sexta-feira, 23 de maio de 2008

"Charme Chulo representa o rock caipira, o choque de culturas, de classes sociais extremamente opostas e diversas"

Wilame Prado

Conforme anunciado neste humilde blog, a banda Charme Chulo se apresentou na noite amena da sexta-feira (16) no Tribo´s Bar. Para ser breve, eu, testemunha ocular do show, confesso que foi uma experiência gratificante ouvir essa banda que mistura guitarra e viola, emoção e humor, sarcástico, diga-se de passagem, e muita qualidade musical.

Vale destacar que Igor Filus, vocalista da banda, exala criatividade com sua performance no palco. Ora com um pandeiro meia-lua na mão, ora apenas com sua criatividade, o cantor dava vida às letras que seguiam na baladinha harmoniosa produzida pelo guitarrista-violeiro Leandro Delmonico, pelo baixista Peterson Rosário e pelo batera Marginal Rony Jimenez. Todos, é claro, vestido a caráter, no modo simples de ser dos roceiros.

E como prometido, Igor respondeu às minhas perguntas. Por isso, abaixo, confira entrevista exclusiva com o vocalista do Charme Chulo e saiba mais sobre essa banda independente que vem ganhando, gota a gota de suor, seu merecido espaço no cenário musical brasileiro, veja quais são os objetivos da banda e descubram da onde vem a dança de Igor e outras particularidades:

A Poltrona: Por que o nome Charme Chulo?

Igor: Ao contrário do que muitas bandas fazem, nós um dia não abrimos simplesmente o dicionário (pela primeira vez na vida) e encontramos um nome aleatório "legal". Charme Chulo é exatamente o universo que a banda se propõe a explorar em seu trabalho. Em mais palavras, Charme Chulo representa o rock caipira, o choque de culturas, de classes sociais extremamente opostas e diversas, é a capital do Paraná com seu charme “europeu” que mal consegue disfarçar sua chulice e fragilidade cultural. É o amor pra todo mundo nos tempos de Internet, é o esgotamento da arte, da New Rave exprimindo um total non sense, um tempo do extremo da inversão de valores.

A Poltrona - Da onde veio inspiração para dançar daquele jeito, Igor? Rodrigo Amarante?

Igor: A inspiração vem deste mesmo universo Charme Chulo. Primeiro, sinto o beat, a melodia, e danço. Às vezes tento dançar como se fosse um tio curtindo uma pista de dança com show de rock. Nós temos influências de punk rock 77 e de bandas pós-punk, da maneira como eles sentiam o mundo e passavam aquilo nos shows. Se me assemelho com Rodrigo Amarante dançando deve ser porque ele é meio “tiozão”!

A Poltrona - É verdade que vocês têm raízes aqui em Maringá?

Igor - Eu, vocalista, e o Leandro, violeiro, somos naturais de Maringá. Não moramos há muitos anos na cidade, mas sempre voltamos pra visitar familiares. Então, nossa ligação com a cidade é um tanto quanto forte, inclusive culturalmente falando.

A Poltrona - Qual foi a sensação de aparecer em rede nacional, na MTV?

Igor - É especialmente boa em se tratando de estar mostrando o trabalho do Charme Chulo para muitas e muitas pessoas. É algo básico para o trabalho que fazemos e que queremos continuar a fazer.

A Poltrona - O que, no momento, os integrantes estão ouvindo em seus mp3s?

Igor - A banda é muito eclética, é difícil dizer o que se ouvi especificamente, ainda mais hoje em dia onde temos tanto acesso à informação pelo computador. Bom, mas ouvimos músicas juntos em nossas viagens de shows: a maioria são as mesmas influências musicais da banda. Eu não ouço música em Mp3 player, já estou virando um “tiozão” mesmo, hehe, não acompanhando mais a evolução da tecnologia, compro alguns cds ou baixo músicas e gravo cds pra ouvir no rádio de casa ou do carro.

A Poltrona - "...os casais só se preocupam com eles mesmos...". Você é casado, né Igor? O que acha desse trecho da música?

Igor - Sou casado sim e procuro não me preocupar só comigo mesmo. Fiz essa letra antes de me casar, no meu tempo de solitário e celibatário ainda, mas mesmo casado continuo concordando com ela totalmente. Também não acho que letras de músicas são feitas pra serem entendidas e seguidas ao pé da letra, são poesias e são sempre simbólicas. E o que eu disse na letra foi: “Não quero me casar” não disse que não ia me casar... e falo sobre o que tristemente em geral acontece quando você casa, tem filho, forma família, etc... seu existencialismo todo fica pra trás ou como gosto de dizer, você transfere seu existencialismo todo para seu filho, que será agora sua preocupação maior.

