quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O medo do amanhã deve ser amenizado com esforços de todos - pessoas físicas e jurídicas, governantes e cientistas

Wilame Prado

Os anos vão se passando e, inegavelmente, o mundo vai ficando velho, gasto pelo homem. Já houveram grandes preocupações no passado com o câncer de pele ou com a destinação do lixo virtual, causados por centenas de milhares de e-mails encaminhados e outras besteiras mais. Mas, o medo maior, o que está em pauta no momento, diz respeito ao aquecimento global, que, de acordo com especialistas, vai tornar o Planeta Terra um lugar insuportável em poucas décadas.

O homem, acostumado sempre a olhar somente seu umbigo, nem se importava com pesquisas de “cientistas malucos”, que profetizavam um desastre ecológico daqui a um milhão de anos. O fato de não estar vivo para ver, tranqüilizava o homo sapiens. Em contrapartida, no último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) da ONU, divulgado no início do ano passado, os agravantes do aquecimento global não serão vividos por nossos tataranetos, e sim por nós mesmos, daqui há dez, vinte, trinta anos. Em função disso, o homem passou a se preocupar mais, a mídia publica mais a respeito e está na moda, principalmente no meio empresarial, ser ecologicamente correto.

Toda serpentina e burburinho jogados no assunto é bom para que o processo de conscientização seja efetuado. O único problema é que, mesmo com os problemas já sentidos na pele – chuvas torrenciais fora de época, seca de três meses, furacões inéditos – o homem ainda fica muito no discurso e se esquece da praxes, mostrando na essência a cultura impregnada de burrice e preguiça que contamina os seres humanos.

No papel de pessoa jurídica, bom seria se as megas corporações adotassem posturas de consciência ambiental não apenas para vangloriar seu nome com jogadas de marketing, mas realmente para ajudar. Bom seria ver uma empresa abdicando de pelo menos 2% de seus lucros exorbitantes para diminuir ao máximo seus poluentes ou investir esse dinheiro em projetos concisos que claramente beneficiarão o meio ambiente.

Já como pessoa física, de início a conscientização parece ser utópica quando se pensa universalmente. Mas, aquela velha e correta história de que se cada um fizer sua parte o todo será beneficiado, é correta. Em tudo quanto é lugar ouvimos as dicas de conscientização: tome banhos mais rápidos, desligue o chuveiro quando for se ensaboar, desligue a torneira quando estiver escovando os dentes, não lave as calçadas nem os carros com mangueiras, não jogue lixo no chão, separe o lixo reciclável, prefira produtos orgânicos aos industrializados, não utilize sacolinhas de supermercados e tenha sua própria sacola permeável, dê preferência a empresas que praticam o desenvolvimento sustentável, enfim. Porém, pouco fazemos ainda. A cultura da preguiça ainda fala mais alto.

Para combater essa impregnação de pensamentos pequenos, é impossível somente por meio do livre-arbítrio. A consciência do homem ainda privilegia a si e não a comunidade. Por isso, uma das alternativas para tentar frear um trem-bala chamado aquecimento global, é necessário que haja pulso firme dos governos, metas e propostas de políticos que tenham envolvimento com o meio ambiente e criação de novas leis, até mesmo autoritárias se for preciso, para que o ser humano e suas organizações parem de fazer do globo terrestre uma simples pelota de futebol.

Na semana passada, mais precisamente nos dias 20 e 21 de fevereiro, mais de 100 parlamentares, de diversos países, reuniram-se em Brasília para debaterem sobre políticas de combate ao desenvolvimento global e as negociações do acordo que substituirá o Protocolo de Kyoto a partir de 2012. De acordo com a Gazeta Mercantil (edição on-line do dia 20 de fevereiro), os legisladores também tinham por objetivo formular documento com sugestões a serem apresentadas aos mandatários dos países que integram o G-8 - grupo das sete economias mais industrializadas e Rússia. Em julho, quando a próxima reunião do G-8 for realizada, no Japão, o documento será entregue.

Talvez um dos motivos pelo qual a reunião com mais de 100 “raposas políticas” de todo o mundo ter sido feita no Brasil, é pela nossa facilidade, devido ao clima, de produzir fontes alternativas de energia, como os biocombustíveis. A desconfiança é inegável, e o que tem por título ser uma reunião para o bem do mundo, pareceu ser reunião para o bem dos países ricos, viciados em combustível diferentes, já que o petróleo está se esgotando.

Na reunião anual da AAAS (Associação Americana para o Avanço das Ciências), que aconteceu em Boston (EUA), no dia 17 de fevereiro, uma das conclusões dos cientistas, segundo o jornal Folha Online (18 de fevereiro), é de que poder público e população devem unir forças para conter o aquecimento global, com a criação de políticas públicas. Uma das percepções menos óbvias, citadas pelo jornal, é de que os padrões climáticos estão tendo mudanças vistas a olhos nus, como a aceleração do degelo, principalmente na Groenlândia e na Antártida. De acordo com a Folha Online, esse degelo ameaça elevar os níveis do mar, com conseqüências ecológicas e territoriais desastrosas para muitos países com um litoral extenso e baixo.

O que se percebe é que a situação realmente é crítica e dessa vez as notícias não são circenses com intuito exclusivo de vender polêmicas e encher páginas de jornal. No ar, vê-se certo apavoramento entre população mal informada, que nem sabe ao certo o que é “desenvolvimento sustentável”, “efeito estufa”, “protocolo de Kioto”, entre outros termos, políticos ignorantes, sem saber o que fazer com o poder nas mãos, e, o que é pior, cientistas e estudiosos sem a solução para o problema, clamando apoio do poder público.

O futuro do Planeta Terra ainda é uma incógnita. Não sabemos se, nos tempos de hoje, pôr um filho no mundo é algo bom ou ruim, pois previsões menos macabras nos apontam para uma velhice tortuosa, em vivência limitada por escassez de recursos, como exemplo a água. Acabar com o aquecimento global é impossível, pois paga-se hoje pelo erro de milhares de anos. Mas, conter esse inimigo número um do mundo, talvez seja possível. Não adianta cada pessoa jogar para outra pessoa a responsabilidade. O problema é de todos: pessoa física, que pode muito bem economizar água, pessoa jurídica, que pode perfeitamente ganhar menos milhões e investir na proteção ambiental, governantes, que devem por obrigação estudar mais, dialogar com intelectuais e projetar novos caminhos priorizando o meio ambiente, e cientistas que, embora, principalmente no Brasil, tenham pouquíssimos recursos para pesquisar, devem, pelo menos, priorizar seus estudos para o bem público e não tentar ficar encontrando novas fórmulas para cosméticos milagrosos que acabam com rugas, desenvolvendo sementes transgênicas, clones ou sapos voadores.

Crédito da imagem: http://www.colegiosantosanjos.com.br/blog/foto_0012.jpg

2 comentários:

Mary disse...

Olá Prado! Muito bom seu texto! Infelizmente, as perspectivas são justamente essas, que como vc mesmo diz, um tanto macabras.
Faz tempo q vc se formou em Jor? Eu sou estudante de jor, estou no último semestre. Vamos ver o que dá.
Mas, que as borboletas no estômago incomodam, ah, isso incomodam!

Abraço! Até mais!

elaine disse...

É isso aí menino,vc esta crescendo a cada dia...
seus textos estao muito bons...
quem me dera um dia escrever como vc...
Voçe vai longe!!!
vc trabalha com varios assuntos em suas cronicas...
parabens