terça-feira, 30 de setembro de 2008

Política burra*

Wilame Prado A reunião finalmente fora marcada: dia 18 de setembro, às 19h10. Só faltava, agora, o apoio necessário dos discentes. E, para surpresa de muitos, alunos do curso de Comunicação Social (Jornalismo e Publicidade e Propaganda), de uma faculdade de Maringá, lotaram a sala e participaram ativamente da assembléia de fundação do Centro Acadêmico de Comunicação Social (CACS). Pelo fato de não haver registros de centros acadêmicos fundados por alunos, os boatos contados pelos corredores eram de que sempre existira uma forte repressão por parte da instituição, que não apóia e nunca apoiou este tipo de organização política na academia. Mesmo assim, o CACS nasceu. Reclamações a parte, fato é que os alunos devem comemorar esta conquista política. Afinal, reivindicar ou simplesmente se abstrair do processo é fácil. Difícil mesmo é conseguir se organizar e lutar por seus direitos dentro de uma instituição de ensino, ainda mais sendo particular. Como foi bonito ver aqueles estudantes interessados em mudar o que consideram errado no curso. Muitos deles, escolhidos democraticamente por meio do voto, disponibilizaram-se a atuar na gestão provisória do CACS, que ficará no pleito até abril de 2009, período em que haverá eleições para a escolha de uma nova chapa. Ter consciência política talvez seja um dos maiores desafios do nosso País. Só assim, finalmente escolheremos os candidatos sérios e compromissados em atender as demandas da população, esquecendo-se dos interesses individuais ou de pequenos grupos privilegiados da sociedade. Mas, infelizmente, percebe-se que há, por parte das pessoas, um verdadeiro deboche quando o assunto é política. E a culpa desse descaso vem da maioria dos administradores públicos que, no palanque, são hipócritas, e no cargo, são corruptos. Esse desinteresse pela política não acontece apenas em classes mais desfavorecidas. Quando do surgimento do CACS, na faculdade, em que grande parte das pessoas tem poder aquisitivo médio ou alto, não foram poucos os alunos que simplesmente ignoraram ou desmereceram o centro acadêmico. Até professores pareciam estar desacreditados com o êxito dessa luta. Seria um reflexo do momento pobre das campanhas políticas exercidas pelos prefeituráveis de Maringá? A escassez de debates, as propostas utópicas, a lengalenga nos discursos, os “laranjas”, a demagogia, os processos judiciais nas costas, tudo isso não estaria desmotivando de maneira geral a população? Certo estava Bertold Brecht (1898-1956), poeta e dramaturgo alemão, ao escrever o excelente texto “Analfabeto Político”: O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. *Parte desta crônica publicada no jornal O Diário do Norte do Paraná, dia 23 de setembro, na coluna Crônico Crédito da imagem: http://users.ez2.net/louetta/packmule/Mula%20Lisa.JPG

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A memória do 11 de setembro*

Wilame Prado Era uma terça-feira comum. Logo pela manhã, um sol agradável batia nas janelas da sala de aula, no colégio Gastão Vidigal. Eu e meus amigos estávamos divididos entre assistir uma aula chata de Química, com uma professora esquisita, ou, como era de costume, matar aula e ir andando até uma padaria próxima ao Colégio Nobel, só para comer as famosas baguetes de frango que vendiam por lá, acompanhadas de cocas-cola daquelas com embalagens de vidro, bem geladas. A fome falou mais alto do que os alcalóides e os grupos de carbono. De barriga cheia, nos dirigimos ao ônibus fretado, que mais tarde nos levaria de volta para Santa Fé, cidade próxima de Maringá. Ainda demoraria pelo menos mais uma hora para dar o horário da saída, por isso, e como também era de costume, estávamos já arrumando o baralho para jogar truco com o Cidão, motorista do ônibus. Mas, as imagens transmitidas pela televisãozinha do ônibus fizeram com que as deliciosas baguetes de frango se transformassem em indisposição intestinal. Parecia filme, mas era, na verdade, o plantão de notícias da Globo mostrando um prédio altíssimo, lá nos Estados Unidos, desabando. Tinha um menino dentro do ônibus, desesperado, dizendo que, com certeza, aquilo seria o início da 3ª Guerra Mundial. Mais tarde, descobri que estava assistindo, ao vivo, ao ataque nas torres gêmeas, o famoso Desastre de 11 de setembro. E hoje, nesta crônica, lembrando que na quinta-feira passada completaram-se sete anos desse dia terrível, em que mais de 3.000 pessoas morreram, venho a refletir sobre nossa posição neste mundo como agentes sociais, transformadores e gerentes dos fatos históricos. O desastre de 11 de setembro será matéria da prova de História para muita gente, durante sabe-se lá quantos anos. Talvez, até no dia em que os arquivos audiovisuais das tevês serem queimados e novos historiadores dizerem que tudo não passou de uma lenda. O fato é que presenciamos e fazemos parte deste desastre marcante, ocorrido nos Estados Unidos, pois, invariavelmente, o mundo todo sofreu as conseqüências com a ira de Bush e seus comparsas, na suposta luta imbecil contra o terrorismo. Talvez, na época, por ser ainda um adolescente meio voado, minha maior preocupação era simplesmente com a partida de truco adiada. E, junto da incrível imagem daquelas torres infinitas indo ao chão, em minha mente, a azia daquela baguete de frango e o garoto desesperado anunciando a 3ª Guerra Mundial são lembranças que não irão se apagar tão cedo. Mas, e você? Já parou para pensar o que estava fazendo justamente no momento em que a soberania norte-americana foi abalada com o desabamento das torres? *Crônica publicada dia 16 de setembro na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná Crédito da imagem: http://www.tms.org/pubs/journals/JOM/0112/Eagar/fig1.gif

