quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Musa do busão

Wilame Prado Oh musa do busão. tu, que és tão cabeluda-loira, tão cheia de carne em regiões eróticas de seu corpo, tão cheia de prata de bali por todos os braços, dedos e mãos, tão cheia de beleza, a ponto de ser destaque entre a multidão. Por que esse bico, então? Por acaso, nunca andaste de busão? É assim mesmo, um na frente outro atrás dois do lado e cinco d´outro lado apertado que nem sardinha em lata de sardinha não se avexe com maltrapilho que tenta relar órgão em sua mundana bunda não se avexe que mulheres sem dentes fiquem te encarando o mundo é bom Logo, Marialva chega você pega sua maleta da Adidas e sai correndo daqui deixando seu perfume importado-do-paraguai no ar e saudade para a platéia e consumidores de passes de transporte público, que estão tão acostumados com o feio, dor, sofrimento e pavor assim como a sua cara, cheia de bico e aflição, louca para sair do busão.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Desenvolvimento sustentável não é pauta*

Meios de comunicação preferem as notícias sobre assuntos banais a promover campanhas de conscientização ambiental Wilame Prado Assuntos mil são abordados em pautas, que mais tarde viram notícias para os jornais preencherem páginas (impresso), minutos (televisão e rádio) ou atualizações (internet). Porém, dentro desse leque de assuntos, a prática do desenvolvimento sustentável dificilmente é vista como tema possível para esses jornais, que acabam ocupando seus espaços com temas banais, como colunas sociais ou ênfase exaustiva a um milésimo gol ou à visita de um papa. É fato que em grande parte do mundo está acontecendo uma extensa devastação da natureza por meio, principalmente, da ganância desenfreada do homem. Isso parece óbvio para a maioria das pessoas, entretanto, poucos enxergam uma solução para o que está ocorrendo. Mas, e os meios de comunicação, enfocam esse problema? Pouco, quando analisado o grau de urgência de se proteger o meio ambiente. Na verdade, o assunto só é lembrado quando não restam muitas saídas para reverter a situação. Pode-se ter como exemplo, a triste notícia que circulou no início deste ano, divulgada pelo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) da ONU: a de que o aquecimento global está provocando diversos fenômenos degradantes no mundo. Quando a situação se torna catastrófica, os jornais de toda parte esgotam seus espaços falando do assunto, afinal, as notícias trágicas sempre chamam mais a atenção do público. Os detentores dos meios de comunicação fingem que são cegos perante o problema ambiental que o mundo está vivenciando. O poder inigualável das mídias, pelo menos uma vez, deveria ser utilizado em prol de uma causa nobre, já que quando querem manipular a sociedade, com notícias recheadas de ideologia e interesses políticos, os esforços não são medidos. Os meios de comunicação derrubam presidentes, fazem bandidos virarem mocinhos e conseguem (com o seu silêncio ou com extraordinárias coberturas jornalísticas de fatos irrelevantes) fazer com que a maioria das pessoas nem se lembre mais de falcatruas recentes, feitas por políticos corruptos. Parece mágica! Já passou da hora de se realizar um debate massivo sobre a conservação do meio ambiente. Os meios de comunicação deveriam se utilizar dessa "mágica" para promover uma ampla e eficaz campanha de conscientização, tornando possível a prática do desenvolvimento sustentável. O jogo de interesses, que corrompe a grande mídia e que gera tanta notícia fútil, há de acabar um dia. Vai chegar um momento em que viver será uma atividade árdua, em razão da total escassez de recursos naturais. Sendo assim, quem sabe os jornais do mundo inteiro deixem de lado a inutilidade pública e resolvam pautar o desenvolvimento sustentável, suplicando pela conscientização das pessoas. *Artigo publicado primeiramente no Jornal Matéria Prima, em 2 de junho de 2007, no Globo Online, em 21 de junho de 2007 , e na revista Caros Amigos do mês de julho.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Californication faz rir e chorar

Não tenho tv por assinatura, tampouco dinheiro para comprar box´s de seriados. Mas gosto de seriados. Por isso, os baixo na internet.

Estou acompanhando a sétima temporada de Smalville, mas o site faz tempo não atualiza. Então, por indicação de um primo que tem tv por assinatura, resolvi baixar os episódios da série Californication

De impacto, só pelo nome, não gostei, pois logo veio à cabeça imagens de praia, sol, virgens, festas em navios, tosquices. Mas não é que eu me enganei! Basicamente, Californication (também não tem nada a ver com Red Hot Chili Pepers) vai narrando a vida de Hank Moody (David Duchovny), um escritor em constantes crises existenciais por não conseguir escrever como outrora justamente porque ainda gosta de sua ex-mulher.

Considerada uma série de comédia, Californication é bem humorada sim, principalmente quando o assunto é sexo. Exemplo disso é que em apenas dois episódios assistidos, pude ver freira pagando boquete, ninfeta de 16 anos que gosta de esmurrar a cara do parceiro enquanto transa, quarentona maconheira que estava com tanta vontade de dar que quando Hank foi penetra-la, caiu da cama com o impacto e, logo depois, vomitou na frente dela.

Mas Californication também é um seriado que mostra o drama de um escritor, que vê em pedaço de papel branco um monstro terrível caçando palavras, textos, idéias. Mostra o drama que Hank passa sabendo que sua ex-mulher irá se casar com um idiota e que este idiota, por coincidência, é o dono da revista que lhe fez uma proposta para que escrevesse um blog.