A Poltrona - Quais são os sonhos do Charme Chulo?

Igor - Ser uma banda realmente representativa na história do Rock Nacional oriunda do estado do Paraná e de sua capital, Curitiba; desenvolver e afirmar nosso universo com uma enxuta e bela discografia (podendo viver só da banda, ainda não conseguimos essa proesa); e por fim, quem sabe, transformar a música caipira de raiz em um estilo tão cult e respeitado devidamente como o samba o é no país todo, por exemplo.

A Poltrona - Por que fazer música?

Igor - Pra ser humano.

A Poltrona - Esse estilo que mistura moda de viola e rock é inédito ou vocês se inspiraram em alguma banda?

Igor - Pra gente ele é inédito e foi concebido a partir deste ineditismo, ou seja, com a mistura em si não sabíamos em que resultado chegaríamos, ao menos, no início da banda. Nossas inspirações são tão distintas como os estilos que misturamos.

A Poltrona - O público da banda pode sem amplo, tanto dos "tios" que curtem a moda como dos "jovens" que curtem o rock. Isso é bacana, não?

Igor - Hoje acreditamos realmente que sim e achamos isso um barato, nos honramos muito de conseguir um público assim, cruzando perfis distintos de idade e pensamento, mas que apresentam algo em comum.

A Poltrona - Vocês gostam do público de Maringá?

Igor - Adoramos o público maringaense, não só por termos conterrâneos da cidade na banda (dois integrante), mas por ser uma cidade de cultura regional caipira fortíssima, paranaense, assim como a música do Charme Chulo. Posso dizer que gostamos tanto de Maringá que poderíamos tranqüilamente ser uma banda daqui. Quem sabe um dia façamos discos morando na cidade pra usar essa inspiração toda.

A Poltrona - Vocês se vestem de caipiras o tempo todo ou só quando fazem shows?

Igor – Sinceramente, no show damos uma pesadinha no visual pra comunicar melhor o som da banda, temos o nosso lado teatral sim. Mas, minha mulher, que é curitibana, se assusta às vezes comigo em dias normais.

A Poltrona - Esse estilo permanecerá ou vocês pretendem direcionar o som de vocês para o rock ou para moda sertaneja?

Igor - Não sabemos dizer ainda, a longo prazo, o que pode acontecer com a gente. Mas sabemos que no segundo disco, e estamos aprontando ele para lançar ano que vem, a proposta musical principal é afirmar a influência de música caipira no som do Charme Chulo. Então, podem aguardar com certeza uma Moda de Viola para este disco, além de outras surpresas do gênero.

A Poltrona - Aproveitem esta questão para dizer o que quiserem. Se for da vontade, pode até xingar o entrevistador! Sugiro que aproveitem ela para vender o jabá, com telefone para contato, e-mail, blablablasss.

Igor - Agradeço em especial ao público maringaense, não só pelo entrevistador ser de lá também, mas pela empatia sincera e especial mesmo que temos por essa inspiradora cidade!!!

Site: www.charmechulo.com.br

Myspace: www.myspce.com/charmechulo

Fotolog: www.flickr.com/photos/charmechulo

Youtube: www.youtube.com.br/charmechulo

Trevo Digital (Loja de mp3): www.trevodigital.com.br/charmechulo

Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1212749

Crédito das imagens: Peguei no flickr da banda

4 comentários:

Bulga disse...

Coloquei você no MEME. Confira no meu blog. O meme funciona assim: 1- Pegue o livro mais próximo, com mais de 161 páginas. 2- Abra o livro na página 161. 3- Na referida página procure a 5.ª frase completa. 4- Transcreva na íntegra para o seu blog a frase encontrada. 5- Passe o desafio a cinco blogs)

mouse disse...

Ótima entrevista!

Parabéns para a banda e pela reportagem! A poltrona sempre recebendo pessoas ilustres da sociedade chula a qual presenciamos!

tiagosp7 disse...

Essa história de "rock caipira" achei bem interessante, melhor que muito caipira e muito rock (que se denomina rock pelo menos) por aí. Bela entrevista Wil, abração!!

Túlio disse...

Uma das minhas bandas preferidas de Curitiba e do Paraná!

Que Dominem o Brasil, Chulos!