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Associação Comercial avalia Feira Ponta de Estoque*

Wilame Prado Muitos são os maringaenses e moradores de municípios da região que esperam praticamente o ano todo para fazer uma grande compra de roupas ou calçados na Feira Ponta de Estoque de Maringá que, este ano, ocorreu entre os dias 16 e 19 de julho, no Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro. Isso porque, como apontou pesquisa realizada com mais de 600 pessoas, entre consumidores e comerciantes, um dos principais atrativos é o preço bem abaixo do praticado em lojas da cidade, com descontos de até 70%. Essa pesquisa foi divulgada na reunião de avaliação da feira deste ano, ocorrida dia 9 de setembro, e que contou com a participação de representantes da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM), da ACIM Mulher, da FundACIM, bem como de fornecedores, parceiros e expositores da feira. O supervisor de eventos da ACIM, Miguel Fernando, que participou da reunião, conta que, entre outros resultados, a pesquisa também apontou uma média de 62% de satisfação da feira deste ano. Com os resultados positivos, ele adianta que, embora ainda não esteja no papel, alguns planos já estão sendo traçados para a feira do ano que vem. Um desses planos é o de (caso continue a grande procura de comerciantes por compras de estandes na feira) alocar mais um galpão do parque de exposições para aumentar a variedade e a opção de escolhas de produtos pelos consumidores. “Existe uma grande fila de espera de estabelecimentos comerciais que gostariam de participar da feira. Vamos tentar atender o maior número possível de comerciantes, aumentando o espaço. Mas, mesmo assim, será pouco provável que todos conseguirão comprar estande, pois a fila de espera é bem grande”, afirma o supervisor de eventos. Os resultados divulgados na reunião, como afirma Fernando, foram satisfatórios. Porém, nem todos que participaram da feira saíram contentes. A arquiteta Vania Costa Gusmão, que compareceu no primeiro e no último dia da feira deste ano, relata que comprou um casaco por R$ 50, preço considerado caro por ela. “Não achei nada que valesse a pena pelo preço. Em anos anteriores, já encontrei mercadorias ótimas e super baratas”, diz a arquiteta, que também reclama da falta de variedade e do grande número de pessoas na feira. Mesmo reclamando, Vania admite que, em 2009, com certeza visitará a Feira Ponta de Estoque de Maringá. E sobre a alegação de que havia muita gente na feira deste ano, a arquiteta tem razão. Segundo nota do jornal O Diário do Norte do Paraná, cerca de 260 mil pessoas visitaram os 325 estandes da feira, de 179 empresas, que comercializaram artigos diversos, como calçados, confecções, bijuterias, lingeries, eletrodomésticos e perfumes.
Comerciantes doam artigos para entidades assistenciais O supervisor de eventos da ACIM, Miguel Fernando, afirma que assuntos ligados aos projetos sociais e ambientais da Feira Ponta de Estoque de Maringá também entraram na pauta da reunião do dia 9 de setembro. No aspecto ambiental, Fernando conta que, antes das feiras, é decidido pelo conselho da organização do evento qual empresa poderá ficar responsável pela coleta de todo o lixo reciclável. Este ano, a CooperMaringá (Cooperativa Maringá de Seleçăo de Materiais Recicláveis e Prestaçăo de Serviços) foi quem se responsabilizou pela coleta. Como projeto social, o supervisor de eventos diz que, horas antes de ser encerrada a feira, comerciantes dos estandes separam artigos de roupas, calçados e outros produtos vendidos na feira para doação, que é direcionada a duas ou três entidades assistenciais de Maringá. “Conseguimos arrecadar um número muito grande de doações feitas pelos comerciantes que participam da feira. Lembrando que essas doações não são restos ou artigos que não serviam para a venda. São produtos que estão em perfeito estado de conservação e que podem ajudar pessoas carentes de Maringá”, conta Fernando. Ainda no âmbito social, de acordo com matéria publicada no site da ACIM, os organizadores da feira, assim como em edições passadas, entregam à Secretaria Municipal de Ação Social e Cidadania (Sasc) a administração do estacionamento para os visitantes, que destina toda renda obtida para projetos que beneficiam à população. *Matéria publicada na Agência de Notícias Megafone

