sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Sou apenas um menino

A morte está premeditada, infelizmente. A biópsia nem foi feita, mas o médico já dá o seu laudo: é maligno. O velhinho, agora com dez quilos mais magro, tem um sorriso sereno e uma fé inacreditável. Há dois anos, meu avô materno não resistiu a um infarto e morreu em uma tarde quente de novembro. Há quatro meses, um derrame voraz levou também meu pai, no dia internacional do trabalho, nada mais justo para um homem que nunca deixou de trabalhar. E agora seu pai, meu avô paterno, talvez não agüentando a dor de ver um filho tão novo em um caixão, desenvolveu um câncer no rim. Meus heróis estão morrendo; os líderes estão deixando os peões à deriva; não sei se tenho peito para encarar os dragões da solidão. Todos morrem, eu sei, mas como poderei viver sem meus pais, sem os homens que sempre me direcionaram? Qual é o melhor caminho a seguir, quem vai me ensinar a direção, quem vai dar as pistas? Eu quero encher de orgulho esses homens que tanto me auxiliaram para que eu fosse também um homem, mas eles estão morrendo e eu estou perdendo a inspirarão para ser motivo de orgulho. Todos me deixam e se esquecem que eu, na verdade, sou apenas um menino.

Um comentário:

J. ROBERTO BALESTRA disse...

Lindo desabafo de quem passa a ter noção epitelial do peso do termo PARA SEMPRE. Senti essa dura experiência em 2007 (pai) e 2006 (mãe).

Will, o bom marinheiro deve agradecer seu conceito às tempestades.

Seus amados pai e avô não o perderam de vista pelos caminhos deste Plano. Seguem com você, TODOS OS DIAS. Como diria JGRosa, eles não morreram; se encataram... abs