quinta-feira, 15 de maio de 2008

Sobre filosofia e André

Wilame Prado

Meu grande amigo André Dias praticamente nasceu dentro de um bar. Durante seus vinte e poucos anos, ele foi curtindo no ambiente impudico e escachado de bares pelo Paraná, entre Palmas, Curitiba, Maringá e região.

André é filósofo desde sempre. A expressão filósofo de mesa de bar vem dele. Mas André não é um simples filósofo de mesa de bar. Ele leu os clássicos da filosofia e praticamente reescreveu em pensamentos e prosas tudo o que o Nietzsche quis dizer em “Assim falava Zarastruta”.

Por cargas d´água, André resolveu se prostituir um pouco com o jornalismo. Já são quatro anos de vida desregrada na graduação lasciva, o que em pouco tempo lhe presenteará com um bonito diploma mágico, obrigando a todos seus patrões pagarem, no mínimo, R$ 1 barão e R$ 800.

Mas André é um cara que não liga muito para o dinheiro, a não ser quando falta para beber. Não é raro ele abdicar de seu jantar a base de steak de frango e arroz de microondas para tomar o último e importante gole da noite.

Este ano, André, para descontrair o ambiente, resolveu prestar vestibular em uma universidade pública para realmente comprovar que as particulares são uma bosta. Por divindade e, segundo ele, por burrice dos demais, passou em primeiro lugar sem estudar uma linha sequer. Então, hoje também brinca de filosofar com os professores da UEM, que no fundo sabem que ele não precisava ficar todas as tardes dentro daquela sala quente de aula para apreender que, segundo os gregos e troianos, 2+2 = 5.

André, acima e abaixo de tudo, é um cara legal. Ele é humilde, como não poderia ser diferente, e sabe apreciar uma boa arte fílmica, literária ou boêmia. É um grande parceiro que prefere as sombras de um guarda-sol aos holofotes brilhantes que anunciam a bombástica balada.

O filósofo e grande amigo André não gosta de tomates. Segundo ele, esse não gostar de tomates é a explicação científica pela preferência da negativa quando o assunto é tabagismo. Mas, diferentemente dos normais, André não se importa se outros fumam ao seu lado, só torce para que o pulmões deles não se apodreçam tão rapidamente.

Em poucas sentadas em cadeiras amarelas e geladas dos bares, pude aprender muitas coisas com o amigo André. Aprendi que a vida não é tão radiante assim; percebi que não é feio perder e finalmente achei uma pessoa que consegue enxergar o podre de tudo quanto é coisa que está brilhando demais, encaixado ao extremo.

Crédito da imagem: http://tiurine.weblogger.terra.com.br/img/pensar.gif

2 comentários:

tiagosp7 disse...

Acredito que na vida aprendemos com tudo (absolutamente tudo) e com todos, a todos os momentos.. o mais engraçado é que ainda sim me surpreendo certas vezes com o que acabo de aprender!! Aprendi também que uma das coisas mais difíceis de se aprender, é de aprender a aprender.. que aliás ainda estou aprendendo!!
abraço Wil!

Finito Carneiro disse...

Putz!
Uma maravilhosa ode à um amigo!

Eu também tive o prazer de dividir uma mesa de bar com essa cabeça pulsante de Maringá.
Nem o sofá da Hebe é melhor...