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O dia em que Maringá virou praia*

Wilame Prado Sabe o Robinho, aquele jogador que marcou um dos três gols do Brasil contra o Chile no último domingo, que pedalou incrivelmente oito vezes para cima do lateral Rogério do Corinthians na final do Brasileirão de 2002 e que, depois de Pelé, é o maior ídolo do alvinegro praiano? Pois é. Ele já jogou em terras, ou melhor, em gramados maringaenses, no estádio Willie Davids. Foi um domingo de sol forte e pouco vento, dia 7 de agosto de 2005. Na época, ainda morava na pequena Santa Fé, distante uns 50 quilômetros de Maringá. Com amigos, alguns santistas, outros apenas apreciadores do bom futebol santista, enfrentamos um início de trânsito na Colombo e nos assustamos, afinal, era apenas um Santos x Paraná. Os bares ao lado estavam lotados, e muitas crianças, jovens e idosos, a maioria vestindo o manto branco sagrado, caminhavam rumo aos portões de entrada, por entre vendedores ambulantes de faixas, bandeiras e camisas falsificadas. Para tomar uma cerveja, era preciso colocar no copão e deixar o casco no boteco. Parecia dia de vestibular da UEM quando beber ainda permitido, sem lei seca na Zona 07. Como foi boa a sensação de saber que todos ao seu lado torciam pelo mesmo time. A paz, representada pelo branco das bandeiras e pelo amarelo das bexigas, era um estado de espírito em comum para a nação santista. Naquele dia, Maringá virou praia e a impressão era de que, um pouco mais para frente do estádio, assim como na Vila Belmiro, iríamos encontrar o mar de Santos, mais ou menos onde fica a avenida Brasil. Já dentro do estádio, a emoção foi grande de saber que houve recorde de público, superando as torcidas de Corinthians e São Paulo, que também jogaram no Willie Davids contra o time da capital paraense. Não foi fácil ficar no sol uma hora e meia antes de começar a partida e mais duas horas até o seu final. O jeito era se distrair cantando junto da Torcida Jovem os poucos hinos ensaiados. Quando a voz acabava, as palmas contribuíam. O menino Robinho também não estava gostando daquele verão fora de época em pleno interior do Paraná. O danado não jogou tudo o que sabia naquele dia, que seria seu último jogo com a camisa do Santos, depois de ser transferido para o Real Madrid. O camisa 7 ficou grande parte do jogo em uma sombra, que encobria uns 30% do gramado, com as mãos na cintura, esperando um contra-ataque. O alvinegro praiano sofreu para arrancar um empate contra o Paraná. Com passe de Robinho, aos seis minutos do segundo tempo, o “vovô” Basílio foi quem conseguiu desentalar da garganta de vinte mil santistas o grito de gol. Pena que, atualmente, esta simples palavra, com apenas três letras, tem sido gritada muito raramente pelos santistas, e, em quase todas as vezes, acompanhada com o nome de um dos únicos bons jogadores do elenco: Kléber Pereira. Diferentemente dos tempos áureos de “Diego toca a bola, Robinho deita e rola”, hoje o Santos luta para não sofrer o rebaixamento. Nas últimas rodadas, respirou um pouco, mas o grande desafio será manter o ritmo bom de jogo que vem apresentando nas partidas. Hoje, o menino que jogava bola na praia, e que sonhava um dia ser igual ao ídolo Pelé, ganha milhões, já é pai e continua dando alegria, só que com os gols vestindo a camisa amarela da Seleção Brasileira. O engraçado é que, mesmo estando longe, o grande craque Robinho parece ter dado uma tremenda força para que o Santos não jogue a segunda divisão do Campeonato Brasileiro ano que vem. Com sua transferência para o Manchester City, alguns milhões de dólares entrarão na conta do clube, que não sofrerá com falta de dinheiro por ter recusado as propostas de vendas dos jogadores Kléber, Rodrigo Brum e Fabiano Eller, peças importantes no elenco atual. Quando for bem mais velho, Robinho, já barrigudo e com vários casos polêmicos relatados na imprensa, voltará a vestir a linda camisa branca que o consagrou como grande jogador de futebol e se orgulhará em dizer que o clube de seu coração, o glorioso alvinegro praiano, ao contrário da maioria dos rivais, ainda não caiu para a segundona. *Parte desta crônica publicada no jornal O Diário do Norte do Paraná, dia 9 de setembro, na coluna Crônico
Crédito da imagem: http://www.gazetaesportiva.net/entrevista/futebol/imagens/ent147_robinho.jpg