Enfim. Particularmente gostei de Californication e fica a dica aí para quem quer se livrar de Big Brother Brasil, novela das oito, programas de auditórios ultrapassados e coisas do tipo.

sábado, 26 de janeiro de 2008

"Tenho livros de 30 anos atrás, amarelados" - Newton Goy Kimura, presidente da Colari

Como informei em post passado, A Poltrona é um projeto de rádio engavetado cujo principal objetivo é mostrar gostos culturais (literários, musicais e fílmicos) das pessoas de Maringá e região. E, sabendo que, tanto no meu trabalho como na faculdade, tenho de entrevistar fontes quase que diariamente, concluí que posso perguntar a elas o que estão ouvindo, assistindo e lendo. Afinal, quem não gosta de cultura? Pois bem. O projeto já começou. Mesmo ainda só tendo o blog para divulgar, ontem (25/01), fiz a primeira entrevista para A Poltrona com o presidente da Colari (Cooperativa de Laticínios de Mandaguari), Newton Goy Kimura. Quase que a vida inteira relacionada com a atividade leiteira, o médico veterinário Newton Goy Kimura é filho de produtor de leite e desde 1982 presta serviços para a Colari. No início, atuava como veterinário dando assistência para os cooperados. Em 1998, foi nomeado conselheiro da cooperativa para, mais tarde, em 2001, tornar-se presidente, cargo que ocupa até hoje. Enganado está quem pensa que pessoas envolvidas com a agropecuária não gostam de ler um bom livro, escutar música sem ser sertaneja ou ir ao cinema. Kimura acompanha seus filhos e empresta os livros deles, vai ao cinema com a família e confessa que leu quase todos os clássicos da literatura universal quando jovem. Na sede da Colari, em Mandaguari, o presidente da cooperativa revelou para A Poltrona seus gostos literários. Acompanhe a entrevista: A Poltrona: Qual foi o último livro que o senhor leu? Newton Goy Kimura: Esqueci o nome do autor e do livro, mas sei que era um livro técnico relacionado a viticultura, pois estou aprendendo a mexer com isso. Mas tem um outro livro de auto-ajuda que não estou conseguindo recordar o nome. Pula essa pergunta. Já vou lembrar. A Poltrona: Vamos falar de música então. O que atualmente toca em seu mp3 ou no rádio do carro? Newton Goy Kimura: Gosto de MPB. O meu preferido é o Milton Nascimento. Gosto também do Beto Guedes, Rita Lee, Flávio Venturini... A Poltrona: Achei que o senhor gostava de músicas sertanejas, pois, geralmente quem é da sua área acaba preferindo esse tipo de música... Newton Goy Kimura: Sertanejo para mim tem de ser Almir Sater ou Renato Teixeira. Gosto muito também do grupo Boca Livre. A Poltrona: Falando de cinema agora, qual foi o último filme que você assistiu? Newton Goy Kimura: Curiosamente, fui ao cinema semana passada com meus filhos assistir ao P.S. Eu te amo. A Poltrona: E você gosta desse estilo de filme ou foi apenas acompanhar os filhos? Newton Goy Kimura: Gosto sim. Mas também gosto de filmes de aventura e policiais. A Poltrona: Lembrou dos livros? Newton Goy Kimura: Lembrei sim! Nas férias, li Olga [Fernando Morais, 1987]. Muito bom, por sinal. Gostei do filme também. No momento, li umas partes de um livro que é do meu filho. O autor é o Diogo Mainardi e o nome é A tapas e pontapés [1994]. É uma seleção de crônicas dele. Minha filha terminou de ler Marley e Eu [Jonh Grogan, 2006] e agora quero ler também. Sempre gostei de livros, só que agora o tempo é mais curto para ler. Quando era mais jovem li a maioria dos clássicos da literatura, como os Três Mosqueteiros, Robin Hood, Os doze trabalhos de Hércules, livros do Monteiro Lobato. Tenho livros de 30 anos atrás, amarelados. Dia desses, emprestei dois livros do Gabriel García Márquez para uma sobrinha . Cem anos de solidão, ela já terminou de ler. Agora, pegou o Outono do Patriarca. A Poltrona: Muito obrigado pela entrevista... Newton Goy Kimura: Ah! Também gosto de ler e assino a revista Veja e a Folha de Londrina. Obrigado você! Crédito das imagens: http://howcoolisthat.files.wordpress.com/2007/01/marley.jpg http://www.cinemaemcena.com.br/filmes/5372/cartazes/psiloveyou_01.jpg http://ante-et-post.weblog.com.pt/gabriel_garcia_marquez_1.jpg http://images.americanas.com.br/produtos/item/370/0/370017gg.jpg

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Blog do Programa Na Jogada

O programa esportivo da Rádio Cesumar (FM 94,3) Na Jogada, transmitido aos sábados, às 12h, traz notícias esportivas de Maringá, Paraná, Brasil e Mundo, com destaque para o futebol, especialidade-mor de um dos membros da equipe, Bruno Pimenta, amigo de sala, gordo-abili-rabugento-palmeirense.

Eu, apaixonado que sou pelo Santos Futebol Clube, e outrora colunista do site www.santistaroxo.com.br, escrevia também no blog Na Jogada ano passado.

Depois de um longo período de recesso, o blog do Programa Na Jogada está de volta com jornalismo sério e, acima de tudo, equipe apaixonada pelos esportes.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Sobre a sustentabilidade do regime requiônico

José Aparecido Fiori (*)

Apague este spot light! A polêmica requiônica se o governador do Paraná deve fazer uso, Jornalístico que sim, "político" que não, da TV Educativa, apimenta o indigesto jabá já salgado de se deglutir por essas podres bandas da República das Araucárias. Se os holofotes da Globo podem "decidir" algum pleito, como se diz à boca miúda e graúda, insinuando que o governador Requião (PMDB) já teria sido reeleito num primeiro turno, contra seu forte adversário, Osmar Dias (PDT), para o qual perdeu por minguados votos, não fossem o anti-marketing da globeleza, então porque as estirpes requiônicas e sua ilustre asponagem não podem, igualmente, fazer uso de televisão pública do povo, do povo massa de manobra, como marketing da sustentabilidade governamental?

O governador perdeu as eleições nos grandes centros, inclusive em Curitiba, mas arrebanhou picadinhos de sufrágios nas regiões de menor porte, o que lhe valeu a vitória de Pirro no Paraná. Policial Rasera, araponga preso na época eleitoral como suposto conspirador para desfavorecer o "avanço requiônico" naquele então pleito..., não se parece de bom senso que áulicos agravem a ele a "quase derrota" do governador.

Míopes, estrábicos ou menos qualificados, inclusive da imprensa, observadores de lupa longe do front deste governo, acham que a manutenção do status quo estaria imune às garras do impoluto, soberbo e discricionário poder judiciário, que funciona à base da economia do mercado, proporcionando sustentabilidade financeira ao labor advocatício.

