20meu%20ap.jpg

domingo, 12 de outubro de 2008

Arrependimentos da infância*

Wilame Prado Eu quero voltar a ser criança! Chega de responsabilidades. Chega de trabalho. Vou pegar o relógio do tempo, atrasar alguns anos e jogar as pilhas no mato. Vou voltar à época em que comia sucrilhos de manhã assistindo pica-pau, Tom & Jerry, Ursinhos Carinhosos e Fantástico Mundo de Bob. Só que, dessa vez, tudo vai ser diferente. Vou fazer todas as lições de casa, prometo mãe. Não vou jogar bola no corredor e assim manchar as paredes. Nem vídeo-game a madrugada inteira para depois, no outro dia, colocar alho debaixo do braço, simular uma febre e assim não ir à aula. Eu prometo pai. De terça e quinta, darei o sangue na escolinha de futsal. Quem sabe, no próximo jogo, eu consiga vaga no time titular. De quarta e sexta, vou sorrindo para as aulas de natação, sem reclamar do cloro da água. Prometo a vocês. No colégio, vou tomar coragem e entregar aquela cartinha de amor, em que tanto me dediquei caçando palavras difíceis no dicionário, para a Gabriela, minha primeira namorada. Assim, acho que terei mais chances de não ser trocado por um moleque três anos mais velho do que eu. Sei como deve se sentir, professora Roseli. Um aluno igual a mim, que até tira notas e até faz umas redações legais, não deveria bagunçar no fundão da sala. Saiba que isso não se repetirá. Sentarei na primeira carteira e não vou desperdiçar folhas de caderno com bolinhas e aviõezinhos. Juliana, minha querida irmãzinha, pode ficar despreocupada. Nunca mais vou mexer nas suas coisas. Mas, só uma pergunta: quem é Alexandre que te mandou um cartão apaixonado? Poxa vó! Fico tanto tempo sem ver a senhora e quando chego em sua casa, só quero saber de tomar seu iogurte caseiro e brincar com os primos de balança caixão na lajota. Isso não está certo. Senta aqui do meu lado. Conta para mim como foi que você conheceu o vô. Ele sempre foi bravo assim? Aposto que se encantou pelos olhos verdes dele. Mãe, dessa vez, nem toquei na lata de leite condensado para fazer brigadeiro no microondas. Pode preparar seu bolo tranqüila. Mas, posso rapar a panela que a senhora utilizou para fazer a cobertura, pelo menos? Poxa mãe, o bolo é pra mim! Só porque é o Dia das Crianças! Não precisava. Até presente você comprou! É muita bondade sua! Obrigado! Mas, espera um pouco: o que eu vou fazer com um este monte de pilhas recarregáveis que você me deu? Está bem. Já sei. Vou botar pra funcionar o relógio do tempo de novo. Afinal, você tem razão, ninguém merece uma criança tão sem graça como eu. *Crônica narrada, em homenagem ao Dia das Crianças, dia 11 de outubro no RUC Revista, programa de rádio que vai ao ar todos os sábados, a partir das 11h
*Crédito da imagem: http://eupodiatamatando.com/wp-content/uploads/2008/05/bobbysworld.jpg

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A batalha das cores*

Wilame Prado Parecem torcidas rivais em um estádio de futebol. De um lado, os azuis, e de outro, os amarelos. Rixa antiga em Santa Fé, os simpatizantes do PMDB (15) e do PSDB (45) travam verdadeiras batalhas em anos de política. E nestas eleições, não poderia ser diferente. No sábado de tarde, em meio a bandeiras das duas cores e infinitos carros e pessoas desfilando na avenida principal, uma briga com direito a facadas deu o pontapé inicial para um fim de semana que prometia muitas loucuras praticadas por fanáticos vestidos de azul ou de amarelo. A madrugada do sábado para domingo foi de aventuranças no breu. Como de costume, candidatos e simpatizantes ficaram rodando pelas ruas da cidade na tentativa de flagrar possíveis compras de votos por meio de cestas básicas ou de dinheiro. Antes de iniciar a votação, lá pelas 7h15, o movimento em frente aos colégios já era grande. Essas pessoas, engajadas politicamente, não querem perder um minuto sequer deste dia que, de goleada, é mais importante para elas do que final de Copa do Mundo entre Brasil e Argentina. Nem bem os portões se abriram, confusão por entre os corredores do colégio: ex-primeira dama da cidade tomou uma copada de água na cara de um irmão do candidato rival. Dizem que o jeito foi enjaular o homem que, caso realmente tenha sido preso, pôde ao menos conversar com um compadre detido anteriormente por entregar santinhos de candidatos a vereador e prefeito. Pela tarde, ainda teve gente rolando no meio do asfalto e trocando socos e pontapés, tudo pelo amor à camisa, amarela ou azul. No final de toda essa loucura, apenas a certeza de que um voto pode sim fazer a diferença. Em 2004, por apenas 23 votos, os azuis assumiram a prefeitura. Nesta eleição, reelegeram-se pela diferença de 86 votos. A maioria das pessoas envolvidas nesta briga de partidos não vai ganhar absolutamente nada com isso. Sem nem saber direito a razão, muitos seguram bandeiras, gritam e provocam as pessoas que torcem pelo candidato rival. No outro dia, com camisa azul, amarela, roxa ou laranja, vai ter de trabalhar do mesmo jeito para pagar as contas no açougue e no mercado. Mesmo com tantas brigas desnecessárias, assim é melhor. Quando realmente existe a competição entre candidatos (o que não ocorre em muitos municípios) a população só tem a ganhar. Pois, pressupõe-se que, sabendo do quanto é difícil ser eleito, os vencedores darão mais valor ao cargo e representarão o povo da melhor maneira possível. Bom será se todos tiverem o mesmo entusiasmo das pré-eleições para cobrar o que foi prometido no palanque. Assim, então, definitivamente, a democracia vai acontecer de verdade na pequena cidade de Santa Fé. *Crônica publicada dia 7 de outubro no jornal O Diário do Norte do Paraná, na coluna Crônico

