segunda-feira, 11 de junho de 2018

Reinvenção de Vanessa da Mata


Por Wilame Prado

Em turnê ‘Caixinha de música’ para um Teatro Marista quase lotado, artista fez maringaense dançar e se emocionar 

O show “Caixinha de música” trouxe novamente a cantora e compositora Vanessa da Mata a Maringá, em show realizado no último sábado (9), no Teatro Marista. A última passagem dela na cidade foi em 2015, mas a sua nova turnê tem oferecido aos fãs uma proposta musical totalmente diferenciada, com inéditas, rearranjos de hits e energia redobrada da cantora mato-grossense.

Pés descalços, vestido esvoaçante e um sorriso enorme. Vanessa da Mata continua dominando o palco como ninguém. Simpatia que não se dá como subterfúgio para supostas carências musicais. Pelo contrário, ela é dona de uma das vozes mais afinadas em atividade no País: ao vivo, não destoa em nada das canções gravadas no estúdio. 

Vanessa também costuma acertar na hora de contratar: Rodrigo Braga (teclados), Maurício Pacheco (guitarra e baixo) e Vi Santos (bateria) correspondem ao desafio que tiveram em tocar os sucessos dela só que de outra maneira, com arranjos emprestados do jazz, reggae e até do rock.

O DVD “Caixinha de música” é assim: ao vivo e inovador. Vanessa da Mata demonstrou coragem em mexer em canções de enorme aceitação do público, a exemplo de “Vermelho”, “Ilegais” e “Ainda bem”. A nova versão para outro sucesso, “Te amo”, surpreende pela sonoridade acertada, sem dúvida umas das melhores apresentadas no show maringaense – logo depois, Vanessa joga um buquê de flores para a plateia, configurando um dos pontos altos da apresentação. 

Como os fãs já esperavam, a versão meio rock, meio blues, da sertaneja “Vá pro inferno com seu amor”, eternizada nas vozes de Milionário e José Rico, faz parte do show, não sem antes Vanessa brincar sobre as incontáveis duplas sertanejas que brotam no País: “Meu Estado (Mato Grosso) é o segundo maior fabricante de duplas sertanejas, perdendo apenas para Goiás”, disse ela, descontraída, sem talvez imaginar que Maringá também é “celeiro” sertanejo.

Outro destaque é a apresentação da nova canção “Caixinha de música”, que dá nome ao DVD e também à turnê. Escrita para a mãe, a música é o momento mais introspectivo do show: Vanessa senta no chão e apenas o guitarrista dedilha no palco, com uma letra tocante. Fala de voltar a cantar, fala de esperança, mesmo após as decepções amorosas da vida, fala de pessoas que nos fazem melhorar, assim como abrir uma caixinha de música para flutuar durante o singelo tocar. Emoção e sensibilidade. 

Conhecida pela simpatia e aproximação com o público, Vanessa encerrou o show como sempre costuma fazer: dançando muito, rodando seu vestido com charme e leveza, convidando o público para a dança (ainda que o show tenha sido em um teatro cheio de poltronas) e pousando para selfies – pedindo a todos para marcá-la nas publicações. 

Assistir Vanessa da Mata ao vivo é uma rica experiência, pois brindamos a MPB ao conferir de perto uma voz inigualável, um suingue imbatível e uma sonoridade agradável, isso tudo em meio a canções que balanceiam bem o romantismo e o senso de humor. Um sopro de alívio para quem ainda acredita na música brasileira. 

Serviço
A turnê de Vanessa da Mata pelo Paraná é uma realização da Mantovani Promoções Artísticas
Show "Caixinha de música"
Quando: último show amanhã (12) em Cascavel

domingo, 27 de maio de 2018

Há desempregado e desempregado

Viver é um eterno girar. Voltamos às origens. Reencontramos a largada antes mesmo da chegada. Um cão andando em círculo atrás do próprio rabo. Dar uma volta inteira no Parque do Ingá, em Maringá, é voltar aonde tudo começou, pelo menos naquela horinha da manhã dedicada à atividade física.

Revivi um episódio do passado no cartão-postal da cidade. Estava ofegante. Fora de forma. Pulmões enroscados nos dentes. Tirei os fones para ouvir o que um passante me falava. E isso me levou ao mesmo parque, em uma mesma manhã de meio de semana, quando, há doze anos, um sujeito também havia me parado pedindo informações. Mas era uma cilada, era uma tentativa de assalto – a primeira e única sofrida por mim, em plena luz do dia maringaense.

Naquele episódio pretérito, eu agi como nunca imaginaria diante da violência urbana bem diante de meu nariz: desdenhei da faquinha de cortar bife do “assaltante” – um moleque de bermuda, chinelo de dedo e camiseta de futebol – e me neguei a passar o celular. Não era justo. Eu não tinha um real no bolso e aquele celular, à época, era a única ferramenta para manter um dedo de prosa com namorada, familiares e amigos que moravam em outra cidade.