2º lugar em IV Concurso Nacional de Contos de Cordeiro

Acabo de receber a notícia, via e-mail, que fiquei em segundo lugar no Concurso de Contos de Cordeiro Troféu Machado de Assis. O conto medalhista de prata se chama Charlene Flanders, que voava em seu guarda-chuva roxo, mudou minha vida. Em breve, publico o conto aqui no blog. Com este conto, também ganhei uma menção honrosa no Concurso de Literatura Vitavision, que prometeu publicá-lo em livro com outros contos. Para quem quiser conferir os demais ganhadores, acesse aqui.

"Baladas" podem fazer mal, dizem médicos*

Jovem que diz consumir álcool desde os 9 anos e drogas desde os 17, afirma que com 12 já ia às danceterias

Na imagem, litro de pinga tatuado no rosto de usuário de drogas

Wilame Prado

Freqüentar casas noturnas é uma das maneiras que diversos jovens têm de buscar diversão. Podem dançar, ouvir música, reencontrar amigos e até paquerar, sem necessariamente prejudicar a saúde. Mas o uso de drogas, bebidas alcoólicas e cigarros, hábitos comuns em "baladas", compromete a saúde desses jovens, que inclusive correm risco de sofrer danos irreversíveis. É o que explica a psiquiatra Ingrid Bayer Marcantonio: "Com o constante uso de drogas e bebidas alcoólicas, o cérebro pode atrofiar em razão da morte neuronal, prejudicando a capacidade de raciocinar e memorizar da pessoa". De acordo com a psiquiatra, o fato de o jovem ver outras pessoas consumindo drogas e bebidas alcoólicas pode influenciá-lo a usar também. "Aqui em meu consultório tenho diversos casos de jovens que começaram a usar drogas ou a beber em casas noturnas. O meio pode favorecer esse uso, mas não é só isso. A predisposição genética e a personalidade de cada um também influenciam bastante", argumenta. O uso do cigarro também é comum em casas noturnas e acaba prejudicando não apenas o fumante, mas também quem está próximo dele. A médica pneumologista Adriane Mesquita Petruco conta que é comum receber em seu consultório jovens se queixando de problemas respiratórios depois de ter freqüentado uma "balada". "Na maioria das vezes, os jovens já têm um histórico de problemas respiratórios, mas quando vão a uma casa noturna passam muito mal. Os sintomas geralmente são ataques de asma, rinite, nariz trancado ou escorrendo, tosse e peito chiado." Na opinião da pneumologista, os tabagistas acabam fumando em maior quantidade em casas noturnas, e os que não fumam podem ser influenciados a experimentar o cigarro. "Na roda de amigos, com o bate-papo e com o consumo de bebidas alcoólicas, o tabagista acaba fumando mais do que o de costume. E o que não fuma, vendo outras pessoas fumarem, e muitas vezes convidado a experimentar, também não resiste." N.P.D tem 19 anos e faz Comunicação Social na Universidade Estadual de Londrina. Ela conta que pelo menos duas vezes por semana freqüenta casas noturnas, mas nem por isso fuma ou usa drogas. "Na minha turma de amigos, ninguém usa drogas e poucas pessoas fumam. Agora, bebida alcoólica sempre rola, principalmente caipirinha, vodka e cerveja. Às vezes fico de ressaca, mas o pior mesmo é ter de enfrentar o sono no outro dia." P.F.S, 25, usa drogas há oito anos e consome bebidas alcoólicas desde os 9 anos de idade. O jovem, que atualmente não trabalha e nem estuda em razão de ter sido preso por três vezes, revela que é um assíduo freqüentador de "baladas" desde os 12 anos, quando ainda tinha de ir às matinês para menores. "Sou alcoólatra e gosto de fumar meus baseados por aí. Só consumo ácido e êxtase em baladas, pois os movimentos ficam sem noção e as pessoas no dia-a-dia podem perceber", conta P.F.S, que diz já sentir alguns malefícios das drogas, como dores no corpo quando não fuma crack e nervosismo quando fica sem beber por mais de um dia. O jovem diz estar tentando parar de usar drogas, mas confessa ser muito difícil. "Freqüento o Narcóticos Anônimos e pretendo um dia abandonar as drogas, mas é complicado. Não as recomendo para ninguém, principalmente o crack que, na minha opinião, veio para destruir o mundo."