Todos somos vítimas, inocentes ou não, do poder cataléptico e seus tentáculos rabulísticos.

O bom senso faz acreditar que as aulinhas de mobral, moral e cívica lecionadas pelo professor Requião precisam ser recicladas por nova lei de diretrizes e bases. Enquanto isso não se faz, acossado por advogados bem pagos, o judiciário acordará de seu sono dogmático para fazer suas incursões, justas ou não, para bem ou mal marketing de um governo em constante busca de holofotes. (*) José Aparecido Fiori - jornalista - joseafiori@hotmail.com

A Caros Amigos deste mês traz uma interessante entrevista com o escritor Luis Fernando Veríssimo. Ele preferiu responder as perguntas dos repórteres via e-mail. Acompanhe alguns trechos:

GLAUCO MATTOSO Caramigo Lufe: minha mãe, que é de Taubaté e morreu faz pouco, não acreditava em padre nem em político nenhum. E você? Acho que esse é um sentimento comum, esse enfaro com políticos, depois de tantos escândalos e tanta hipocrisia. E é perigoso porque acaba sendo um desencanto com a política e no fim com a própria democracia. Se fosse possível haver política sem políticos... Mas não dá, e o jeito é confi ar nos políticos sérios e capazes que ainda existem, em algum lugar, e esperar que a nossa democracia melhore com a prática. O importante é não desesperar e sair atrás de alternativas mais eficientes, ou puras, que acabam em desilusões ainda maiores. Quanto aos padres, deixei de acreditar há muito tempo. Fui criado como católico, fiz primeira comunhão e tudo, mas o lado do meu pai, que era agnóstico, foi mais forte.

VINÍCIUS SOUTO O senhor trata várias questões da vida com humor inteligente. A produção atual de outros cronistas e escritores está conseguindo manter essa linha ou tudo caminha para a mediocridade, para baixos apelos? O Brasil teve grandes escritores que nunca fi zeram outra coisa além de crônicas. O Rubem Braga, por exemplo. O Paulo Mendes Campos, que também era poeta, mas fazia principalmente crônica. O Antônio Maria. Hoje não há mais isso, mas temos outra peculiaridade. Não há, que eu saiba, outro país no mundo em que os romancistas tenham um contato contínuo com o público, pela imprensa, como aqui. Temos o Cony, o João Ubaldo, o Ignácio de Loyola, o Moacyr Scliar, o Bernardo Carvalho, o Torero etc., todos escrevendo regularmente nos jornais. O que significa que podemos não ter mais excelentes só-cronistas, mas temos excelentes escritores escrevendo crônicas. Não acho que caminhamos para a mediocridade, não.

MARCOS ZIBORDI Você compartilha da opinião quase unânime de que o presidente Lula é analfabeto e precisa ler? Olha, com algumas exceções, como o Costa e Silva, que confundia latrocínio com laticínio, fomos sempre governados por homens letrados, muitos deles intelectuais de nome, que conseguiram construir o país mais desigual e injusto do mundo sem cometer um erro de concordância.

RENATO POMPEU Você é muitas vezes apontado como esquerdista. O que acha de Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador? Como você qualificaria o estado atual da esquerda no Brasil em geral e o governo Lula em particular? No Brasil temos o mau hábito de exigir opiniões absolutas sobre tudo. Talvez porque as opiniões relativas pareçam vir de cima do muro. Mas você pode achar certas coisas em Cuba admiráveis, como a independência que conseguem manter ali embaixo do focinho dos Estados Unidos e o que, apesar de tudo, conquistaram em matéria de saúde pública e educação, e achar outras lamentáveis, como a falta de pluralidade política e a presidência vitalícia do Fidel. Entende-se que a direita brasileira seja obcecada por Cuba e, agora, pelo Chávez, mas não é preciso imitar sua radicalidade, a favor ou contra. A mesma coisa vale para os Estados Unidos, que são admiráveis e execráveis, dependendo do que você está falando. O governo Lula, a mesma coisa, só que nesse caso a gente tende a ser mais a favor do que contra para não engrossar o coro dos reacionários, que já é suficientemente grosso. Esse tal de novo populismo na América do Sul é importante menos pelo que é do que pela sua origem, o fracasso de políticas neoliberais recentes em cima de todos os anos de descaso social das elites do continente, que agora têm que enfrentar os Chaves e os Morales e outros monstros que criou. O novo populismo, ou como quer que se chame isso, também tem seu lado animador e seu lado discutível, além do seu lado precário. Já a esquerda brasileira continua como sempre foi, dividida.

Retirado do site: www.carosamigos.com.br

Sobre um brilhante expelidor de regras – e sobre vocês

Por Roberto Manera

José Antônio Dias Lopes, que é uma pessoa que eu amo porque é um grande jornalista e inventou o conhaque clandestino Elliot Ness, havia nos dito: “Descobri em Veneza o maior escritor brasileiro”, e nós lhe perguntamos: "o que ele já escreveu?" E ele nos respondeu: "ainda nada".

Foi daí que a Veja e depois a Globo descobriram esse luminar – Diogo Mainardi – e fizeram dele esse cagador de regras que o Brasil inteiro ouve, e às vezes tristemente aplaude, todo santo dia.

Olha só o que o cara falou, no mesmo dia em que sua própria tevê exibia um programa sobre como o futebol havia sido importante para a identidade de um país da África: ele fez um trejeito veado com as sobrancelhas e disse ao Lucas Mendes, com a non chalance dos que só pensam no que querem ser e não no que são: “Futebol é irrelevante”.

Palmas! Palmas de vocês, que também acham que futebol é irrelevante, que ganhar é sempre bom, até roubando; que acham que melhor é bombardear o Iraque, e que toda a estrada, para vocês e o repulsivo ser que todo dia lhes fala, vai dar no mar. Vocês merecem!