Assumi as rédeas da situação, como pouco faço em minha vida de modo geral. Em plena oratória espontânea e incontestável, convenci o rapazote de que estava ele assaltando o cara errado, um pobretão qualquer que precisava bater ponto em quinze minutos para não perder emprego. Falei das minhas origens paulistanas, Zona Leste, mano a mano. 

Fiz um amigo. Paguei almoço com meu vale-alimentação. E caí na besteira de mostrar para o “meu amigo” um canivete que havia acabado de ganhar e que, por sorte, ainda estava guardado em minha mochila. Se não levou meu celular, a arma branca não devolveu jamais após querer “ver com a mão”. Havia dado condições armamentícias para que ele, agora de bucho cheio, realizasse novas e, talvez, bem sucedidas tentativas de assaltos.   

Anos se passaram. Alguns amigos me doam risadas sempre quando conto a história do assalto no Parque do Ingá. Seria eu uma presa fácil para a bandidagem? Queria saber o porquê de as pessoas não titubearem em me abordar no meio da rua. Não sou simpático, pelo contrário, mas talvez eu passe esta primeira impressão aos estranhos ao meu redor.

Voltemos a 2018. Como já disse, fui alvo de abordagem novamente. Ele não estava com trajes leves/esportivos e nem trotava o trote dos campeões da vida saudável. Não se tratava, também, de um observador da natureza, pássaros, macacos, fauna, flora, caldo de cana, água de coco. Turista não era, mas também não morava em Maringá. Vestia o uniforme dos desempregados: calça jeans puída, sapato gasto, blusa torta e uma pastinha com currículos debaixo do braço.

Ao interromper a minha fracassada tentativa de praticar corrida, aquele sujeito tinha no semblante a necessidade de obter uma informação. Elza Soares e o seu novo “Deus é Mulher” podia esperar um pouquinho. Pause no Spotify. Ele queria saber como fazia para chegar ao terminal rodoviário. O ladrãozinho de doze anos atrás veio com desculpa parecida: perguntou onde ficava o colégio mais próximo, para depois anunciar o assalto. 

Naquele momento, então, tinha duas opções, em meio às lembranças fortuitas no Parque do Ingá: ajudar o pobre rapaz a encontrar o local para pegar o ônibus de volta para casa (certamente após algumas entrevistas de emprego frustradas, sabe como é, 1/3 dos jovens estão desempregados no País etc.) ou me desvencilhar para buscar os sonhados 5km correndo para bem longe das pessoas e do mundo. 

Recebi um “obrigado” após me esforçar para dar a informação correta, dizendo: “você vai subir quatro quadras e depois virar à esquerda; andando mais umas cinco quadras, verá o terminal”.

Existem duas formas de estar desempregado: com uma pastinha debaixo do braço ou com uma faquinha de cortar bifes na mão.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Sente-se, por favor

Voltei à relíquia Blogger. Desliguei-me do jornal impresso O Diário do Norte do Paraná. Evito, portanto, novas postagens no blog odiario.com/blogs/wilameprado. Mas há um bom arquivo de textos por lá. Fica para a memória da internet. Tudo isso que escrevemos no passado virará lixo virtual, rastros para o Google, ou desaparecerá? Pouco importa, na verdade. Olhar para trás é lamentar a blusa que não veste mais - fique bem, Belchior!

Em tempos de Instagram, ser blogueiro é xingamento ou zoação. As meninas postam fotos mostrando roupas novas, ou os chamados "recebidos", e logo são alcunhadas de "blogueirinhas". A verdade é que, para ser um pouco mais lido, é melhor postar logo o textão no Facebook. Quem se interessar, vai ler, curtir e ainda compartilhar. Muitos, inclusive, comentam o seu texto. 

Um comentário num texto de blog chegava a emocionar - pelo menos para quem não tem tanta audiência. O motivo de voltar ao meu primeiro blog - este A Poltrona (desde 2008) - é apenas para registrar a sequência dos textos. Fica difícil organizar textos pela timeline do Face. Além do que, percebo agora, é bem boa a interface por aqui do Blogger para escrever - melhor que a do Wordpress. Simples e direta.

Como contei em textão no Face há alguns dias (leia aqui: encurtador.com.br/sCMPQ), despedi-me do jornal após dez anos de muita dedicação à escrita jornalística. No início, pegava firme na crônica semanal. Depois, peguei com garra na feitura de matérias e reportagens diárias. Por fim, debrucei-me na arte da edição de páginas de jornal, pautas e planejamentos editoriais. A gente perde a mão na escrita, por fim. E fica invisível. Dá a sua vida para a vida do impresso. E a piada não morre: jornal vira embrulho de peixe no dia seguinte. Mas pergunte para qualquer um que já trabalhou em Redação: dá um prazer danado fazer jornal diariamente. Prazer, sim. Dinheiro, não. Não se pode ter tudo nesta vida.