*Matéria publicada no jornal Matéria Prima ano passado

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Um novo trampo: Agência Megafone

Como faço jornalismo, tenho uma disciplina chamada Jornalismo e Internet. Depois de ver algumas teorias acerca da cibercultura e linguagem jornalística na internet, chegou a hora de colocar algumas coisas em prática. Por isso, eu e o restante de sala estamos atualizando o site de notícias chamado Agência Megafone. Para quem quiser ler minha matéria desta semana, clique aqui. Nela, falo sobre os 3 shows que vão rolar no A Base amanhã. Publiquei também a entrevista que este blog já deu há algum tempo com o vocalista da banda Charme Chulo. Sugiro que leiam também a boa matéria escrita pelo meu amigo e apresentador do programa Garagem, Thiago Soares. Ele dá dicas de como consumir literatura sem gastar muito. Confira aqui!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Marçal Aquino, sua literatura geniosa e um jornal chamado Rascunho

Rapaz, se sabe que eu não sabia o quanto o tal do Marçal Aquino escreve bem. Nunca tinha lido nada dele, a não ser críticas boas de jornalistas. Mas, depois de assistir um dos melhores filmes brasileiros, em minha opinião, O Cheiro do Ralo, em que Aquino trabalha como roteirista, deu-me aquela vontade de desbravar a literatura do barbudo. Não tenho dinheiro para comprar livro sempre que posso, por isso estava esperando o momento mais oportuno para adquirir alguma obra dele. Mas tive a sorte de descobrir um grande jornal de literatura, chamado Rascunho, e que, coincidentemente neste mês trouxe um conto de Marçal Aquino. O cara escreve de maneira simples, ao mesmo tempo geniosa, pois, sei lá, percebe-se uma literatura bem trabalhada, que respeita a língua e que, ao mesmo tempo, traz umas sacadas fantásticas. Para quem quer assinar Rascunho, custa somente R$ 50 por ano, com direito a um jornal por mês. Para os que não tem nem R$ 50, assim como eu, lê na caruda o site do jornal, que traz quase tudo do impresso aqui. E para quem quiser ir direto para o conto do grande Marçal Aquino, é só clicar aqui. Abaixo, um trecho deste belo conto chamado Pouca Munição, Muitos Inimigos - Marçal Aquino "...Hoje é quarta-feira e eu daria um braço por um café de máquina. Um doce de padaria. Comida feita na hora. Hoje é quarta-feira, nono dia do nosso desterro, e o cheiro do quarto se degrada de um jeito preocupante. Suor, chulé e outras emissões menos nobres. Às vezes falta água e aí o banheiro se torna território interditado. A comida não ajuda, nossos intestinos protestam todos os dias. Por enquanto, nada a fazer. Vamos continuar engolindo a gororoba vil servida pelo hotel a preço de caviar. Todo movimento desnecessário deve ser evitado. É o que diz o manual de sobrevivência..."