Merecem o Diogo Mainardi; o Fernando Henrique, que lhes roubou o pouco que tinham, ao vender por preços ínfimos empresas que eram de todo o País; os algozes meigos que lhes dizem, todo dia, nessa merda que vocês enganadamente chamam “mídia”, que o Chávez – o da Venezuela –, que felizmente decidiu eliminar o golpismo fechando aquela latrina espúria que defendia o golpe contra o povo, é um “caudilho”. Eu posso lhes dizer, como repórter: conheci a Venezuela nos anos 1960, quando todo aquele país não passava de um terreiro das petrolíferas americanas. Era o inferno. Acreditem se quiserem. Ou prefiram a Seleções do Reader’s Digest. Vocês já notaram que são livres? Pois é: exercitem essa liberdade.

Para quem escolher o american way de exercitar a liberdade, eu digo: vão se foder. E – vou lhes dizer – vocês vão mesmo. Porque o pensamento – sabiam? – ainda existe. O povo é superior a toda essa merda que vocês aprenderam nessa sua pérfida “escola de vida” dos homenzinhos de pau pequeno dos anos cinqüenta, que saíram pelo mundo tentando afirmar sua masculinidade – e que eu acho que forneceram o modelo que o Mainardi escolheu para sua vida brilhante e inútil.

Mas isso é o que é irrelevante – é pouco. O que é relevante e existe, de verdade, são o pensamento e o anseio dos povos. E nós somos muitos, percebem? Muitos. Nós somos os Garabombos de Manuel Scorza; os Macaulés de Alejo Carpentier e os Bolívares de Chávez. Vão ler e entenderão.

E muitos de nós – invencíveis, porque não temos essas medidas que a Globo, a Veja e os jornais lhes (nos) impõem – somos quem haverá de fazer o amanhã. Alinhem-se enquanto há tempo.

Roberto Manera é jornalista.

Arrumando guarda-roupa de camisola

Ela está em cima de uma cadeira, vestindo surrada camisola cor de pele - outrora devia ser branca. Faz horas que está arrumando o guarda-roupa; tira trecos, põe trecos, enfia roupa, passa pano, tira trecos novamente, passa pano de novo. A visão da janela do meu quarto, quinto andar, é privilegiada, pois a janela dela é do terceiro andar do bloco ao lado. Continua arrumando, horas passam, eu continuou olhando hipnoticamente, e ela arrumando. Faço de tudo para justificar minha presença na janela. Fumo um cigarro devagarzinho, boa sensação, várias canecas de tereré, olhar hipnótico, arrumação constante. Às vezes, dá-se a impressão que ela me vê, mas analisando fisicamente e geograficamente, não é possível em seu campo de visão enxergar-me, não sem se abaixar. Mesmo assim, tenho certeza que ela me provoca; levanta de leve a camisola, mas não chego a ver nada indecente. Admito, ela não é tão bonita assim, mas como é provocante ver uma moça arrumando seu guarda-roupa com uma camisola curta! Só pode ser provocação. Olho para outras janelas: uma velha abre sua janela com desdém; uma gorda vai ai banheiro e volta para o reino – sua cama, onde se sente feliz assistindo novela das oito. O tempo passa; tenho obrigações, mas o que posso fazer se estou hipnotizado? A moça continua arrumando seu guarda-roupa, de pouco em pouco tempo, desce da cadeira e vai molhar um paninho para obter êxito na limpeza do móvel cerejeira. Chico Buarque, The Velvet Underground, Paulinho da Viola, Radiohead, Chico Buarque de novo – o shuffling do Winamp parece fazer trilha sonora para minha situação, a de telespectador de fêmea de camisola limpando seu guarda-roupa. Hora dessas, já deve ter marmanjos de plantão em outras janelas; estou com ciúmes porque eu a vi primeiro, portanto, ela é minha, a visão é toda minha! Tenho medo de que ela olhe em meus olhos e perceba que estou bisbilhotando sua arrumação de guarda-roupa, mas, ao mesmo tempo, queria que olhasse em meus olhos, quem sabe ela gosta de se exibir e dê brechas para que minha visão seja atentado ao pudor. Ou não. Vai que fecha a janela. Ficarei sem graça. E se um dia a vir pelos arredores do condomínio, ficarei encabulado. Agora, arruma suas roupas e vem bem perto da janela, o coração dispara, mas, oxalá, ela não olha para cima. Ela tem marcas de biquínis, está queimada e, agora, se abaixou, o que me dá permissão de ver seus peitos miúdos, coisa pouca essa visão, quase nublada. Seu cabelo está preso e percebo que sua orelha é grande. Acho que, no dia-a-dia, deva usar o cabelo solto. Vai ao banheiro, vejo a luz acessa da janelinha ao lado; já penso besteira, ela tirando a calcinha. Bezerra da Silva, agora não, você estragou minha trilha sonora, acabou descontraindo o ambiente que era promíscuo. Não tenho mais desculpas para ficar ancorado na janela, mas quanta curiosidade tenho. Vai que, bem na hora que não estou olhando, ela dê uma brecha. Agora está ajoelhada na cadeira; realmente a posição em que se encontra é bonita de se ver. Agora está de quatro no chão, deve estar catando algum lixo que caiu de seu infinito guarda-roupa. Me enganei. Ela está ajoelhada no chão colocando roupas na gaveta de baixo. Horas passam, tereré se esgota, fome nem dá. Dobrou uma bermuda jeans e vai guardar. Olho para outra janela, disfarçando para mim mesmo. Crianças brincam de esconde-esconde dentro de um cubículo de apartamento. Jovens também tomam tereré lá embaixo e batem bola murcha. Pessoas entram e saem do condomínio. Aliás, pessoas costumam ter compromissos, assim como eu, mas a hipnose é medonha, assustadora, manipuladora. Cai um avião no terreno ao lado, barulho, fumaça e fogo. Bombeiros chegam e eu fui testemunha ocular da história, mas não me esquivo. Parece que agora eu vi um pedaço de sua calcinha. Dou uma passeada na internet para me acalmar. Luxemburgo saiu do Santos, meu time de coração, e foi para uma equipe rival. Solitários cheios de amigos virtuais prosseguem em suas rotinas diárias de em messenger´s e orkut´s. Caixa de entrada sem e-mail novo. Spam chove. Promoção da Lojas Americanas e do Extra também. Volto à minha jornada - a de olhar a garota arrumar seu guarda-roupa. Mas, agora, as portas do guarda-roupa estão cerradas. Em uma sacolinha de supermercado, ela coloca trecos que estavam no chão. Sai do quarto. Deve ter ido levar a sacolinha junto às outras sacolas de lixo que, geralmente, ficam na sacada esperando um acúmulo para serem encaminhadas ao lixo da rua. Morcegos entram e saem do meu quarto, mas não fecho a janela. Panela de pressão estoura na cozinha - carne com batata agora faz parte da decoração da cozinha. Telefone berra até perder voz. Poeira se acumula na armação dos óculos e as lentes estão contagiadas pela oleosidade do rosto cheio de cravos. Acho que perdi emprego, perdi namorada, perdi ônibus e banda que passou cantando coisas de amor. Estou completamente desesperado porque já faz quatro minutos e pouco mais de trinta segundos que ela não aparece na janela de seu quarto, e as portas do guarda-roupa continuam fechadas - parece um caixão de pé. Meu desespero acaba de virar depressão e crise existencial. Ela finalmente apareceu no quarto, soltou os cabelos e escondeu as orelhas de abano, fechou as cortinas e apagou a luz. Acho que foi dormir.