O fato é que eu paquero a literatura desde 2004, quando entrei na Biblioteca Municipal de Maringá como estagiário e me deparei com o universo fantástico dos livros. Mas culpei o jornal pela minha distância. Um cérebro focado na realidade dos fatos. Mãos que digitam textos rápidos e objetivos. Embrulho de peixe. Um jornal por dia. É foda. Enfim. Cometi um conto ou outro. Iniciei romances inacabados. Literatura que sucumbe. Prometia para mim e para os outros que voltaria a escrever quando desligasse meu PC na Redação. Cá estou. Afastado do impresso. Retornando ao Blogger. E no máximo flertando com a crônica velha de guerra. Literatura, não. Ainda não.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

'Os Malavoglia', e o mar a ressonar, no fim da ruela

"A Maruzza, ao ouvir bater a primeira hora da noite, entrara em casa depressa, para por a mesa; as comadres foram-se retirando pouco a pouco, e como a própria aldeia que ia adormecendo, ouvia-se o mar ressonar ali perto, no fim da ruela, e de vez em quando bufar, como quem se vira e revira na cama. Somente lá embaixo, na taverna, onde se avistava a luzinha vermelha, continuava o barulho e ouvia-se o vozear do Rocco Spatu, para quem todos os dias eram dias de festa."
...
"As estrelas piscavam com mais força, como se tivessem sido acessas, e os Três Reis cintilavam sobre os farilhões com os braços em cruz, como Santo André. O mar ressonava no fim da ruela preguiçosamente e a longos intervalos ouvia-se o rumor de alguma carreta que passava na escuridão, aos solavancos sobre as pedras, e seguia pelo mundo que é tão grande que se alguém pudesse caminhar e caminhar sempre, dia e noite, nunca mais chegava, e também havia gente que andava pelo mundo aquela hora, e não sabia nada do compadre Alfio, nem da Providência, que estava no mar, nem da festa de Finados - assim pensava a Mena na varanda à espera do avô.
O avô assomou mais duas ou três vezes a varanda, antes de fechar a porta, para olhar as estrelas que brilhavam mais do que deviam, e depois resmungou: - "Mar bravo!"
O Rocco Spatu esgoelava-se à porta da taverna diante da luzinha. - "Quem canta, seus males espanta" - concluiu o patrão ´Ntoni." - trechos do romance "Os Malavoglia", de Giovanni Verga (páginas 40, 41 e 42)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Tardei

Por Wilame Prado

Tardei, no lado oeste da cidade de pequeno porte
o sol caía
o moleque recolhia o par de chinelo-trave
o shortinho curto da moça tapava o paraíso
a senhora terminava de varrer a sujeira do mundo
e eu,
enquanto deixava a máquina automobilística me levar para mais próximo das nuvens,
tardei

Tardei porque não queria te ouvir, ver ou sentir
Tardei porque são desesperadoras as tardes de domingo
Assim como são desesperadoras qualquer tarde, de qualquer dia
Tardei para evitar a fadiga
Apaziguar os ânimos
Esfriar a cabeça
Amenizar a situação
Tardei para ver se, longe de mim, a casa ficasse em ordem

Lembro-me bem
Estava, sentido aos céus, no lado oeste da cidade de pequeno porte,
Quando tardei
E lá fui deixando a máquina me levar,
Marcha macia, brisa na cara, paraíso escondido, brincadeira acabada, sujeira varrida

No tardar, subi
Vi poeira leve e inofensiva pelo retrovisor
E estava mais determinado que nunca: o mundo ficou para trás
Cenário e gente serviam de retardatários
Tardei enquanto o sol caía, enquanto a tarde caía e tardava também
Subi em linha reta e notei que havia chegado a hora de parar
Dois pontos, uma linha, ponto de partida, ponto de chegada

Uma cerca, afinal, impedia-me de seguir adiante
Tardei mais um pouco por ali
Era voltar para trás ou tardar
Era encarar a sobrevivência ou me perder de vez
Em pensamentos, em frases soltas, em parágrafos imaginários,
Em sonhos daquilo que já foi e não foi e nunca será

Tardei e deixei, aos poucos,
não as obrigações
As saudades sim
Levarem-me para trás
Regredir nem sempre é sinônimo de fraqueza
Pode ser sintoma de experiência, pode ser fortificação

E hoje continuo tardando
Mais sereno
Sem tanto sacolejar as pernas
Olhando até mesmo as tardes de domingo passar
Azulejos refrescantes do alpendre da casa grande
Cadeiras de área, na área
Em outros pontos cardeais da cidade de pequeno porte 