Sobre seminários e professores

Descobri porque as professoras pedem para os alunos apresentarem seminário. Pelo fato de, nos tempos de hoje, dificilmente algum docente ter o pleno controle da sala, a alternativa é botar os dicentes na roda viva. Além disso, desestimulados com a falta de interesse pelos que estão assistindo aula, apelam para os seminários na esperança de que algum conteúdo, assim, possa ser repassado. O que é difícil, na minha opinião, pois, raro é ver um seminário apresentado por alunos que traga algo de bom, de diferente do que está escrito no Wikipédia. Mas, tem um lado positivo: é só na prática que se vê o quanto é difícil ensinar algo para alguém que não está nem aí para a paçoca. Por isso, pela senhora Ana Maria, minha mãe e professora, que respeito muito, por todas as professoras que já passaram pela minha vida, desde a madre do prezinho até as "prof-amigas (os)" da facul é que digo: a profissão mais bela desse mundo é a de professor! Parabéns a todos, pela insistência diária, pela busca do conhecimento, pelo desejo de repassar conhecimentos. Se tivesse eu seguido a faculdade de História, hoje seria um professor de ensino médio, com salário baixo, deprimido e totalmente desmotivado, pois, com certeza, não conseguiria repassar o pouco conhecimento que tenho. Só lembrando que hoje não é Dia dos Professores.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Disputa de olhares*

Wilame Prado
Eu não consigo entender porque aquele garoto olha tanto para mim. E de uma maneira descarada, sem escrúpulos, deixando claro a todos da sala de espera do dentista que, a qualquer momento, poderei ser queimada por chamas de um olhar em brasas ferventes. Embora nunca tenha dificuldades em arranjar paqueras, não me considero bonita, apenas sei me vestir e me perfumar. O ditado que diz que gente rica não fica feia é correto, afinal, por trás dessa minha maquiagem, desse meu perfume importado, da roupa de grife e cheia de decotes, há apenas uma mocinha magra, com marcas de expressão, causadas por anos de cursinhos pré-vestibulares. E medo, muito medo. O que será que tanto atraiu o rapaz, que não pára de me olhar? Será o decote, mostrando a saliência dos meus peitos de silicone? Ou será o corte baixo de minha calça jeans, que deixa a mostra meus delicados e raros pelos desoxigenados, contrastado com o meu bronze artificial? Só pode ser algo relacionado a sexo, pois os homens só pensam nisso, mesmo quando dizem ‘eu te amo’. O rapaz até que não é de se jogar fora. Tem um rostinho de bebê, não é musculoso, mas tem boa postura. E não pode ser pobre porque estamos no dentista mais caro da cidade. O problema é que estou me sentindo mal com essa obsessão do seu olhar. Parece que tem algo de errado comigo, do tipo papel higiênico grudado no bico do escarpam ou aquelas malditas rodelas de suor que insistem em aparecer na região das axilas. Já sei! Vou ao banheiro e faço uma vistoria geral, só assim ficarei aliviada e poderei observar se o seu olhar vai me acompanhar quando eu levantar e andar. Como sou burra! É claro que ele vai olhar - os homens averiguam todos os requisitos que uma mulher tem e está faltando ele ver minha bunda. Confesso não gostar dela porque acho que falta um pouco de sincronia entre as duas nádegas. Sou profundamente complexada por isso e há dois anos faço terapia. É melhor não levantar. E se ele vier conversar comigo? Se eu ficar encabulada, vai dar impressão de que eu não sou acostumada a receber esses tipos de cantadas baratas. Mas se eu agir de maneira natural, ele pode achar que sou fácil e que adorei o fato de ele ter vindo conversar comigo. Um chopinho mais tarde na praça de alimentação do shopping cairia bem para tentar esquecer o crápula do Edu, meu ex-namorado, que só me procura para falar do som novo que colocou no carro ou dos centímetros que seu braço cresceu. Como é tolo. Está demorando tanto para eu ser atendida, mas bem que ele podia ir primeiro para não me ver de pé. Qualquer coisa, pergunto para a secretária o seu nome e o que ele faz, só para matar a curiosidade. Nossa! A perua que entrou no consultório chamou atenção de todos com a sua extravagância. Acho que colocou mais gramas de silicone no peito do que eu. Não sei para quê passar tanto perfume só para ir ao dentista. E, em plena luz do dia, com esse lápis no olho. Será que devo informá-la de que aqui não é balada? Que descarada. Está comendo com os olhos o garoto que estava olhando para mim. Só falta dar para ele de uma vez, aqui mesmo, no meio do consultório. Perua. E ele já nem olha mais para mim, cachorro. Fiquei às traças e agora parece que os dois riem da minha cara por telepatia. Eu sempre digo para as minhas amigas que homem é tudo igual, só pensa em bunda mesmo! Tenho que conversar com meu cirurgião plástico. Com meu psicanalista também. Ai que saudade do Edu. * Grande parte desta crônica foi publicada no jornal O Diário do Norte do Paraná, dia 2 de setembro, na coluna Crônico Crédito da imagem: http://imagem.vilamulher.com.br/temp/maquiagem-trabalho-050508.jpg