Luciano do Vale e suas raridades

Ontem, assistindo ao jogo entre Ituano e São Paulo, pela Band, não pude deixar de perceber o quanto o narrador esportivo Luciano do Vale fala besteira. Aí vão algumas: "O Ituano tem 100% de aproveitamento negativo" "Jogada esquisita, mas bonita do Adriano" "Tão querendo que a bola tenha saído" Mesmo assim, valeu a pena assistir ao jogo. O frango do Rogério Ceni foi bizarro. Crédito da imagem: http://br.geocities.com/champcarbrasil/Bolacha.jpg

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Sábias Palavras

Não tem nada melhor do que cagar fumando, mijar peidando e trepar beijando.

Agradecimentos ao Ricardo, namorado da menina que mora comigo, que pronunciou essas sábias palavras, não se esquecendo de quem o ensinou: seu tio.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Frase do dia... talvez, da vida

"Escrever não é uma profissão, mas sim uma vocação de infelicidade" - Georges Simenon Mesmo assim, ainda mostro os dentes amarelos, brinco como criança e digo para mim mesmo que os acontecimentos ruins não são tão ruins, pois sempre acabam servindo de impulso para a literatura, amiga ingrata que me acompanhará até no dia em que a visão não permitir ler e quando as mãos não permitirem escrever. Aprendi com Oh Dae-su , do filme Old Boy, a arte do sorriso estampado.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Busão é inspiração literária há um ano e dois dias

Essa rotina diária dentro de ônibus rendeu uma crônica, escrita no dia 19 de janeiro de 2007, há um ano e dois dias. Confiram: Até mesmo crianças aparentam estar tristes e enrugadas. Pessoas feias, solitárias, cansadas e fedidas. Outras, desesperadas, sem educação e deprimidas. Algumas são dignas e estão inseridas no protótipo de normal, ou seja, assistem novela das oito, compram cd pirata da novela das oito e comem, de vez em nunca, no Mc´ Donald´s. A briga por assentos é acentuada por muita rivalidade e dores nas varizes. Não obtendo êxito na dança das cadeiras, as chances são grandes de passar uma hora em pé, segurando em algum apoio, que te provoca asco, por lembrar que inúmeras pessoas já colocaram as mãos ali, não se importando se nelas continham coliformes fecais, restos orgânicos, ou respingos de uma masturbação mau sucedida no banheiro público. Quer ler o resto da crônica? Então entre no link: Particularidades do transporte público

Peripécias ocorridas na amarelinha

Dentro da amarelinha, aventuras-mil esperam seus usuários. Voltando das férias hoje, havia me esquecido as peripécias que rolam a rodo dentro do transporte público. Fato quase inédito, hoje, por ter ido até o ponto de partida do ônibus, consegui um lugar para sentar. Mesmo assim, houve desconfortos. Para começar, apenas um lado de meu corpo foi fortemente tostado pelo sol escaldante do meio-dia. Com um braço preto e outro branco, tentava segurar a revistona desajeitada Caros Amigos. Em meio a um belo artigo, onde o autor sugere a legalização das drogas, sou abruptamente interrompido pelo bate-papo de quatro rapazes, que divagavam sobre compras de carros, qual a melhor marca, melhor condição de financiamento etc. "Eu fujo de Uno rapá. Vou comprar um "pegeouzinho", parcelado em 72x de R$ 600 e pouco. Se fica 6 anos pagando, mas depois o carro ainda vai tá zerado". Isso não foi o pior. Difícil foi aguentar o cheiro acre e desagradável que saía das axilas de um senhor que estava a minha frente. A cada parágrafo era uma respirada na janela para renovar o ar. No meio do caminho, entrou um rapaz desbocado e também ficou ao meu lado. No ato, sentiu o cheirão de "asa" e não titubeou: "tá difícil suportar o cheiro de suvaco. Tem gente que não tem "simancol". O cara não deve tomar banho há uns 50 dias." Isso tudo em voz alta. Essa é minha rotina diária durante, em média, duas horas preciosas. Imagem: www.viacaogarcia.com.br/imgsite/foto_metro.jpg

“O cigarro é meu, eu que comprei e não quero dar para você”

Hoje, às 11h25, estava na Praça Raposo Tavares, ao lado da Rodoviária Velha. Um senhor de meia-idade fumava seu Dallas tranqüilamente. Um morador de rua, o qual já vi várias vezes naquela praça, em outros lugares pedindo dinheiro e até como flanelinha, pediu um cigarro ao senhor de meia-idade. A resposta foi não.

Segundos depois, passou um jovem com um Marlboro vermelho novinho, no plástico. Acho que estava vindo do tradicional estabelecimento Rei do Fumo. Não deu outra. O morador de rua abordou o jovem e conseguiu tranqüilamente um cigarro, e de marca melhor do que a do senhor de meia-idade.

