sexta-feira, 12 de setembro de 2008

"Baladas" podem fazer mal, dizem médicos*

Jovem que diz consumir álcool desde os 9 anos e drogas desde os 17, afirma que com 12 já ia às danceterias

Na imagem, litro de pinga tatuado no rosto de usuário de drogas

Wilame Prado

Freqüentar casas noturnas é uma das maneiras que diversos jovens têm de buscar diversão. Podem dançar, ouvir música, reencontrar amigos e até paquerar, sem necessariamente prejudicar a saúde. Mas o uso de drogas, bebidas alcoólicas e cigarros, hábitos comuns em "baladas", compromete a saúde desses jovens, que inclusive correm risco de sofrer danos irreversíveis. É o que explica a psiquiatra Ingrid Bayer Marcantonio: "Com o constante uso de drogas e bebidas alcoólicas, o cérebro pode atrofiar em razão da morte neuronal, prejudicando a capacidade de raciocinar e memorizar da pessoa". De acordo com a psiquiatra, o fato de o jovem ver outras pessoas consumindo drogas e bebidas alcoólicas pode influenciá-lo a usar também. "Aqui em meu consultório tenho diversos casos de jovens que começaram a usar drogas ou a beber em casas noturnas. O meio pode favorecer esse uso, mas não é só isso. A predisposição genética e a personalidade de cada um também influenciam bastante", argumenta. O uso do cigarro também é comum em casas noturnas e acaba prejudicando não apenas o fumante, mas também quem está próximo dele. A médica pneumologista Adriane Mesquita Petruco conta que é comum receber em seu consultório jovens se queixando de problemas respiratórios depois de ter freqüentado uma "balada". "Na maioria das vezes, os jovens já têm um histórico de problemas respiratórios, mas quando vão a uma casa noturna passam muito mal. Os sintomas geralmente são ataques de asma, rinite, nariz trancado ou escorrendo, tosse e peito chiado." Na opinião da pneumologista, os tabagistas acabam fumando em maior quantidade em casas noturnas, e os que não fumam podem ser influenciados a experimentar o cigarro. "Na roda de amigos, com o bate-papo e com o consumo de bebidas alcoólicas, o tabagista acaba fumando mais do que o de costume. E o que não fuma, vendo outras pessoas fumarem, e muitas vezes convidado a experimentar, também não resiste." N.P.D tem 19 anos e faz Comunicação Social na Universidade Estadual de Londrina. Ela conta que pelo menos duas vezes por semana freqüenta casas noturnas, mas nem por isso fuma ou usa drogas. "Na minha turma de amigos, ninguém usa drogas e poucas pessoas fumam. Agora, bebida alcoólica sempre rola, principalmente caipirinha, vodka e cerveja. Às vezes fico de ressaca, mas o pior mesmo é ter de enfrentar o sono no outro dia." P.F.S, 25, usa drogas há oito anos e consome bebidas alcoólicas desde os 9 anos de idade. O jovem, que atualmente não trabalha e nem estuda em razão de ter sido preso por três vezes, revela que é um assíduo freqüentador de "baladas" desde os 12 anos, quando ainda tinha de ir às matinês para menores. "Sou alcoólatra e gosto de fumar meus baseados por aí. Só consumo ácido e êxtase em baladas, pois os movimentos ficam sem noção e as pessoas no dia-a-dia podem perceber", conta P.F.S, que diz já sentir alguns malefícios das drogas, como dores no corpo quando não fuma crack e nervosismo quando fica sem beber por mais de um dia. O jovem diz estar tentando parar de usar drogas, mas confessa ser muito difícil. "Freqüento o Narcóticos Anônimos e pretendo um dia abandonar as drogas, mas é complicado. Não as recomendo para ninguém, principalmente o crack que, na minha opinião, veio para destruir o mundo."

*Matéria publicada no jornal Matéria Prima ano passado

2 comentários:

Fabio Chiorino disse...

Wilame, jornalisticamente a matéria está muito boa. Só uma ressalva: creio que você poderia ter omitido o nome da Universidade Estadual de Londrina ao descrever o perfil de N.P.D. A instituição de ensino nada tem a ver com o usuário e a imagem negativa acaba repassando a ela tb por tabela. Não colocar nominalmente o nome da instituição não interferiria em nada no teor de toda a matéria. Só faria sentido se as drogas fossem consumidas ou comercializadas dentro da universidade. Abraços, garoto

Nanda Lima disse...

Ah, se a juventude lesse isso, :-)