E sem me esquecer jamais do dia em que deixei o carro me levar até o ponto final
Tendo na memória o chinelo-trave, o shortinho e a vassoura, e as pessoas
Os caminhos, as pessoas e os cenários nunca são iguais, retardatários

De vez em quando, retomo os trajetos de outrora, sempre mudados
Em tardes de domingo, feriados, dias atípicos de semana
No lado oeste da cidade de pequeno porte,
Onde tardei

E continuarei tardando
O sol caindo e tudo
Mas eu voltando

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Mais amor, mais porra*

Por Wilame Prado

Mais amor, porra. Desligue a TV, esta merda, e pratique mais amor, fabrique mais porra. Ou então se contente sozinho. Preferindo ver a Lua. Sem se importar se o futuro está vindo. Ou se, em um segundo, ele vai acabar. Continue preferindo ver a Lua. Aqui, bem perto do cemitério, onde as pessoas são sabiamente quietas. Enquanto isso, no badalado centro da cidade, vários cérebros estão em férias, comendo, bebendo, digerindo e cagando. Estômagos funcionam e não podem sair de férias. Cérebros, nem sempre. Ainda na parte central da cidade, surge aquela pergunta: “Você desligou o forno?” E se a casa explodir? O gás acabar? O arroz integral queimar? O leite de soja derramar? Apenas se contente com as coisas da filosofia. Se erro, existo, e tá perdoado. Mas voltando aos passeios na cidade onde os muros gritam, outra pergunta: “O que é arte?” Pichação é arte. É também protesto. E ameaça. E sinônimo de indignação. Arte é tudo isso, e só isso. Se existe, é para se fazer a arte. E é só com arte que se pode tentar mudar as coisas. Tacar as pedras das calçadas nos políticos não é arte. É imitá-los e, portanto, licenciá-los. É melhor continuar, então, em silêncio, não votando. E desejando sempre mais amor, mais porra, porra!


*Texto inspirado em frases pichadas em muros marigaenses e produzido para a matéria "Mecanismos do Fazer da Arte Moderna e Contemporânea", da professora Maria Lucinete Sifuentes, do curso de pós-graduação de Arte na Contemporaneidade, da UniCesumar

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Sem ver o mar, sem ver G.

Sonhei com G., minha avó. 

Ela me olhava severa. Seus olhos tinham som de voz, tinham cobrança, tinham amargura. Olhos que falavam. 

A gente não consegue permitir ou desautorizar as pessoas a invadirem nossos sonhos. Simplesmente entram e esbravejam olhares de reprovação. 

Não acordei de sonhos intraquilos. Dormi bem, mesmo estando mais cansado que de costume após longas horas passadas dentro de um carro, em uma viagem rumando ao mar. 

Mas não vi o mar.

Choveu, fez frio e senti uma melancolia, sentado num banquinho, com um copo meio cheio meio vazio, pensando na temperatura da água do mar e na areia invadindo os vãos entre os dedos do meu pé.

E se G. estava no fundo do mar? E se minha avó estava querendo dizer alguma coisa ao invadir meu sonho e me direcionar olhos falantes?

Faz tanto tempo que não vejo o mar. Faz tanto tempo que não vejo G.

domingo, 26 de agosto de 2012

terceiro sorriso


e parece até um milagre o abrir de olhos
o levantar, cambaleante, da cama
mas não é milagre
é só mais um corpo humano,
fraco e debilitado
que já pede o clássico repositor hidroeletrolítico
e vale até um sorriso, em meio a tanta confusão mental,
simplesmente pelo fato de não ter nascido na Faixa de Gaza
vale o segundo sorriso por saber que,
mesmo com tantas estripulias,
ainda está vivo, andando
e com olhos claros que brilham em frente ao espelho
o terceiro sorriso ele quase dá, sentindo o cheiro dela
que impregnou em sua pele, que se faz outra vida em forma de aroma
que lhe faz rememorar tantos sabores, tanta maciez na pele,
mas o terceiro sorriso logo se esvai, assim como a água do seu banho
indo ralo abaixo
mesmo com tantos problemas neurológicos
envolvendo uma amnésia noturna assustadora
recorda-se, em recortes, de dois corpos na praça,
no motel, no táxi e, finalmente, um adeus taxativo,
uma lágrima representando o quanto ela gosta dele
e também o quanto não o quer mais
o terceiro sorriso nunca mais existiu
mas ele se reconforta na temperatura do banho
sabendo que é difícil fazer atentados mártires
depois de trinta minutos de um bom banho quente
e pela enésima vez naquele dia,
sem sorriso, sem açúcar, com café
botou para tocar no youtube
“Simple Twist of Fate”, de Dylan