Não satisfeito com as tragadas, o morador de rua começou a difamar publicamente o senhor, o chamando de miserável, lazarento, idiota e outros palavrões que prefiro não mencionar. O senhor de meia-idade sentiu-se acuado. Disfarçou, entrou na circular amarelinha, voltou, mas não agüentou os impropérios é disse: o cigarro é meu, eu que comprei e não quero dar para você.

O senhor de meia-idade entrou na amarelinha e foi em direção a Mandaguari, em pé. O morador da rua continuou em sua casa, ou seja, na rua, fumando vagarosamente seu Marlboro. Parecia, naquele momento, nem estar ligando para o fato ocorrido há pouco, o de ter xingado um homem em praça pública.

Um holiudiano que gostei - XEQUE-MATE

Ontem à noite, depois de ficar surpreso com um empate em zero a zero entre Santos e Palmeiras, já que esperava uma derrota do alvinegro praiano, finalmente assisti ao filme XEQUE-MATE (2006), de Paul McGuigan. Algumas pessoas já haviam feito propaganda benéfica do longa, mas só de pensar que atores como Josh Hartnett (Slevin) ou Lucy Liu (Lindsey) estavam no elenco, logo em minha cabeça aparecia filmes que não sou fã, como As Panteras ou qualquer outro enlatado holiudiano sem sal nem açúcar. Enganei-me. O filme é bom. É óbvio que tem vários elementos comerciais imprescindíveis para renda nas bilheterias - time de atores, final desconsertante, romancezinho, clímax etc e tal. Mas, houve algo de diferenciado neste longa. Houve um roteiro original, onde chefões da máfia não conseguiram exercer a famosa manipulação (símbolo-mor dos mafiosos - veja o logo do The Godfather, que é uma mão com uma marionete e minha tatuagem) e, literalmente, caíram do cavalo. Quando disse "literalmente" foi porque, na verdade, o filme envolve corridas de cavalos, onde, no início, um tombo de um deles vai representar muito para o longa. E vocês acreditam que até o romancezinho entre a asiática mais linda das telonas, Lucy Liu, e o garanhão ,Slevin, foi agradável assistir? Não foi meloso, muito menos suicida. Lembrou-me até o caso que Jack Nicholson teve com a guria em The Passenger ou Profissão: Repórter, do grande diretor Michelangelo Antonioni (1912-2007). Recomendo o filme.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Era melhor ter assistido ao Galo Maringá

Abertura do Campeonato Paulista. Jogo entre Santos e Portuguesa, no Morumbi. Derrota do peixe. Dois a zero para Lusa. Menos de 12.000 pagantes. Futebol pífio, de ambas equipes. Diferencial da Portuguesa - bolas altas na área, os dois gols foram de cabeça. O pior elenco santista desde que sou santista. O presidente deve estar ficando louco. Marcinho Guerreiro? Não! Nesse dia, ainda, quase fui pisoteado na fila para comprar meia entrada. Correria total.

Sou apenas um menino

A morte está premeditada, infelizmente. A biópsia nem foi feita, mas o médico já dá o seu laudo: é maligno. O velhinho, agora com dez quilos mais magro, tem um sorriso sereno e uma fé inacreditável. Há dois anos, meu avô materno não resistiu a um infarto e morreu em uma tarde quente de novembro. Há quatro meses, um derrame voraz levou também meu pai, no dia internacional do trabalho, nada mais justo para um homem que nunca deixou de trabalhar. E agora seu pai, meu avô paterno, talvez não agüentando a dor de ver um filho tão novo em um caixão, desenvolveu um câncer no rim. Meus heróis estão morrendo; os líderes estão deixando os peões à deriva; não sei se tenho peito para encarar os dragões da solidão. Todos morrem, eu sei, mas como poderei viver sem meus pais, sem os homens que sempre me direcionaram? Qual é o melhor caminho a seguir, quem vai me ensinar a direção, quem vai dar as pistas? Eu quero encher de orgulho esses homens que tanto me auxiliaram para que eu fosse também um homem, mas eles estão morrendo e eu estou perdendo a inspirarão para ser motivo de orgulho. Todos me deixam e se esquecem que eu, na verdade, sou apenas um menino.

Voltei de Sampa

Olá pessoal. Peço desculpa pela ausência nos últimos dias. É que era minha última semana de férias. Agora, estou de volta. E espero que vocês também! Abraço!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Sonho realizado

Santos é a cidade do meu time de coração. Ontem, realizei um sonho de moleque e conheci a Vila Belmiro e o Memorial das Conquistas.
Cheguei a conclusão de que meu Peixe é muito mais gloriososo do que imaginava. Cheguei a conclusão de que é o melhor time do mundo e que seu passado de conquistas é de emocionar corinthiano, são-paulino e palmeirense.
Senti a emoção de levantar a taça do Título Paulista do ano passado e de descobrir que o Corinthians ficou sem vencer do Peixe por exatos 11 anos e 22 jogos.
O gramado da Vila Belmiro é um tapete. Pena estar vazio. Sonhor-mor, o de ir naquele estádio lotado em um jogo do Santos ainda não foi realizado. Mas, quarta-feira, irei no Morumbi ver Peixão e Portuguesa.
Há de ser ter calma para realizar sonhos. Um dia, eles batem à sua porta e, sem que você nem perceba, eles já estão sentados em sua poltrona.