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O baque do tombo*

Wilame Prado
O fim de tarde da sexta-feira é o horário impactante entre o término de mais uma semana de trabalho e o início do período de descanso. Talvez seja por isso que o tumulto reine na zona urbana de Maringá e que, pela pressa de voltar para casa, terminar de vez o expediente ou ir para um bar tomar cerveja com amigos, carros e motocicletas em movimento se choquem por entre semáforos, cruzamentos e avenidas. Nesta última sexta-feira, neste horário truculento, presenciei uma dessas desastrosas colisões, ocorrida no cruzamento da Avenida Kubitscheck com a Gurucaia, próximo ao Parque do Ingá. O motociclista, tentando ultrapassar pela direita, foi fechado pelo motorista de um carro. Drasticamente, moto e ser humano foram arremessados ao asfalto quente, áspero e duro. No ar de sua loucura instantânea, causada provavelmente pelo enorme susto, o motociclista corria de um lado para o outro, olhava a moto estilhaçada e erguia os braços aos céus, nem se dando conta de que estava todo machucado e abalado psicologicamente. Bastaram algumas pessoas prestar socorro para que o pobre ferido desmaiasse de vez e fosse, mais uma vez, ao chão. Após ligeiros dois minutos presenciando este fato infeliz, o sinal abriu e tive de seguir o meu caminho. Fui comer um cachorro-quente na Cerro Azul e levar a garota ao cursinho preparatório para concursos públicos. Voltei para casa e, na internet, li a notícia de que finalmente haviam divulgado uma pesquisa de intenções de votos apontando as preferências de alguns eleitores sobre os candidatos a prefeito de Maringá. Pelo meu parecer (caso esta campanha não seja mais do que um jogo de comadres), os candidatos concorrentes do atual prefeito devem ter tomado um baque com o resultado da pesquisa - uma sensação parecida com a do motociclista que caiu na rua e que, por isso, ficou alguns minutos sem norte. Os investimentos em propaganda, as metas de campanha não alcançadas e outros porquês do péssimo resultado na pesquisa devem estar martelando a cabeça dos prefeituráveis que ainda acreditam no segundo turno. Antes que os simpatizantes por candidato a ou b joguem tomates em mim, utilizo-me do que escreveu o editor-chefe deste jornal, Milton Ravagnani, no último domingo (28/09): “Pesquisa é pesquisa, e só mostra um instante da campanha. É como uma fotografia do momento da coleta das informações.” Mesmo assim, volto a falar sobre os candidatos a prefeito que não atingiram boas marcas na pesquisa. Estariam realmente interessados na vitória ou, na verdade, querem continuar com seus atuais e estabilizados cargos políticos? Estariam pensando em um futuro de sucesso garantido, lá para 2012? Realmente fizeram o possível nas campanhas políticas (fraquíssimas, diga-se de passagem) ou, igual quando se desabotoa a calça depois de comer aquela feijoada no domingo, literalmente afrouxaram? E por falar em refeição, nada como chupar algumas laranjas depois da feijoada para fazer uma boa digestão. *Parte desta crônica publicada dia 30 de setembro no jornal O Diário do Norte do Paraná, na coluna Crônico
Crédito da imagem: http://www.urbal.piracicaba.sp.gov.br/meta4/levantamentodea%E7%F5es/feijoada.jpg