terça-feira, 30 de setembro de 2008

Política burra*

Wilame Prado A reunião finalmente fora marcada: dia 18 de setembro, às 19h10. Só faltava, agora, o apoio necessário dos discentes. E, para surpresa de muitos, alunos do curso de Comunicação Social (Jornalismo e Publicidade e Propaganda), de uma faculdade de Maringá, lotaram a sala e participaram ativamente da assembléia de fundação do Centro Acadêmico de Comunicação Social (CACS). Pelo fato de não haver registros de centros acadêmicos fundados por alunos, os boatos contados pelos corredores eram de que sempre existira uma forte repressão por parte da instituição, que não apóia e nunca apoiou este tipo de organização política na academia. Mesmo assim, o CACS nasceu. Reclamações a parte, fato é que os alunos devem comemorar esta conquista política. Afinal, reivindicar ou simplesmente se abstrair do processo é fácil. Difícil mesmo é conseguir se organizar e lutar por seus direitos dentro de uma instituição de ensino, ainda mais sendo particular. Como foi bonito ver aqueles estudantes interessados em mudar o que consideram errado no curso. Muitos deles, escolhidos democraticamente por meio do voto, disponibilizaram-se a atuar na gestão provisória do CACS, que ficará no pleito até abril de 2009, período em que haverá eleições para a escolha de uma nova chapa. Ter consciência política talvez seja um dos maiores desafios do nosso País. Só assim, finalmente escolheremos os candidatos sérios e compromissados em atender as demandas da população, esquecendo-se dos interesses individuais ou de pequenos grupos privilegiados da sociedade. Mas, infelizmente, percebe-se que há, por parte das pessoas, um verdadeiro deboche quando o assunto é política. E a culpa desse descaso vem da maioria dos administradores públicos que, no palanque, são hipócritas, e no cargo, são corruptos. Esse desinteresse pela política não acontece apenas em classes mais desfavorecidas. Quando do surgimento do CACS, na faculdade, em que grande parte das pessoas tem poder aquisitivo médio ou alto, não foram poucos os alunos que simplesmente ignoraram ou desmereceram o centro acadêmico. Até professores pareciam estar desacreditados com o êxito dessa luta. Seria um reflexo do momento pobre das campanhas políticas exercidas pelos prefeituráveis de Maringá? A escassez de debates, as propostas utópicas, a lengalenga nos discursos, os “laranjas”, a demagogia, os processos judiciais nas costas, tudo isso não estaria desmotivando de maneira geral a população? Certo estava Bertold Brecht (1898-1956), poeta e dramaturgo alemão, ao escrever o excelente texto “Analfabeto Político”: O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. *Parte desta crônica publicada no jornal O Diário do Norte do Paraná, dia 23 de setembro, na coluna Crônico Crédito da imagem: http://users.ez2.net/louetta/packmule/Mula%20Lisa.JPG

3 comentários:

Acorda Maringá! disse...

Meu caro Wilame. Parabéns como já havia lhe dito ótima crônica. Gosto muito dos seus textos, e pra variar..kkk...tomei a liberdade de publicar essa cronica em meu blog.
Cara parabéns mesmo.

Fabio Chiorino disse...

Grande Wilame, continua a trilhar o caminho de boas conquistas. Na minha época, lancei com alguns amigos um fanzine de protesto. Durou dois anos, não era a forma mais honesta, pois abusávamos do anonimato. Mas a lembrança é sempre boa. Grande texto!

Flor de Bela Alma disse...

Querido menino moço do Paraná, eu gostei do seu blog! Xico é um amigo querido. Beijo meu outra vez: Bia de Bianca
Vamos fofocando!!Me adiciona no msn: biandias@hotmail.com