Orelha de livro salva litoral

Bom dia. Desde sexta-feira, estive afastado de notebooks, pc´s, internet. Meu destino foi a cidade de Santos. E, no momento, estou em São Paulo, capital. Viagem legal. Praia é praia. Mas, não foi o mar que me agradou. Nem o sol mediano que pintou por lá. Muito menos o futebolzinho na areia. O que salvou minha viagem mesmo foi um cafezinho que tomei no Café Impreso, uma livraria pequenina, tamanho suficiente para caber uns pares de livros, jornais e um café no fundo. Por lá, depois de tomar café e água com gás, tive o privilégio de ler orelhas de livros mil. Obra de Saramago quase que completa, O Caminho de Los Angeles, de Jonh Fante e outros títulos mais fizeram valer a pena o engarrafamento, a queimadura nas costas, a unha do dedão levantada, os banhos mau tomados e outros infortúnios típicos do litoral. Mesmo assim, não comprei nenhum livro. Quem manda querer viajar. O dinheiro acaba.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Corrida contra relógio para fazer jornalismo

"Despertador tocando parece britadeira trabalhando. Mesmo assim, perco a hora - ela sempre me foge às mãos. Por conta do atraso, cuspe no canto dos olhos, remela tirada com o dedo, balinha de hortelã e um gole de café antes de sair para entrevistar a doutora, que não tem doutorado, apenas residência. Uma dúvida cruel vem à cabeça: ir de moto ou voando? Fosse São Paulo, poderia pegar engarrafamento de helicópteros; aqui em Maringá, o máximo que pode acontecer é um pequeno choque com pássaros ou macacos voadores do Parque do Ingá. Além do mais, mamãe sempre alerta que andar de moto é perigoso e, ultimamente, motoqueiros têm viajado com certa freqüência ao cemitério..." Quer ler o resto da crônica? Entre nesse link: http://recantodasletras.uol.com.br/cronicas/773906

Parceiros

Mais uma vez, agradeço aos blogueiros que deram uma força, ou seja, uma publicidade gratuita em seus respectivos blogs para o início de A Poltrona. São eles: Angelo Rigon: http://angelorigon.blogspot.com/ Incorfomado: http://noticiasdaprovinciamaringa.blogspot.com/ Lukas: http://casadonoca.blogspot.com/ J. Roberto Balestra: http://jrbalestra.blogspot.com/, que ainda está me dando uns toques para mexer melhor no blog. Sem falar nos amigos do Jornalismo (Cesumar), nos amigos da História (UEM), nos amigos do Direito (UEM) e outros grandes amigos por aí afora! Valeu pessoal!

Imagem do dia

Matéria do G1 mostra o sapo Nong Oui, da Tailândia, que anda de moto e surfa.

Poda saudável

Andando pelas ruas esburacadas de Maringá com minha humilde 125cc, sofro grande dificuldade com os semáforos cheios de bolinhas verdes e vermelhas que vão descendo em ritmo. Isso porque, em muitos deles, galhos de árvores estão tapando a visão, dependendo da distância que se olha. Por que, em vez de cortar árvores centenárias ou árvores que estão "atrapalhando" a vista de um estabelecimento comercial, a prefeitura não providencia uma poda saudável dos galhos que realmente atrapalham a visão dos motoristas?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A ideologia política brasileira faliu

No País, não se sabe mais quem é de esquerda ou quem é de direita; os políticos lutam apenas por interesses pessoais "O deputado Ricardo José Magalhães Barros, do Partido Progressista, é o novo vice-líder do governo na Câmara Federal. Barros já esteve no cargo antes, quando ocupou a vice-liderança do governo de Fernando Henrique Cardoso. Durante todo o primeiro mandato de Lula, Barros esteve na oposição e mesmo recentemente, em 2006, ele foi contra o ingresso do PP na coalizão de Lula e passou as eleições apoiando a candidatura tucana de Geraldo Alckmin." Site: www.cbncuritiba.com.br Data: 25/05/2007 O ex-militante de esquerda, cansado de ouvir chacotas de amigos pelo fato de o presidente Lula abandonar as causas dos "companheiros", nem esquentou a cabeça ao saber que um político extremamente de direita e neoliberal estaria ocupando o cargo de vice-líder do governo na Câmara Federal. Diferentemente de seu filho, que quase desmaiou ao ouvir o discurso "progressista" do tal deputado. Estudante de Ciências Sociais e presidente do centro acadêmico, ele ficou tão nervoso com essa notícia calamitosa, que pensou até em organizar um protesto em Brasília. Mas decidiu, antes de qualquer ação precipitada, conversar com seu pai, experiente em promover passeatas e reivindicações na capital brasileira: - Pai, como pode um político como o tal deputado, que sempre se opôs ao governo Lula, inclusive apoiando o tucano Alckmin, ser o novo vice-líder do governo na Câmara Federal? - Pois é, meu filho. Já estou me acostumando com esse cenário circense da política brasileira. Hoje, tenho vergonha de dizer que já fui um militante ferrenho de esquerda e que ajudei a fundar o Partido dos Trabalhadores. Estou velho e não tenho sua energia para pensar em revolução. - Será que os políticos de esquerda já não foram, um dia, iguais a mim? Estudo política e tento fazer política, mas nunca pensei em algum interesse próprio. A minha luta é pelo povo! - Filho, não se iluda. A esquerda acabou. A onda do neoliberalismo tomou conta de todo mundo. Lá na Venezuela, se Hugo Chávez não se cuidar, logo acaba sendo morto, "misteriosamente". Como podemos reivindicar algo, se o próprio Luíz Inácio Lula da Silva, ícone da esquerda brasileira, privilegia a classe empresarial e os banqueiros? - Pai, quer saber? Vou abandonar o curso de Ciências Sociais, o centro acadêmico e as passeatas. Não sou nenhum Dom Quixote para amar as causas perdidas e achar que os dragões são moinhos de vento. Prestarei vestibular para o curso de Administração de Empresas e vou atrás do progresso, o qual nosso amigo, o tal deputado, tanto proclama. Virarei um burguês! - Embora você ainda seja novo para desanimar desse jeito, não tiro sua razão. Eu mesmo já desisti de ser um esquerdista há muito tempo. Afinal, como disse o nosso presidente: "Quem é de esquerda depois dos 60 anos, tem problemas." Após o breve diálogo sobre a falência da ideologia política brasileira, pai e filho decidem pedir uma pizza. Alimentam-se e assistem à televisão, que transmite mais uma rodada do campeonato nacional de futebol. Depois disso, viveram felizes para sempre.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Um dia de tédio

Se você está como eu, vivendo um dia de tédio, por motivos mil - férias idem, vadiagem, fidelidade ao msn ou um simples atestado médico falso - tenho algumas dicas para o destédio. Sente-se cá na Poltrona. Leia, divirta-se e até reflita. Depois, para saber um pouco mais sobre fatos e boatos, dê uma passada no Rigon, Toscorama e Notícias da Província, por quê não? Mas sua vida precisa de alma, e sua alma precisa de poesia. A Balestra vai remediar - canela, cana, violão, netos e imaginação sem igual com o jogo de palavras. Quer algo mais palpável que internet? Adquira revistões por menos de deizão nas bancas. Dura um mês. Revista piaui, uma das melhores publicações dos últimos anos. Para os esquerdistas, graças a Deus, Caros Amigos. Mas se seu tédio ainda é daqueles grandes para mais de metro, tente uns filmes. Para quem é de Maringá, o acervo do Petrini vale ouro: Poderoso Chefão, Casablanca, Spike Lee a rodo, Almodovar. A locadora Focus Vídeo, perto da BR13, também vai ajudar. Eita tédio forte! A última saída, porém a mais proveitosa, é observar o mundo (cidade) ao seu redor. Da minha janela, por exemplo, em um terreno que já teve plantação de milho, vejo anus brincando, pneu velho jogado, cachorro sarnento vagabundeando. Se não mora no 5º andar, assim como eu, aproveite o quintal de sua casa. Com certeza deve ter uma planta, criança ou velhinho perto de você. Observe e dê valor aos móveis que ainda está pagando nas Casas Bahia. Ande na rua. Vá ao Parque do Ingá e observe como é engraçado o rosto das pessoas que estão se esforçando para manter o ritmo. Viva Maringá. Uma pequena cidade do interior disfarçada de metrópole, onde bolas de capim giram no meio da rua, com direito, inclusive, à blogosfera atuante. Um abraço a todos que estão me apoiando nesse primeiro dia de A Poltrona.

Blogosfera ambulante

Fiquei surpreso ao entrar no Blog do Rigon e ver um post citando meu blog, A Poltrona, novinho em folha. Quem acompanha diariamente a blogosfera maringaense sabe que Rigon é o Rei dos blogs. Para ser ter uma idéia, não dá para se contar nos dedos o tanto de vezes que seu blog serviu de pauta para jornais e rádios maringaenses. É isso aí!

Um por todos e todos por um

"A vida até que é boa", pensa corriqueiramente Alberto, mais conhecido como Betinho Filho do Vento. Difícil um final de semana sem cerveja e churrasco; joga futebol toda quarta e sábado; é capitão do time; organiza amistosos e vai atrás das inscrições para os torneios, que quase sempre resultam em títulos ao Sociedade Esportiva União e Amizade.

No último jogo, a alegria foi tanta de ver o time entrosado, fazendo até tabelinhas, que Betinho, já com pelo menos três garrafas de cerveja no estômago, declarou amor eterno à equipe e a todos que a integram. Antes de não se conter em lágrimas, gritou o clichê mais conhecido no mundo das competições: "Um por todos e todos por um".

Pensando, sempre, na Sociedade Esportiva União e Amizade, Betinho, por ser praticamente dono do time, sente-se no dever de lavar as camisas da dúzia de rapazes que a suam para conquistar vitórias. Sobra, então, para Edna, sua mulher, o serviço de lavadeira. E é sentindo o cheiro de suor de cada um do time que a moça começa a ver despertada sua insaciável vontade de amá-los e sentir-se desejada por um time inteiro de futebol.

Com o passar do tempo, e das cheiradas incontidas, Edna sabe que o camisa 8 é o mais perfumado e, sendo assim, sempre o imagina como o mais bonito. Na camisa número 2, o cheiro acre e dominante a faz imaginar um homem bruto e viril, que “com certeza tem pegada forte”. A camisa 5 exala um cheiro exótico e tentador, o preferido dela. Já o cheiro da camisa 10, a do Betinho Filho do Vento, faz com que Edna se encha de ódio e lembre-se das incontáveis noites que passou, mesmo com um homem ao lado, sozinha, desgostosa. Na briga mais feroz do casal, ela não suportou e sugeriu a ele que fizesse sexo com os integrantes do time Sociedade Esportiva União e Amizade. Nem imaginava que, depois de algum tempo, seria ela mesma a feitora desse ato.

No início, para conhecer os donos das camisas numeradas, convenceu o marido de que é trabalho demais a ele, além de levar todas as camisas do time para lavar, ainda depois devolvê-las a cada jogador. Com isso, então, vez ou outra aparece na casa de Edna os donos das camisas, fazendo com que, agora, os cheiros que sente as lavando tenham corpo, rosto, vida.

O ato de sentir o cheiro das camisas e depois conhecer pessoalmente o dono se estende até hoje na casa de Edna. O Sociedade Esportiva União e Amizade acabou ficando famoso nos vestiários de futebol como o time que tem a mais bondosa lavadeira. Os melhores jogadores da região fazem questão de jogar nesse time. Betinho Filho do Vento, como sempre, está feliz da vida. E, toda vez, antes de começar as partidas, dá o famoso berro "Um por todos" e espera, ansioso, a resposta dos jogadores, que não titubeiam e, com trocas de olhares sarcásticos, gritam: "Todos por um".

Como arruma as horas?

Poltrona, um programa de rádio que ficou na gaveta

Ano passado, no mês de novembro, fiz um projeto de programa de rádio, que intitulei de Poltrona. Seria um programa cultural, onde entrevistaria pessoas de Maringá e região, a fim de saber gostos literários, musicais e fílmicos. Até hoje não tive resposta da Rádio Cesumar. Para quem não sabe, alunos de jornalismo do Cesumar têm a liberdade de inventar programas e, quem sabe, ter seu espaço. Eu não tive. Talvez, pensando bem, nem teria tempo de fazê-lo bem. Já que não estou nas ondas do rádio, resolvi estar na blogosfera, fenômeno saliente em Maringá. Vai ter de tudo aqui. Mas, por enquanto, não tem nada. Sentem-se.

Primeira postagem

Já sei. Quase ninguém vai ler isso, mas tudo tem um começo. Não consigo mexer nas configurações, o que pode ser constatado na péssima diagramação. Vou tentar mandar uns e-mails para meia dúzia de amigos para ver se consigo a façanha de alguém me ler.